Encerrado o XIII Encontro de Teologia Feminista de Institutos de Teologia Do Rio Grande do Sul

21 de agosto de 2018

Foto: Michele Corrêa

 

Por Michele Corrêa*

Com o objetivo de reunir pessoas que trabalham Teologia Feminista e questões de Gênero para refletir avanços e retrocessos nas política públicas, visando à superação dos limites e o fortalecimento das práticas sociais, eclesiais e acadêmicas, ocorreu durante os dias 18 e 19 de Agosto, o XIII Encontro de Teologia Feminista de Institutos de Teologia Do Rio Grande do Sul, na Faculdade EST, em São Leopoldo, com o tema “Teologia Femininista um diálogo com políticas públicas”.

Na manhã do dia 18/08/2018 contamos com a presença da Deputada Federal Maria do Rosário partilhando de sua experiência no Legislativo sobre o “Protagonismo da Mulher na Política: conquistas e barreiras”. A deputada construiu sua fala a partir da passagem bíblica Lc 10, 38-42:

38 Enquanto caminhavam, Jesus entrou num povoado, e certa mulher, de nome Marta, o recebeu em sua casa. 39 Sua irmã, chamada Maria, sentou-se aos pés do Senhor, e ficou escutando a sua palavra. 40 Marta estava ocupada com muitos afazeres. Aproximou-se e falou: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe sozinha com todo o serviço? Manda que ela venha ajudar-me!” 41 O Senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta! Você se preocupa e anda agitada com muitas coisas; 42 porém, uma só coisa é necessária, Maria escolheu a melhor parte, e esta não lhe será tirada.”

A partir da referida passagem do Evangelho Segundo Lucas, Maria do Rosário foi nos propondo uma reflexão sobre o direito escolha das mulheres, as possibilidades de escolhas de vida, questionando pontualmente: “Políticas públicas são opções, são escolhas?” Afirmando ser o orçamento público uma escolha, que neste tempos sombrios do governo golpista do presidente Temer, tem feito a escolha de limitar os gastos públicos com políticas públicas sociais, abordando a PEC 95, que limita por 20 nos os gastos públicos. Encerrando sua partilha a deputada nos deixa como pergunta norteadora para nossas ações: “ Estou só correndo ou fazendo o ‘essencial’? Maria do Rosário afirma ser um tempo de resistência, mas um tempo de resistência consciente!

Dando continuidade nas reflexões ainda na parte da manhã de sábado (18), contamos com a partilha da Dra. Marga Janete Ströher, abordando a temática “Políticas Públicas e Gênero: reflexão bíblico-teológica. A teóloga construiu sua fala a partir da passagem bíblica Lc Am, 20-25:

20 Pois o Dia de Javé, por acaso não será trevas, ao invés de luz, escuridão sem claridade alguma? 21 Eu detesto e desprezo as festas de vocês; tenho horror dessas reuniões. 22 Ainda que vocês me ofereçam sacrifícios, suas ofertas não me agradarão, nem olharei para as oferendas gordas. 23 Longe de mim o barulho de seus cânticos, nem quero ouvir a música de suas liras. 24 Eu quero, isto sim, é ver brotar o direito como água e correr a justiça como riacho que não seca. 25 Vocês por acaso fizeram ofertas ou me ofereceram sacrifícios durante os quarenta anos de deserto, ó casa de Israel?

Chamando a atenção para a necessidade de Profecia e Empoderamento, recordando a luta das mulheres para terem diretos a Previdência Social, a políticas públicas, e o processo de desmantelamento dessas políticas a partir do Impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o que ocorreu em meio a manifestações profundamente misóginas. A intolerância de uma parcela da sociedade brasileira ao protagonismo da mulher na política começaram a se manifestas logo no incio do governo da presidenta, quando a mesma começou a sofrer ataques em virtude da flexão de gênero, quando a mesma definiu que seria chamada de Presidenta, tais ataques se davam com a justificativa que é um termo neutro da língua portuguesa, sendo a neutralidade na língua portuguesa marcada pela flexão de gênero no masculino, como algo imutável. E assim , foi são construídas uma serie de ações que visam limitar o protagonismo das mulheres, e uma das ferramentas é o cerceamento a seus direitos adquiridos nos últimos anos, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio.

Na parte da tarde de sábado (18) foram realizadas 05 oficinas, dando a possibilidade de cada participante participar de duas oficinas, sendo elas : Gênero e Encarceramento; Gênero e Educação; Gênero e Violência obstétrica, Gênero e Previdência Social e Gênero e Previdência Social. A atividades do primeiro dia de encontro foram encerradas com as partilhas dos temas abordados nas oficinas e com um lindo Sarau Cultural.

No domingo (19), Dra. Marga  abordou a temática “Desafios de Gênero na retomada da democracia”, partilhando suas experiências e vivências durante a graduação, na década de 80, anos de intensa atividade para garantia de direitos no pós ditadura militar e fazendo também um resgate da memória de tantas  mulheres que lutaram, doaram a vida  durante o a Ditadura Militar para garantir o fim do regime, e as 29 mulheres deputadas constituintes,  nos permitindo refletir a luz da história o protagonismo das mulheres para a construção da Constituição Federal de 1988. Olhar o papel profético e empoderado de mulheres como Bertha Lutz, Erondina, Margarida Alves, Marilena Chaui, Dilma Roussef, Criméia de Almeida, dos Caernos Pagu, dos Estudos Feministas, nos fortalece para seguir em frente, resistindo, pois é preciso Esperançar.

Esperançando, após viver dois dias de intensa partilha de experiências, vivências e conhecimento, foi possível ampliar  a rede de comunicação, com objetivo de garantir espaços de encontro, fortalecimento e da troca e criação de subsídios de maneira a fortalecer a espiritualidade de todas, todos e todes.

*Michele Corrêa é membra da Pastoral da Juventude RS

 

Foto: Michele Corrêa

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