Um Olhar de Fé: A novidade do Evangelho

16 de maio de 2019

Qual a grande novidade do cristianismo, que devemos retomar hoje? Qual é o novo mandamento que Jesus veio anunciar? O que é a religião verdadeira? A pergunta também aparece na Bíblia, sinal de que já naquela época havia dúvidas ou concepções diversas e contrastantes da religião. Hoje, na época de mudança em que nos encontramos, a pergunta se torna ainda mais premente. O que é mesmo religião? Estou certo ou estou errado?

 

Alguns acham que a religião consiste em amar a Deus e deixar tudo por conta dele. Ele que se vire… É uma espécie de fatalismo. Deus, o todo-poderoso, tem que tomar conta de tudo. Nós só devemos aceitar a vontade de Deus, sem discutir. Jesus não fala assim. Ele quer que seus discípulos amem a Deus como ele próprio, Jesus, ama. E para Jesus o amor a Deus, o Pai, nunca está separado do amor aos irmãos e irmãs. Só agindo como Jesus agiu, seremos reconhecidos como seus discípulos, como verdadeiros cristãos, como membros da religião verdadeira.A resposta está no discurso de despedida de Jesus, seu testamento, que está no Evangelho de João, capítulos treze ao dezessete.

 

O Mestre não exige muito dos seus seguidores, apenas que se amem uns aos outros. Na verdade, o mandamento do amor já existia no Antigo Testamento, mas Jesus o transforma no novo mandamento. Nada tira, só acrescenta. A novidade está na extensão, no motivo e na medida: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. Em outras palavras: ao ponto de doar a própria vida de forma gratuita. Este “como” é a novidade: como o Pai me amou, como o Pai me enviou. Significa que devemos amar como Deus ama, com a grandeza do coração de Deus, à semelhança Dele. Assim realizaremos a nossa vocação de filhos, criados à semelhança do Pai. Amar como Deus ama! É a nosso desafio, é a nossa vocação.

 

É justamente amando gratuitamente até as últimas consequências, se for preciso, que demostraremos que somos seus discípulos. O amor autêntico e verdadeiro é a marca e a característica de quem se propõe seguir os passos do homem de Nazaré. “Assim todos reconhecerão que sois meus discípulos”. O Mestre não pede amor para si, mas aos irmãos e às irmãs. Este será também o caminho da propagação eficaz da mensagem.

 

Não basta aderir a Jesus individualmente. É necessário demonstrar isso no compromisso amoroso com o próximo. A adesão a Jesus necessita ser expressa no cumprimento solidário com os sofredores. Essa é a prova mais cabal de que amamos a Deus. Se não amamos as pessoas não temos como provar que amamos a Deus. “Quem diz que ama a Deus e não ama seu irmão é mentiroso”, conforme diz a Primeira Carta de João.

 

Padre Alex Kloppenburg