Diocese de Bagé-RS acolhe seu novo Bispo

17 de dezembro de 2018

Por Angelo Alvares Rodrigues* e Michele Corrêa**

“Bendito o que vem em nome do Senhor”.

A Diocese de Bagé e o Regional Sul 3 – CNBB alegram-se em contar com um novo Pastor. Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco, OFMCap, foi nomeado no dia 26 de setembro de 2018 pelo Papa Francisco, para substituir Dom Gilio, no Governo Pastoral, Felício que se tornou Bispo Emérito no dia 06 de junho após acolhida de seu processo de renúncia junto ao Vaticano.

No dia 1° de dezembro, em Barros Cassal, sua terra natal, Frei Cleonir foi ordenado Bispo com a presença de caravanas de Padres, Religiosas/os, Leigas/os da Diocese de Bagé e caravanas compostas por Freis Capuchinhos, Religiosas de diversas congregações e leigas/os aos quais Frei Cleonir trabalhou nas Paróquias atendidas pela Ordem.

No último domingo, 16 de dezembro, aproximadamente, mais de mil pessoas estiveram reunidas no Ginásio do Colégio Franciscano Espírito Santo em Bagé, para a Missa de Acolhida e Posse do novo Bispo Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco. Nesse terceiro Domingo do Advento, também nominado como “domingo da alegria”, lembremos que além da acolhida do novo Pastor, celebramos os 40 anos de sacerdócio do então Administrador Diocesano Pe. Alex José Kloppenburg e também do Bispo Emérito Dom Gilio Felício, assim como os 15 anos que esteve à frente da Igreja Particular de Bagé.

 

HOMILIA DE DOM FREI CLEONIR:

“EU VIM PARA SERVIR”

 

Caríssimos irmãos no episcopado, Ilustríssimos representantes das autoridades constituídas, queridos sacerdotes do clero de nossa Diocese e de outros lugares, religiosos e religiosas, seminaristas, lideranças de nossas comunidades, membros e representantes das diversas pastorais, movimentos, serviços, associações, paróquias e comunidades que compõem a nossa Igreja diocesana, queridos fiéis e amigos vindos de vários lugares. Saúdo também os irmãos e irmãs de outras denominações religiosas.

Sou o 5º bispo da Diocese. Antes de mim estiveram grandes pastores, dignos de nosso respeito e gratidão, deixo uma palavra carinhosa a Dom Gílio, 15 anos a frente da Diocese, com seu carisma e entusiasmo soube muito bem conduzir a nossa igreja.  Muito obrigado Dom Gílio! Merece nossos aplausos.

 

Um agradecimento especial ao Pe Alex, que pela segunda vez foi administrador diocesano, espero que a terceira vez demore bastante tempo… hoje completa 40 anos de vida Sacerdotal. Parabéns e obrigado!

Queridos e queridas! Aqui estou com o coração confiante, feliz e esperançoso. Estou confiante porque sei que a graça de Deus não falta aos seus. Ela nunca faltou na minha vida de cristão, na minha vida religiosa e no meu ministério sacerdotal. Por isso, sei que não me faltará junto ao clero e a esse querido povo da Diocese de Bagé. 

Quero iniciar esta saudação, dirigida a toda a Diocese, com um ato de reconhecimento e agradecimento ao Senhor por me ter chamado a caminhar com vocês como bispo e pastor. Tenho sentido e experimento a cada dia que este chamado procede d’Aquele que me escolheu que, com a sua ternura e paciência de Mestre, tomou-me pela mão e me introduziu pacientemente na missão que me foi confiada.

Estou chegando, por isso peço permissão “para entrar em suas casas e em seus corações e começar a fazer parte de suas vidas e da história desta fecunda Igreja Particular”. Chego até vocês com o coração aberto e com grande respeito pela história e pelas pessoas que são responsáveis pelo dinamismo, pela vitalidade, pelo testemunho e pela santidade de nossa Igreja Diocesana. Coloco-me no meio de vocês “como aquele que serve”.

Olhando o mundo que nos cerca percebe-se que vivemos um tempo de instabilidade, incertezas, insegurança. Ao mesmo tempo, como cristãos, precisamos lutar contra qualquer tentação de retrocesso, de medo, de desanimo frente aos desafios e às urgências da missão da Igreja no mundo de hoje. Papa Francisco nos convoca para uma igreja em saída, comprometida com o Evangelho de Jesus Cristo.

Temos o desafio caminhar juntos (sinodalidade) enquanto peregrinamos pelos caminhos da história; criando novas relações no interior da Igreja inspiradas no princípio da comunhão e participação de todos os membros do Povo de Deus; 

Na “qualidade de servo e pastor, convido a todos para sermos uma Igreja que celebra os mistérios de Cristo, isto é, os Sacramentos, com profundo respeito e consciência de que “nos sacramentos toma forma e corpo a Palavra da Salvação e Jesus se encontra com o homem em um modo que é totalmente humano” (Walter Kasper, Il Futuro dellaForzadel Concilio, p. 81).

Iluminados pela Sagrada Escritura e os documentos da Igreja, convido a todos a percorrer um caminho de vida e salvação, ser uma Igreja viva, de pé e comprometida.

Uma Igreja:

Que anuncia o Evangelho com a consciência de que “evangelizar não é um ato individual e isolado, mas profundamente eclesial, um ato da Igreja” (Evangelii Nuntiandi, 60)

Que acredita e promove a formação dos seus membros para que todos possam compreender em profundidade a própria fé e responder a quem pede uma palavra sobre a esperança que nos faz cristãos. (Cfr. 1Pe. 3, 15).

Que reflete o esplendor de sua beleza na santidade de seus membros e na transparência de suas estruturas;

Que, a exemplo do bom samaritano, não teme parar diante daquele que se encontra ferido, excluído ou marginalizado.

Comprometida em realizar a passagem de uma “pastoral de conservação a uma pastoral decididamente missionária” assumindo as exigências da missão e o empenho de “sair da própria comodidade e ter a coragem de ir ao encontro de todas as periferias que necessitam da luz do Evangelho. (Cfr. EG. 25, 20).

Que caminha em comunhão e segue o compasso da Igreja do Brasil em sintonia com Conferência Episcopal, que respeita os percursos pastorais aprovados, especialmente as Diretrizes da Ação Evangelizadora, encarnando-as na sua própria realidade;

Que conta com a presença da Virgem Maria. Porque sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura, do vigor e do afeto”. (EG 288).

Que cuida, apóia e acompanha as vocações. Precisamos cultivar e alimentar em nosso meio uma cultura vocacional. Creio que, em nossa Diocese, teremos muitas vocações à vida religiosa e sacerdotal. Vamos rezar pelas vocações, apresentar nossa forma de vida e acompanhá-los no discernimento.  Vamos valorizar todas as vocações (sacerdotal, religiosa, leiga, matrimonial). Assim seremos uma igreja ministerial.

Antes de finalizar, recordo que estamos vivendo o terceiro domingo do advento. Domingo da alegria. Tempo da feliz espera do Deus Menino. O Evangelho que ouvimos é um convite para nos abrirmos a Jesus. João estava batizando com água, mas ele mesmo disse: “aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu, Ele vos batizará no Espírito Santo”. Permitamos que esse Espírito nos conduza!

“Que nada nos tire a alegria, que nada nos tire a paz, que nada nos tire a esperança”! (Papa Francisco)

Usando as palavras de Francisco de Assis concluo cantando: Senhor, que queres que eu faça? Senhor, que queres de mim? Mostra-me os teus caminhos, Senhor, que queres de mim?

  Bagé, 16/12/2018.

+ Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco

 

* Contribui na Coordenação Diocesana da Pastoral da Juventude de Bagé e Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ).

** Assessora da Pastoral da Juventude e Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).