A jornalista Maria Helena conversa sobre juventude, tradição e os desafios para levar esses temas para a Universidade

A jornalista e professora Maria Helena destacou a importância da ancestralidade, da resistência e da representatividade dos povos de terreiro na educação no terceiro episódio do podcast Igualdade e Cultura Negra – Vozes e Territórios. Apresentado por Iyá Vera Soares, o programa pode ser assistido nas quintas-feiras, 19h, no YouTube da TV Josimo, do Brasil de Fato RS e nacional e no Vida no Sul. O podcast também será exibido nas sextas-feiras, às 11h, na TV Mais.
Neste episódio, a convidada tratou sobre juventude, tradição de matriz africana, racismo e os desafios para levar esses conhecimentos às escolas e universidades.
Maria Helena destacou que o ensino sobre a visão de mundo da matriz africana a jovens se tornou parte de uma busca para combater o preconceito racial. Ela destacou que a educação sobre a matriz africana é também uma forma de resistência e de combate ao racismo.
Para a jornalista, a maneira como os jovens se percebem e se colocam no mundo está relacionada aos espaços em que vivem e à formação que recebem. Maria Helena defende que, quando crianças e jovens não encontram sua história e seus valores nos espaços de educação, podem crescer sem referências sobre sua própria identidade, enquanto o preconceito e a intolerância continuam sendo reproduzidos.
Maria Helena acredita que a educação dos jovens dentro das comunidades de terreiro acontece também pela convivência e pela transmissão dos saberes entre gerações. Ela destaca a importância das crianças estarem inseridas no terreiro, acompanhando os mais velhos e participando dos momentos coletivos. Segundo a jornalista, essas experiências ensinam valores como cuidado, respeito, pertencimento e responsabilidade com o coletivo.
Ela cita como exemplo as mesas destinadas às crianças, momentos em que todos se sentam juntos para compartilhar o alimento. Segundo Maria Helena, mais do que alimentar, essas experiências mostram às crianças que aquele é um espaço seguro, onde elas são importantes e acolhidas. A partir dessa vivência, os jovens aprendem que aquilo que recebem também deve ser compartilhado no futuro.
A convidada destaca que cresceu dentro do terreiro e que essa experiência contribuiu para a perspectiva de mundo que carrega atualmente. “Pensar na formação da juventude é encontrar um equilíbrio entre aquilo que foi transmitido pelas gerações anteriores e aquilo que os jovens desejam construir para o futuro.”
Nesse sentido, Maria Helena defende que a construção de uma sociedade baseada no respeito às diferenças deve começar desde a infância. Para ela, a educação dos jovens precisa estimular a convivência, o diálogo e a compreensão de diferentes histórias, origens e formas de pensar. A diversidade, nesse contexto, não deve ser motivo para intolerância, mas parte do processo de formação para uma convivência mais respeitosa.
O projeto Igualdade e Cultura Negra: Vozes e Territórios é uma realização do Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ), por meio do Termo de Fomento nº 973281 do Ministério da Igualdade Racial do Governo Federal, com correalização do Brasil de Fato RS. Ele percorre temas como visão de mundo africana, saúde pública, ervas medicinais, economia solidária, cooperativismo negro, cultura ancestral e educação de matriz africana. Cada episódio parte de uma conversa com uma convidada ou convidado que atua diretamente com o tema abordado, unindo vivência de terreiro, produção acadêmica e militância política.
Legenda foto: Iyá Vera Soares conversa com a jornalista e educadora Maria Helena sobre juventude, educação e tradição de matriz africana
Crédito: Katia Marko