Coordenador do ICPJ participa de Greve de Fome por democracia e respeito à constituição

6 de agosto de 2018

Por Marcos Antônio Corbari

 

Foto: Adilvane Spezia

Desde o dia 31 de julho um grupo composto por quatro homens e duas mulheres – todos ligados a movimentos sociais – se colocou em Greve de Fome, por justiça no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre eles está o frei franciscano Sérgio Görgen, coordenador do Instituto Cultural Padre Josimo, que, junto de seus camaradas, está propondo essa ação extrema para defender uma pauta que contempla denúncias e reivindicações, assim como registra a indignação por uma série de fatores.

– A força moral de uma Greve de Fome se afirma e se justifica, para quem a faz e para a sociedade, pela justeza de sua causa -, explica frei Sérgio. “É um ato extremo para situações extremas, quando outros métodos de persuasão já não fazem o efeito desejado para sanar uma injustiça flagrante de amplas consequências”, acrescenta o franciscano, destacando entre os pontos de pauta defendidos pelos grevistas a situação que o governo que assumiu após o golpe jurídico-parlamentar levou o país, especialmente no que diz respeito à volta ao mapa da fome e ao completo desrespeito à Constituição por parte das instâncias do Poder Judiciário.

Entre os pontos destacados está a volta da fome, o sofrimento e o abandono dos mais pobres, o aumento da violência, a situação dos doentes, a volta das epidemias e a mortalidade de crianças. O manifesto emitido pelos grevistas registra ainda a denúncias referentes a situação da educação – que deixa a juventude sem perspectiva de vida; a volta da carestia, preço do gás, preço da comida, dos combustíveis; a destruição da soberania, a entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro – Amazônia, terra, petróleo, energia, biodiversidade, água, minérios e empresas públicas essenciais a geração de emprego e bem estar do povo.

O documento ainda destaca a indignação e recusam-se em aceitar o sacrifício anunciado de duas gerações – as crianças e os jovens –, assim como defende o que o povo escolha livremente, pelo voto, o direito de decidir seu próprio destino, elegendo seu Presidente. Pedem pela volta da plenitude da democracia e a plena vigência da Constituição Federal. Por fim, o documento registra o apelo ao Supremo Tribunal Federal pelo fim das condenações sem crime, das prisões ilegais sem amparo na Constituição e da libertação do Presidente Lula para que possa ser votado pelo povo brasileiro.

Esta é a quinta vez que Görgen participa de uma Greve de Fome, a segunda em menos de um ano. Da última vez o ato foi praticado com foco específico no enfrentamento da Reforma da Previdência, quando o religioso fez uma avaliação com enfoque espiritual para além do sentido prático da luta e resistência: “Para mim, pessoalmente, uma Greve de Fome é também um jejum espiritual”, explicou. A reflexão social, porém, mais uma vez evoca o sentido de que o gesto deve ser interpretado e compreendido pelas massas e, a partir da mobilização social os pontos de pauta dos grevistas de fome podem ser alcançados. “Gestos simbólicos podem ser importantes, mas a verdadeira esperança de mudanças profundas no Brasil só virão com a organização popular e com o povo tomando as ruas”, acrescenta. “Trabalho de base e formação continuam insubstituíveis e nos darão musculatura para tomar as ruas de forma organizada e firme e apontar horizontes de esperança para o povo brasileiro”.