Economia de Francisco: jovens estudantes e ativistas são convocados pelo Papa para debater uma nova economia

6 de janeiro de 2020

Marcos Antonio Corbari / Mateus Menezes Quevedo

Encontro será realizado em Assis (Itália) e setores populares da igreja buscam reunir recursos para viabilizar a participação de uma delegação com no mínimo 78 jovens brasileiros

O Papa Francisco emitiu em meados de 2019 uma convocação à jovens, economistas, empresários e transformadores a irem para Assis (Itália), para “firmar um compromisso no espírito de São Francisco, com o objetivo de fazer a economia de hoje e amanhã justa, sustentável e inclusiva, sem deixar ninguém para trás”.

Denominado “Economy of Francesco” (Economia de Francisco), o encontro busca estabelecer debate e condições para fazer acontecer uma nova economia em nível global. Os setores populares da igreja estão mobilizados através da Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEF), buscando viabilizar a participação de diferentes representações sociais e compor adequadamente a delegação brasileira que vai participar do evento.

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O Instituto Casa Comum (ICC) colocou em curso uma campanha colaborativa que visa reunir recursos para garantir uma participação mínima de 78 jovens brasileiros, que poderá ser ampliada se forem mobilizados recursos suficientes para subsidiar as despesas. Doações de qualquer valor estão sendo solicitadas via depósito bancário (Banco do Brasil, agência 03840, conta corrente número 30433-6, em nome do ICC, CNPJ 27079486/0001-51).

Francisco é pontual ao priorizar a participação dos jovens no evento, afirmando que pretende “conhecer aqueles que estão sendo formados hoje e estão começando a estudar e praticar uma economia diferente, a que vive e não mata, inclui e não exclui, humaniza e não desumaniza, cuida da criação e não a caça”. Liderança incontestável em nível global, o pontífice está propondo um encontro onde, além de aproximar e promover conhecimento recíproco entre os participantes, possa conduzir a formulação de um “pacto para mudar a economia atual e dar alma à economia de amanhã”.

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– Hoje mais do que nunca tudo está intimamente conectado e que a proteção do meio ambiente não pode ser separada da justiça em relação aos pobres e da solução dos problemas estruturais da economia mundial – afirma Francisco. “É necessário corrigir os modelos de crescimento incapazes de garantir o respeito ao meio ambiente, a aceitação da vida, o cuidado da família, a equidade social, a dignidade dos trabalhadores, os direitos das gerações futuras”, acrescenta. Para o Papa, a efetivação do pacto proposto se faz necessária porque até o momento “o apelo à conscientização da seriedade dos problemas e, sobretudo, à implementação de um novo modelo econômico, fruto de uma cultura de comunhão, baseada na fraternidade e na equidade, permanece ignorado”.

Em artigo publicado em agosto passado no portal Brasil247, Frei Beto destaca o sentido do encontro: “Não se trata de um evento no qual poucos falam e muitos escutam. O objetivo é promover intercâmbios entre teoria e prática, de modo a elaborar uma proposta alternativa à economia hegemônica que gera exclusão social. Francisco espera que o encontro trace as linhas gerais de uma economia justa, sustentável e inclusiva. Grupos de trabalho já se reúnem em vários países, inclusive no Brasil”. (texto integral disponível também no BdF – Clique Aqui!)

Diferente do que se pode supor, o nome do evento – Economia de Francisco – não remete ao seu propositor e sim aos personagens históricos que claramente o inspiram: São Francisco e Santa Clara de Assis. “(O evento) tem clara referência ao Santo de Assis e ao Evangelho de que ele viveu em total coerência também em nível econômico e social”, afirma o Papa, buscando esclarecer que o exemplo proposto “nos oferece um ideal e de alguma forma um programa”. A Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara (ABEF) – que reúne todos os jovens candidatos à Assis – valoriza essa proposição, visualizando em Francisco e Clara a personificação de jovens deserdados que buscavam, por meio de seus atos, ajudar os oprimidos, doentes e condenados.

“Enquanto nosso sistema econômico-social ainda produzir uma vítima e houver apenas uma pessoa descartada, não poderá haver a festa da fraternidade universal”. (Papa Francisco)

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Os temas norteadores dos debates propostos no evento partem de um necessário “Currículo de Economia”, visando a reconstrução da casa comum (para saber mais, CLIQUE AQUI). Partindo dessa premissa, derivam as seguintes proposições: visões setoriais para Educação, Saúde, Periferias, Feminismo, Indigenismo, Negritude, Novas Profissões, Universidade Pública, ciência e Inovação (para saber mais, CLIQUE AQUI); Economia solidária e Autogestão (para saber mais CLIQUE AQUI); Fator Humano e Liderança (para saber mais, CLIQUE AQUI); Sistema Econômico, a partir dos prismas da desigualdade, orçamento público, sistema tributário, sistema financeiro, reguçaão e controle social (para saber mais, CLIQUE AQUI); Governança dos Comuns, com foco no desenvolvimento local (para saber mais, CLIQUE AQUI).