Ele está no meio de nós!

22 de junho de 2019

Antes de cumprir toda a missão que o Pai Lhe confiou, Jesus ressuscitado apareceu durante quarenta dias a vários de seus discípulos e discípulas. Continuou a ensinar-lhes sobre o “Reino de Deus e sua justiça” (Mt 6,33). Tais experiências acalmaram o coração daqueles que estavam tomados de angústia, incerteza, e grande crise de fé, pois Aquele em quem haviam depositado toda sua esperança, acabara crucificado. As aparições eliminaram as dúvidas, confirmando que Jesus era “o Cristo” (Mc 8,29). Ele lhes auxiliou a “interpretar as Escrituras”, “abrindo os olhos” dos discípulos.

 

Missão significativa foi a das primeiras comunidades cristãs: anunciar “o mistério guardado desde os séculos e desde as gerações” (Col 1,26), manifestado em Jesus de Nazaré. Proclamando que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10,34) e a todos “quer vida e vida em abundância” (Jo 10,10), levaram a mensagem do crucificado-ressuscitado ao mundo. Nem tudo Jesus havia explicado, porém a confirmação mútua na fé e na esperança, junto da vivência do mandamento do amor, motivava os primeiros cristãos a não desanimarem.

 

Maria, José, Pedro, Paulo, João, Tiago, Bartolomeu, Marta, Maria Madalena, Maria de Cléofas…, todos se encorajavam e firmes viviam os ensinamentos de Jesus. Estevão, no ministério de diácono, tornou-se o primeiro a oferecer sua própria vida em nome de Jesus e de Seu Evangelho. Tão próximo de Jesus se fez, que como Ele, pediu a Deus que “não levasse em conta o pecado” (At 7,60) de seus algozes. A fé superava barreiras, épocas, culturas. E assim, a história apresentou inúmeras testemunhas de fé, as quais como pedras vivas, apoiadas sobre o fundamento dos Apóstolos, auxiliaram na organicidade da Igreja. Esta mesma fé chegou até nós.

 

Por graça somos chamados a professar a fé no ressuscitado, na vitória sobre o pecado e sobre a morte: “no mundo finalmente aberto ao Reino de Deus, Reino de amor, paz e fraternidade” (Papa Francisco, Páscoa 2019). Que somos libertados por Jesus para vivermos “na liberdade de filhos de Deus” (Rm 8,16). Que fomos assumidos em nossa condição humana, nossa limitação da carne, redimidos, e elevados a condição de “nova criatura” (2Cor 5,17).

 

Jesus, por meio de suas palavras e obras, mostrou uma sociedade sonhada por Deus. Por isso, segui-lo ontem, hoje e sempre, exige um compromisso de fé. Com os primeiros discípulos aprendemos que nossa fé não deve ser intimista -eu, minhas coisas e meu Deus-; muito menos ocultar-se das realidades do mundo. Por isso, o papa nos convida a olharmos realidades presentes em nossa sociedade: “O Ressuscitado, que escancarou as portas do sepulcro, abra os nossos corações às necessidades dos indigentes, indefesos, pobres, desempregados, marginalizados, de quem bate à nossa porta à procura de pão, dum abrigo e do reconhecimento da sua dignidade (Páscoa 2019). Que o Espírito Santo, Aquele que nos dá o reto discernimento das necessidades de cada época, sempre mais nos conduza pelos caminhos do Evangelho e nos faça verdadeiros discípulos do Mestre, o qual caminha “conosco todos os dias” (Mt 28,20).

 

Cirineu Bonini da Luz

Seminarista do 3° ano da Teologia.