INSTITUTO CULTURAL PADRE JOSIMO
PROGRAMA REVISTA DE RÁDIO
Produção e apresentação: Frei João Osmar
680º programa: 27 de agosto de 2026:
1- Resenha: No programa de hoje vamos tratar sobre a criação da União Gaúcha das Associações Escolas Famílias Agrícolas -Uniagefa, que ocorreu em Santa Cruz do Sul no dia 21/08, sexta feira, com a participação de umas 30 lideranças das 04 Associações mantenedoras de Escola Família Agrícola -EFA no RS. As 04 EFAs em funcionamento no Estado contam com mais de 650 alunos vindos de 79 municípios. Sigo aqui material publicado no site do jornal Brasil de Fato RS no dia 24 de agosto, cujo link coloco a seguir para quem quiser ter acesso ao material completo. Escolas Famílias Agrícolas criam entidade estadual para fortalecer educação no campo no RS | Brasil de Fato
Com mais de 650 jovens em formação e presença em 79 municípios, as quatro Escolas Famílias Agrícolas (EFAs) do Rio Grande do Sul criaram uma entidade estadual. A União Gaúcha das Associações Escolas Famílias Agrícolas (Uniagefa) nasce para fortalecer a organização política, institucional e pedagógica das escolas. Também pretende ampliar a Pedagogia da Alternância e uma formação ligada à realidade de filhos e filhas da agricultura familiar e camponesa. A fundação ocorreu durante encontro realizado na sexta-feira (21), em Santa Cruz do Sul. Cerca de 30 representantes das associações mantenedoras das quatro escolas participaram da reunião. A sede da nova entidade funcionará junto à Escola Família Agrícola de Santa Cruz do Sul (Efasc).
Também fazem parte da articulação a Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha (Efaserra), sediada em Caxias do Sul; a Escola Família Agrícola de Vale do Sol (Efasol); e a Escola Família Agrícola da Região Sul (Efasul), sediada em Canguçu. “A criação da Uniagefa se deu em um processo dialógico de quase dois anos de debate e discussão entre as Escolas Famílias Agrícolas, para termos uma entidade representativa das associações das EFAs, que são as quatro escolas que existem hoje no estado”, explica o secretário-executivo da Uniagefa, Adair Pozzebon.
Até agora, a representação conjunta vinha sendo feita pela Associação Gaúcha Pró-Escolas Famílias Agrícolas (Agefa), mantenedora da Efasc. Depois de 18 anos da fundação da associação, as escolas passaram a defender uma organização mais ampla, capaz de reunir as quatro experiências existentes no estado. As EFAs somam cerca de 1.010 jovens já formados. Atualmente, atendem estudantes de 79 municípios e de aproximadamente 300 comunidades rurais. As quatro unidades também contam com cerca de 100 profissionais entre professores e funcionários.
Os jovens fazem o ensino médio junto com a formação técnica. A Efasc e a Efaserra oferecem o curso de agropecuária. A Efasol mantém o curso de agricultura. Já a Efasul oferece formação em agroecologia. “A gente já chegou à marca de mais de mil jovens egressos, formados nas EFAs, e temos mais de 600 estudantes hoje. Então, temos um quantitativo que exige que essa unidade esteja fortalecida”, afirma Pozzebon.
Políticas públicas e reconhecimento: Um dos principais eixos da Uniagefa será a atuação política e institucional. A entidade pretende ampliar o acesso das escolas às políticas públicas voltadas à Pedagogia da Alternância. Também quer avançar na criação de um marco legal no estado que reconheça o trabalho das EFAs. A Pedagogia da Alternância combina períodos de formação na escola com outros vividos junto à família e à comunidade. A proposta busca aproximar o conteúdo estudado da realidade, do trabalho e dos saberes dos territórios onde vivem os estudantes. “É fazer com que, de fato, além do acesso pleno à política pública, se tenha o reconhecimento e também melhorias, para que possamos fortalecer esse processo e, com isso, fortalecer a educação do campo e a Pedagogia da Alternância”, explica.
Para Pozzebon, essa organização também está ligada à defesa de uma educação que dialogue com a vida no campo e com a realidade das famílias atendidas pelas escolas. “Isso vai ao encontro da nossa luta, que é ter uma educação de qualidade, uma educação contextualizada para os filhos e filhas de agricultores familiares e camponeses das regiões onde as EFAs atuam”, afirma. O segundo eixo será pedagógico. A proposta é aproximar os princípios que orientam a formação nas quatro escolas. Segundo Pozzebon, esse trabalho tem entre as referências o educador Paulo Freire. “Precisamos sempre estar em permanente reflexão, análise e melhoria dos nossos processos pedagógicos. A ideia é trabalhar um processo de formação inicial e continuada de monitores e monitoras e promover encontros de formação no estado, para que as escolas possam dialogar”, detalha. A intenção é criar mais espaços de troca entre professores e professoras das diferentes unidades. Nesses encontros, poderão compartilhar experiências e discutir os desafios enfrentados pelas escolas. Segundo Pozzebon, a Uniagefa também busca aproximar princípios, ideias e causas comuns entre as EFAs.
Expansão para novas regiões: A nova entidade também deverá ajudar na criação de Escolas Famílias Agrícolas em outras partes do Rio Grande do Sul. O processo mais avançado é o da Escola Família Agrícola da Região Centro (EFA Centro). A associação da futura escola já foi criada e o credenciamento está em andamento no Conselho Estadual de Educação. A unidade deverá funcionar no antigo Seminário Franciscano de Agudo. Se o planejamento for cumprido, as atividades poderão começar em março de 2027. Outros dois movimentos estão em andamento. Um reúne Mostardas, Tavares e São José do Norte, no litoral médio gaúcho. O outro ocorre na região da Campanha e envolve Candiota e Hulha Negra. Nos dois territórios, grupos já estão organizados para discutir a viabilidade das futuras escolas. Representantes dessas regiões também visitaram a Efasc, em Santa Cruz do Sul, para conhecer a proposta. Pozzebon explica que a implantação de uma EFA exige trabalho de base nas comunidades e costuma levar cerca de dois anos de articulação. “Eles estão trabalhando como comissões, constituindo os grupos, fazendo uma mobilização de base, discutindo e planejando a viabilidade e a futura implantação de uma Escola Família Agrícola nesses territórios”, relata.
Organização coletiva: Durante o encontro de fundação, os representantes aprovaram por unanimidade a Carta de Princípios e o estatuto da Uniagefa. Também elegeram a primeira diretoria executiva, com mandato de dois anos. Márcio Luis Manske, da Efasc, será presidente. Alessandro Trarbach, da Efasol, será vice-presidente. Lucieli Conrado Leitzke, da Efasul, será secretária. Arnaldo Poletto, da Efaserra, será tesoureiro. No início, a Uniagefa será mantida por contribuições das quatro escolas. Pozzebon ficará responsável pela secretaria executiva e pela articulação da nova entidade.
2- Testemunho: Hoje vamos ouvir o testemunho da fotógrafa e documentarista gaúcha Mirian Fichtner, morando no Rio de Janeiro. À época, ela estava em Porto Alegre e sentiu de perto o impacto brutal da enchente de 2024, os relatos terríveis que vinham de tantas regiões e, inclusive da própria Capital, tiveram o dom de convocá-la a sair à rua e documentar aquele caos. Essa imersão na realidade resultou em um livro de fotografias e em um documentário sobre aquela tragédia, produzindo dois documentos poderosos da fúria das águas que destruiu vilas, pontes, estradas, escolas, deixando populações inteiras ao relento. No livro, Mirian optou por um caminho na contramão dos padrões da fotografia documental. Primeiro, porque fotografou em cores, quando muitos fotógrafos preferem o preto e branco pela sua pungência. Segundo, porque evitou fotografar rostos. Áudio retirado do Podcast de Fato Nº 157 (parte II);
3- Música: Construtores do Futuro, com Gilvan Santos;
4- Fotos Internet: Fundação da Uniagefa – BdeF/Divulgação:
