INSTITUTO CULTURAL PADRE JOSIMO
PROGRAMA REVISTA DE RÁDIO
Produção e apresentação: Frei João Osmar
454º programa: 28 de abril de 2022:
1- Resenha: Hoje vou falar sobre a Tenda Bem viver que aconteceu nas dependèncias da paróquia do Redentor da Igreja Episcopal Anglicana de Porto Alegre, RS, dentro das atividades realizadas no Fórum Social das Resistèncias de 26 a 30 de abril de 2022. O que é o Fórum Social das Resistências? O Fórum Social das Resistências é um evento que iniciou em 2017, em Porto Alegre, e que se insere dentro dos processos do Fórum Social Mundial – FSM. Tem como objetivo criar um espaço de articulação, divulgação e ampliação de todas as formas de resistências criadas pelos movimentos culturais, ambientais, políticos e sociais no Brasil e na América Latina. Busca inovar através da realização de “Assembleias de Convergências Autogestionadas” organizadas por várias organizações e movimentos sociais. Estas Assembleias de Convergências amplas e abertas a participação de todas as pessoas interessadas, discutem as causas das crises, apresentam propostas e organizam iniciativas. Uma das “Assembleias de Convergência” realizada foi a “Tenda Bem viver”, proposta e organizada pelas Pastorais Sociais, Igrejas e Movimentos Populares, no dia 27 de abril, a qual publicou a seguinte carta:
“Por ocasião do Fórum Social das Resistências, de 26 a 30 de abril, na cidade de Porto Alegre (RS); Pastorais, Igrejas e Movimentos Populares, promovem a Tenda Bem Viver: Mística e Resistência dos Povos, em comunhão com o tema da 6ª Semana Social Brasileira Mutirão pela vida: por Terra, Teto e Trabalho.
A Tenda foi alargada com as experiências de militantes e organizações que refletiram sobre: conflitos no campo, bem viver e justiça econômica, educação que liberta e religião: comunidades e fundamentalismos.
Os conflitos no campo aumentaram sistematicamente nos últimos anos, com um maior assento durante o governo Bolsonaro, que promove a cultura do armamento e da violência no campo, com “autorização para matar”. Por isso, denunciamos os 1.768 conflitos no campo brasileiro, em 2021, com 35 assassinatos, que envolvem povos indígenas, quilombolas, sem terra e todas as comunidades tradicionais.
Denunciamos e exigimos justiça para o recente caso da criança Yanomami, de 12 anos, estuprada e assassinada por garimpeiros, nas comunidades Aracaça, em Amajari, no norte de Roraima.
A economia dirigida pelo modelo capitalista está pautada no latifúndio, trabalho escravo e na exportação de recursos naturais, no campo e na cidade. Este sistema “exclui, degrada e mata”, disse o papa Francisco. Necessitamos refletir para sair de uma economia mercantil, financeirizada, pautada na dívida pública que gera dívidas sociais, para uma economia comunitária, socioecológica, que promova a ecologia integral. Denunciamos a concentração de renda nas mãos de poucos, enquanto 19 milhões de brasileiros e brasileiras passam fome, e mais da metade da população vive com insegurança alimentar.
A educação pública brasileira sofreu cortes de verbas, que implica diretamente na vida de crianças, adolescentes e jovens, com limitações na aprendizagem e evasão escolar. Destacamos a necessidade de fortalecer uma educação popular libertadora, para reduzir as desigualdades no contexto da pandemia.
Acreditamos que para superar a absurda desigualdade que estamos imersos, é necessário garantir o acesso e as condições adequadas a terra, teto e trabalho. Por isso, queremos construir o projeto popular para o país; O Brasil que queremos: o Bem Viver dos Povos, a partir da participação e inspiração na democracia que inclui, economia que gera vida e a soberania de um povo plural.
Por isso, conclamamos as companheiras e companheiros na luta, para alargar a Tenda Bem Viver, no mutirão pela vida, na construção do Brasil que queremos, com direito e acesso a terra, teto e trabalho.
Nos comprometemos:
– Apoiar a Campanha Contra a Violência no Campo, promovida pelas pastorais e movimentos do campo;
– Apoiar a luta dos povos indígenas, pela demarcação de suas terras e possibilidades para trabalharem na terra;
– Apoiar a iniciativa da Frente Nacional Contra a Fome e Sede;
– Promover a economia de Francisco e Clara nos espaços comunitários, em comunhão com a economia popular solidária e agroecologia;
– Lutar contra as privatizações das estatais e serviços públicos, para assegurar as políticas públicas que auxiliem na promoção do bem viver;
– Eleger governos que comprometam-se com a recuperação dos direitos trabalhistas e previdenciários, revogação do teto dos gastos, restabelecer os recursos das políticas de educação pública, geração de trabalhos digno com renda justa, distribuição de renda;
– Engajar na campanha latino-americana em defesa do legado de Paulo Freire e da educação popular libertadora;
– Promover a luta contra o racismo e o fundamentalismo religioso, por um estado laico e uma religião libertadora;
– Contribuir na construção do Projeto Popular O Brasil que queremos: o Bem Viver dos Povos, proposto pela 6ª Semana Social Brasileira;
– Lutar pelo pagamento das dívidas sociais, ambientais e históricas com o povo negro, indígenas, as mulheres e todo povo trabalhador que paga com a ausência do acesso a terra, teto e trabalho, entre outros direitos negados, a dívida financeira para os banqueiros. Porto Alegre, 27 de abril de 2022”.
2- Testemunho: Hoje vamos ouvir o testemunho de Osnilda Lima que é Assessora de Comunicação da 6ª Semana Social Brasileira e das Pastorais Sociais da CNBB. Ela nasceu em Guarapuava, PR e mora atualmente em Brasília. Osnilda apresenta-se como Comunicadora Social, tem Graduação em Comunicação Social com Habilitação em Jornalismo. No seu testemunho ela nos conta um pouco como vê as relações humanas atualmente, bem como sobre uma Comunicação que liberta e gere cidadania. Nos brinda com um belo relato/resumo do que foi a Tenda Bem Viver que aconteceu dia 27 de abril em Porto Alegre. É um bonito testemunho de uma pessoa comprometida na luta por um mundo mais justo, onde a vida é cuidada e promovida.
3- Música: Sertão Feliz, com Renan Junior e Gogó.
4- Fotos – da internet: Tenda do Bem Viver – Osnilda, Dom Zanoni e parte da representação indígena.
