#ResisteMirabal!

3 de junho de 2018
Por: Ir. Michele da Silva ‚Äď ICM

Este grito de resistência é o clamor das Mulheres da Ocupação Mirabal, mulheres vítimas de violência doméstica que estão prestes a sofrer mais uma violência com a reintegração de posse do espaço em que vivem. 

A Ocupa√ß√£o de Mulheres Mirabal, √© fruto da ocupa√ß√£o do pr√©dio hist√≥rico, situado na Rua Duque de Caxias n¬ļ 380, no centro hist√≥rico de Porto Alegre, que pertence aos Irm√£os Salesianas. O Movimento de Mulheres Olga Ben√°rio realizou a ocupa√ß√£o no dia 25 de novembro de 2016, fazendo mem√≥ria ao Dia Internacional da Elimina√ß√£o da Viol√™ncia contra a Mulher.

Desde o in√≠cio da ocupa√ß√£o, o local foi um espa√ßo de acolhida a mulheres v√≠timas de viol√™ncia e seus filhos, apresentando um projeto alternativo de trabalho mais humanizado e familiar que proporcionasse a liberdade e o empoderamento feminino. A ocupa√ß√£o √© dinamizada por coordenadoras volunt√°rias, em sua maioria, estudantes universit√°rias que realizam uma organiza√ß√£o circular e flex√≠vel nas distribui√ß√Ķes de tarefas do cotidiano e nas demais atividades da casa.

Em todos os eventos, debates, oficinas e atividades realizadas dentro e fora da ocupação primam-se pela valorização e busca da dignidade da mulher. A sororidade e o resgate do ser feminino perpassam nas falas, no espaço físico e na forma como a individualidade de cada uma é respeitada no seu tempo.

A ocupa√ß√£o tornou-se um referencial na cidade de Porto Alegre devido a sua singularidade, mesmo com poucos recursos e sobrevivendo de doa√ß√Ķes tem exercido um papel social de grande relev√Ęncia para a sociedade e cumprido o dever que cabe ao Estado, acolher, proteger e encaminhar mulheres v√≠timas de viol√™ncia. Com muita criatividade as mulheres encontram diversas formas de sustentabilidade, feiras, brech√≥s, ch√°s beneficente, festivais entre outras atividades, al√©m do trabalho de algumas mulheres da casa.

Mesmo realizando um trabalho tão necessário a nossa sociedade, a ocupação sofre grande pressão desde sua criação, tanto por ser organizada por um movimento de mulheres, como por estar em uma propriedade privada. Nestes quase dois anos, as mulheres seguem resistindo e lutando pelo reconhecimento do seu trabalho e pelo direito a uma casa.

Neste embate nem o Estado, nem as Igrejas ou congrega√ß√Ķes religiosas t√™m conseguido tomar uma posi√ß√£o ou realizar algo concreto com rela√ß√£o ao destino dessas mulheres e seus filhos.¬† A Mirabal tem passado por um per√≠odo cr√≠tico de incerteza e inseguran√ßa.

H√° seis meses foi criado um grupo de trabalho com o intuito de solucionar esta quest√£o, mas at√© agora nada de concreto aconteceu. Todas as promessas e alternativas ficaram sem retorno. Algumas mulheres deixaram a casa, e outras chegam enviadas pela justi√ßa, cada dia que passa a angustia aumenta, pois, pode ser o √ļltimo dia da ocupa√ß√£o.

Mesmo em meio a toda esta situa√ß√£o de tens√£o e ‚Äútortura psicol√≥gica‚ÄĚ, a data de reintegra√ß√£o de posse seria at√© maio, reuni√Ķes, mobiliza√ß√Ķes e √†s vezes cansa√ßo. Percebe-se muita motiva√ß√£o m√ļtua, companheirismo e esperan√ßa. No olhar de cada companheira existe a certeza de que esta luta n√£o ser√° em v√£o!

Algumas pessoas t√™m se unido a esta luta por compartilhar da causa ou mesmo indigna√ß√£o diante do descaso do Estado que n√£o garante o m√≠nimo de dignidade a popula√ß√£o. Seja com apoio material, nos eventos ou nas mobiliza√ß√Ķes em diversos espa√ßos, dando um grande est√≠mulo as mulheres.

A Ocupa√ß√£o de Mulheres Mirabal j√° enfrentou muitas situa√ß√Ķes dif√≠ceis e se fortaleceu nas alegrias e desafios da caminhada, esse projeto vai resistir porque √© formado por mulheres lutadoras que acreditam em uma nova sociedade com rela√ß√Ķes circulares de poder e igual dignidade entre mulheres e homens.

A luta das mulheres nunca é fácil, mas, seguiremos buscando nossos direitos porque não aceitamos NENHUMA A MENOS!

#RESISTEMIRABAL