Lideranças de diferentes credos lançam Comitê Inter-Religioso em apoio a Lula, Haddad e Manuela

23 de setembro de 2018

Novo coletivo conclama a defesa da democracia e justiça social, pautando as eleições presidenciais como momento histórico onde é preciso tomar posição frente aos projetos antagônicos que estão em disputa

 

(foto: Alexandre Garcia)

Um grupo de 45 religiosos, representando diferentes matrizes espirituais, reuniu-se em Porto Alegre na última sexta-feira, 21, para debater a conjuntura atual que atravessa o país e congregar posicionamentos no que se refere ao processo eleitoral que está em andamento. Motivados pela necessidade de enfrentamento ao discurso fascista representado pela extrema direita e ao projeto político excludente representado pelo centro-direita, propuseram a criação de um coletivo que foi denominado “Comitê Inter-Religioso em Defesa da Democracia e Justiça Social Lula-Haddad-Manuela”. Segundo os organizadores, estiveram presentes religiosos católicos, evangélicos, luteranos, budistas, muçulmanos, anglicanos e representantes das espiritualidades de matriz africana, sendo que outros segmentos devem se integrar ao grupo nos próximos dias.

Irmâ Michele do Sagrado Coração de Maria, que trabalha com as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) na Igreja Católica, declarou apoio ao comitê fez eco ao chamado público ali representado: “Eu sou a favor da democracia, por isso apoio Lula, Haddad e Manuela para que tenhamos um país com mais justiça social e onde todas as pessoas tenham vez e voz”. Também das CEBs, o ativista Waldir Bhon Gass relembrou o protagonismo do povo, exercido durante os dois governos de Lula e ressaltou que essa participação popular precisa ser retomada como a grande bandeira do novo governo, frisando a importância do voto de cada um para que se possa reconstruir esse caminho.

Para a ativista do movimento negro, Ivonete Carvalho, que acompanhou a reunião, “estamos vivendo um momento muito difícil no nosso país, onde a discriminação, os retrocessos e a violência estão afluindo e até sendo incentivadas por alguns candidatos dentro do processo eleitoral”. Segundo ela, o contraponto necessário deve partir do engajamento de cada um, onde a palavra “respeito” se torna chave para uma tomada de decisão correta no dia 7 de outubro, onde todos devemos estar engajados na eleição de um projeto que esteja comprometido com a justiça social e a igualdade. Eliane Almeida, liderança ligada às Comunidades Tradicionais de Terreiro, relembrou as políticas públicas de inclusão social e os projetos de cidadania voltados às periferias que foram desenvolvidos e que precisam ser retomados. Para ela, esse caminho só é possível a partir da opção pela chapa Haddad/Manuela.

(foto: Alexandre Garcia)

O frei franciscano Sérgio Görgen relembrou que a defesa da justiça social é baseada na paz, tolerância, fraternidade e, mais do que tudo, na busca pela igualdade e a defesa dos mais fracos. São pontos comuns que congregam as diferentes experiências de religiosidade e que hoje são evocados para que se possa ampliar cada vez mais as ações que reforçam as candidaturas do campo progressitas – em especial Haddad e Manuela – e o contraponto aos projetos políticos que se colocam contra a vida, intolerantes e excludentes. “Para defender a democracia e a justiça social, humildemente devemos nos colocar em consonância com os valores que aprendemos nos evangelhos e assim buscar com nosso voto uma nação mais justa e mais humana”, afirmou.

No mesmo sentido se manifestou a monja Kokai Sensei, budista, que classificou o momento histórico por que passa a sociedade brasileira como incomparável, refletindo sobre a importância que cada um tem ao protagonizar a escolha no processo eleitoral: “Hoje se faz necessário responsabilidade e esclarecimento na hora de votar, ter clareza em relação aos projetos que estão sendo apresentados e qual destes vai proteger a sociedade como um tecido que inclua todas as pessoas”, explicou. Para ela é preciso que todos estejam unidos para frear posicionamentos excludente,s que voltam-se para segmentos específicos da sociedade e renegam a responsabilidade de atender aos anseios do povo como um todo.

Tendo como norte a afirmação de que este não é momento para se omitir, o comitê firmou de forma unânime o apoio à chapa encabeçada por Fernando Haddad e Manuela D’Ávila que disputa a Presidência da República em representação ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, hoje preso político na carceragem da Polícia Federal em Curitiba e com os direitos políticos cerceados. Para os participantes o posicionamento claro e o engajamento no processo político se faz necessário e deve atuar como elo norteador à proposta de um projeto que é pelo povo, buscando justiça social e colocando-se na vanguarda em defesa da vida.

Interessados em participar do “Comitê Inter-Religioso em Defesa da Democracia e Justiça Social Lula-Haddad-Manuela” podem contatar através dos telefones/whatts (51) 992019635 ou (51) 998287083.

 

 

Marcos Corbari – Jornalista

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