Mensagem dos Franciscanos do Rio Grande do Sul aos Leigos e Leigas, admiradores de Francisco de Clara de Assis

17 de junho de 2018
Autor
Frei Inácio Dellazari

 

Frei Inácio Dellazari*

Publicado originalmente em franciscanos-rs.org.br

 

Como Provincial dos Franciscanos do Rio Grande do Sul, em nome de todos os freis da Província São Francisco de Assis, dirijo esta mensagem a vocês, leigas e leigos que atuam em nossas presenças, sejam elas Paróquias, Redes de Comunidades, Pastorais Específicas, Movimentos Populares, Capelanias e outras formas de presença na Igreja e na Sociedade.

Vocês, leigas e leigos, são a base e a esperança de uma Igreja solidária, fraterna, acolhedora, misericordiosa, missionária, seguidora do Evangelho de Jesus de Nazaré. Como diz nosso querido Papa Francisco, uma Igreja em saída, que vai ao encontro dos que mais precisam. Queremos construir uma caminhada cada vez mais próxima e mais integrada com vocês.

Os freis franciscanos da Província do Rio Grande do Sul, chamados a uma vocação de dedicação integral e radical a este Evangelho do jeito de São Francisco de Assis, temos compromisso muito especial com vocês.

Um compromisso de ouvir leigos e leigas, compartilhar nossa forma de vida, assumir juntos a missão de viver o Evangelho e evangelizar e participar de nossas decisões.

Recordo que Francisco de Assis iniciou sua caminhada e seu movimento de seguimento radical a Jesus como leigo. E milhares de leigos, de modo especial, pobres e abandonados pela sociedade da época, se juntaram ao redor dele. Quando o chamado de Deus ficou mais claro, construiu com seus seguidores uma Vida Religiosa diferente, itinerante, missionária, desapegada dos bens materiais, fraterna, orante e solidária com os pobres, com os freis inseridos no mundo, com as irmãs de Santa Clara, tornando-se referência de fé e amor para as comunidades, com o apoio dos leigos da Ordem Franciscana Secular, com suas vidas transformadas pelo Evangelho. E a partir do Evangelho vivido, estes leigos transformavam suas famílias, as comunidades e a sociedade em vista do amor, da solidariedade com os pobres, da fraternidade e da fé em Deus.

Foi por isso que realizamos o Sínodo Missionário Franciscano com leigas e leigos, em nossas presenças. Em 2016, o Sínodo foi etapa em nível estadual; o de 2017 foi em nível regional, com quatro encontros regionais. Os debates e, depois, as conclusões foram muito desafiadoras e nós, freis, estamos refletindo sobre elas e queremos compartilhar com vocês o que foi dito e debatido nos encontros do Sínodo.

Um primeiro ponto positivo, que podemos destacar na realização dos Sínodos, foi a seriedade e consciência das lideranças nas respostas e colocações em relação ao nosso jeito de viver, ao nosso carisma. A disposição em ser parceiros dos freis na evangelização e nos trabalhos. O ponto negativo é que nossa presença ainda tem muito a melhorar, uma vez que nossa evangelização está bastante reduzida ao âmbito eclesial interno das nossas comunidades.

Durante os Sínodos foi proposto aos leigos, em grupo, debater as seguintes questões:

– Que marcas destacamos no jeito franciscano de evangelizar, na atuação dos freis, e como os leigos podem contribuir nessa missão?

– Que desafios, alegrias e lacunas identificamos na evangelização franciscana?

– Que sugestões temos para a espiritualidade, formação, missão e trabalho em parceria em nossas presenças?  

 

1 – Marcas na atuação dos freis.

Fraternos, simplicidade, humildade, próximos do povo, acolhedores, alegres, convivência familiar, boa interação, preocupam-se em renovar as lideranças, retorno dos jovens, busca de parcerias para a evangelização, desapego com os bens materiais, ecumenismo e dialogo inter-religioso, apoio à JUFRA e OFS, trabalho com a juventude, facilidade no diálogo, misericórdia, caridade, vão ao encontro dos pobres, pastorais de fronteira (AIDS, Carcerária, Pastoral da Terra), movimentos Sociais, política, ecologia, proximidade com os pobres.

 

  • – Protagonismo dos leigos na Missão

 

Alegrias:

Os freis junto ao povo, pastorais sociais, cuidado com alimentos, cuidado com as crianças, ordenações e profissões com celebrações vivas, JUFRA, OFS, celebrações ecumênicas.

 

Desafios:

Desafio de capacitar mais os leigos, dando mais abertura e acolhida ao novo e ao povo; não esperar tudo dos freis, tendo mais iniciativa e protagonismo; necessidade de os freis confiarem mais nos leigos e delegar, planejar em conjunto; investir na evangelização dos condomínios; missão Franciscana para os leigos como tem para os jovens; trabalho missionário com mais integração entre freis e leigos; formar leigos assessores para as comunidades; ouvir os leigos nas decisões que a Província; trabalhar mais com as juventudes e as famílias; lideranças antigas não dão espaço ao novo; vocações;  comunidades paradas e não em saída; pastoral da visitação e escuta; divulgar mais os trabalhos franciscanos;  valorizar mais a vida dos seminaristas;  formação para os leigos; falta de conhecimento da espiritualidade franciscana; poucos freis e alguns com limitações físicas; leigos participar mais das questões administrativas; investir nos jovens após sacramentos; investir na evangelização das mídias e internet; freis sobrecarregados, sem tempo para atender o povo; renovar as lideranças; fortalecer o papel da mulher; necessidade de mais Intercâmbios entre as presenças; constata-se uma diminuição dos trabalhos com Pastorais Sociais, AIDS, dependentes químicos; necessidade de maior sintonia entre os freis na troca de nomeações paroquiais.

 

3 – Sugestões

 

Para a Formação: Estudos sobre a vida de São Francisco e Santa Clara (seus escritos); explicação dos símbolos religiosos (entender a missa, liturgia); formação Bíblica e sacramental; formação de catequistas; retiros franciscanos; cantos franciscanos; ecologia; leitura orante da Bíblia; grupos de família.

 

Para a Missão: Investir na acolhida dos novos moradores abrindo as portas da comunidade; criar relação de amizade com os fiéis, valorizar as pessoas, visitar mais as famílias; acolhida aos pobres, excluídos e migrantes; doação de si e não apenas coisas materiais; a caridade não tem religião; solidariedade entre as paróquias.

 

Para a Espiritualidade: apresentar mais a espiritualidade de São Francisco e Santa Clara; uma espiritualidade aberta a todas as criaturas e que saiba acolher outras crenças; espiritualidade inserida e não alienada; espiritualidade profética como São Francisco; espiritualidade ecológica; usar mais o hábito franciscano. 

 

Conclusão

Nós, franciscanos do RS, querendo qualificar nossa vida e missão, realizamos o Sínodo Missionário Franciscano com  objetivo muito claro: ouvir-escutar os leigos e leigas em nossas presença, para discernir e agir na sinodalidade. Isso nós fizemos em nível estadual e regional. Não queremos ser Igreja Clericalista, mas Povo de Deus, onde todos os ministérios sejam valorizados. Damos um passo graças à participação de um número significativo de pessoas e de contribuições muito importantes. Que essa iniciativa nos ajude a sonhar mais na busca da restauração da Igreja, sonhada por São Francisco e Santa Clara de Assis.

 

Frei Inácio Dellazari é frade franciscano e Ministro Provincial no RS.