Bagé: Assembleia Diocesana coloca ação missionária em pauta

30 de novembro de 2019

Representantes de paróquias de toda diocese estiveram reunidos por dois dias

 

Realizada nas dependências do sede do Instituto Diocesano de Pastoral São José, em Bagé, nos dias 29 e 30 de novembro, a Assembleia Diocesana da Ação Missionária colocou em debate os rumos da igreja nas 16 paróquias e 12 municípios que compõem a região de abrangência da diocese. Cerca de 100 pessoas – entre religiosos, religiosas, agentes pastorais, leigos e leigas – participaram das atividades que centraram-se em momentos de formação, reflexão, debate e oração.

Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco ressaltou os principais objetivos e desafios que se descortinam frente à Igreja Católica na região e pontuou os rumos que deverão nortear as ações previstas para o próximo triênio, período no qual se desenvolverá o planejamento detalhado durante a Assembleia.

– Nós estamos em uma caminha jubilar, são 60 anos de nossa diocese, e nas avaliações que temos feito notamos muitas coisas a serem celebradas, coisas boas e bonitas que foram realizadas nessa caminhada -, afirmou. Para exemplificar o bispo diocesano, que está em vésperas de completar o primeiro ano de atividade frente a diocese de Bagé, relembrou as palavras que compões o lema do jubileu: “Gratidão” (pelo passado, pela história e por tudo o que foi construído), “Gratidão” (com o presente, pelo fato de ser uma igreja interativa com a sociedade e com o mundo, sinal visível do reino de Deus); “Esperança” (motivados pelo Papa Francisco, são pessoas esperançosas que vivem e anunciam a proposta de Jesus Cristo em todos os tempos).

A respeito do que é preciso melhorar e do que ainda se tem para construir, Dom Frei Cleonir foi pontual: “Como diocese sentimos que precisamos crescer ainda mais na Comunhão, na unidade, nos ensinamentos e motivações que o Papa Francisco nos desafia a cada momento, de ser uma igreja que caminha junto”. Para ele está claro que para além das coisas boas e bonitas que aconteceram no passado e que ainda estão acontecendo no presente, “o desafio é seguir unidos, fortalecendo a caminhada com os carismas, com os dons e talentos que cada um e que cada comunidade tem”.

A integração com a Igreja no Brasil também desperta a atenção do bispo diocesano de Bagé. “Agora vamos trabalhar e assumir em comunhão com a igreja no Brasil, com a CNBB, as diretrizes gerais da ação evangelizadora, alicerçadas em quatro pilares que são: 1) A palavra (sustento e alimento para o trabalho); 2) O pão (abordagem da dimensão litúrgica); 3) Caridade (compromisso com todos que estão à margem da sociedade); 4) Missão (sejamos todos missionários, a exemplo das primeiras comunidades cristãs”. Segundo Dom Frei Cleonir, esses são os pilares que para a Igreja Diocesana desenvolva um compromisso e aceite um desafio permanente nesse tempo em que estamos vivendo.

– O grande projeto do Papa Francisco é uma igreja missionária, uma igreja de saída, que vai ao encontro daqueles que mais precisam, uma igreja misericordiosa, que cuida da fraternidade e da vida -, pontuou Dom Frei Cleonir. “É uma igreja católica fortalecida e animada pelo Papa Francisco e assumida por todos nós bispos, padres, religiosos, religiosas e com nosso querido povo”, concluiu.

 

Reflexão

Abordando o tema “Ser Igreja no tempo atual”, Frei Frei Wilson Dallagnol, OFMCap, coordenou as reflexões durante o primeiro dia da Assembleia. Falando à reportagem, destacou pontos estratégicos e sugeriu rumos de ação concreta para a Igreja Católica frente os desafios comunitários e as turbulências sociais do tempo atual.

– Em primeiro lugar para que uma ação seja de fato missionária precisa toda a igreja se dispor a criar um clima favorável, que conscientize essa necessidade de ir ao encontro das pessoas aonde elas estão, um clima interno favorável à saída, à ser capaz de ir além do tempo -, explicou. Em segundo lugar Frei Wilson destaca a necessidade de capacitação: “Precisamos estar preparados para o que vamos enfrentar quando em missão, para tudo aquilo o que se vamos encontrar quando chegarmos aos ambientes de exclusão social, de extrema pobreza e miséria”. Ainda na abordagem do segundo ponto, Dallagnol acrescenta que  é preciso estar preparado, por exemplo, para quando se encontrar com uma família que esteja por algum motivo magoada e ausente da igreja, a enfrentar as diferentes realidades, até mesmo algum possível adversário do projeto de Deus. Capacitar as pessoas para enfrentar as diferentes realidades.

Em terceiro lugar, conforme aponta, é preciso ter um plano de ação que defina o que fazer em cada etapa do trabalho: “Eu vejo sinais concretos de que o Papa Francisco está conseguindo construir uma Igreja de portas abertas. O Papa tem muito claro o seu projeto missionário e a partir disso está formando os seus bispos e cardeais para tomar esse caminho”. Dallanhol garante que o Papa Francisco está conseguindo animar a igreja, tanto quando tem encontro de massa quando em atividades específicas. Citou o encontro com os movimentos sociais, o Dia do Pobre e as viagens pastorais como as que fez na África e na Ásia.

O encerramento da Assembleia Diocesana da Ação Missionária está previsto para a tarde deste sábado, 20, com os representantes de cada paróquia retornando ao seu meio para ampliar a rede de alcance das informações compartilhadas durante os dois dias de trabalho em Bagé.

 

Texto e fotos: Marcos Antonio Corbari / ICPJ