Artigo

Júlio Lázaro Torma | Romeiros e romeiras da Terra Sem Males

Júlio Lázaro Torma*

 
Júlio Lázaro Torma*
 
“Alegrei- me quando me disseram: “Vamos a casa de IHWH””  ( Sl 122( 121);1)
 
Este é o sentimento de milhares de romeiros e romeiras da Irmã e Mãe Terra. Que dos quatro cantos do estado do Rio Grande do Sul, no feriado de Terça feira de Carnaval 17 de Fevereiro de 2026.
Durante o Ano Jubilar Missioneiro, dos 400 anos de Evangelização Missioneira. Da chegada do Padre Roque González de Santa Cruz ( SJ),chega as margens esquerda do Rio Uruguay.
Estivemos no território Sagrado de Caaró, onde tombaram e derramaram seu sangue os mártires Roque González, Alfonso Rodriguez e Juan del Castillo. Junto do sangue de Sepé Tiarajú dos seus companheiros guaranis e os mártires da terra de ontem e de hoje.
A Romaria da Terra, teve como tema: ” 400 anos de Evangelização Missioneira Terra Sem Males e Ecologia Integral”.
Com Clima de encontro, reencontro, festa, confraternização,amizade,alegria e acolhida entre os participantes. Fomos acolhidos desde as 5 horas da manhã,desde a BR 285.
Teve o momento de abertura e acolhida em frente ao Santuário, com presença de autoridades eclesiásticas e políticas. Dom Liro Vendelino Meurer ( Bispo da Diocese de Santo Ângelo), Pe. Anderson  Rabelo ( SJ) ( Reitor da Paróquia de Todos os Santos, Santuário de Caaró) e a comunidade Jesuítica e o prefeito de Caibaté Daniel Herz ( PP).
Após acolhida foi feita uma caminhada pelo bosque do Santuário. Onde foi pedido perdão aos povos guaranis,pelo extermínio e pelas violências cometidas ao longo do processo colonial. Como também ainda estão submetidos em nossos dias.
Durante a caminhada fizemos quatro paradas ao redor do Santuário.
 
A PRIMEIRA PARADA foi dedicada a Mãe Terra, as povos indígenas e a natureza.( organizada pelo povo Guarani e Conselho Indígena Missionário ( CIMI)).
Onde reconhecemo que a terra era habitada e cuidada pelos povos guaranis em território missioneiro há muitos séculos,antes da chegada dos europeus ( portugueses e espanhóis). Foi mostrado a  cosmovisão  e espiritualidade guarani e o seu cuidado pela casa comum.
 
A SEGUNDA PARADA foi conduzido pelo simbolo de Nossa Senhora ( Organizada pelas Comunidade Eclesiais de Base das Dioceses de Uruguaiana e Bagé)
Recordaram a História das reduções jesuíticas, lembrando a reflexão sobre o cuidado com a água,que é direito de todos nós. A estação relacionou a fé e religiosidade popular e justiça social. Água é bem comum não pode ser transformada em mercadoria. A Fé em Nossa Senhora deve estar associada à proteção a vida e a defesa dos bens naturais.
 
TERCEIRA PARADA ( Organizada pelas províncias dos Franciscanos e Capuchinhos ( RS)), lembramos o Ano Jubilar Franciscano dos 800 anos do Trânsito de São Francisco de Assis, reflexão inspirada na espiritualidade franciscana e ecologia integral. Houve a oração de São Francisco de Assis.Invocamos a fraternidade universal e o cuidado com todas as criaturas.
Lembramos o legado do Frei Sérgio Antônio Görgen ( Franciscano) e seu compromisso com a terra,água e em defesa dos sem terra, camponeses e povos originários. Do compromisso de seguirmos o seu legado de vida.
 
QUARTA PARADA E ÚLTIMA,apontou o futuro e o presente. Com foco a resistência indígena e camponesa e na responsabilidade coletiva diante as mudanças climáticas.
Durante a caminhada, símbolos religiosos,elementos da espiritualidade indigena e as cruzes missioneira e da romaria da terra foram conduzidos pelos romeiros e romeiras.
Foi celebrada a Missa campal no bosque, concelebrada por Dom Liro Vendelino Meurer ( Santo Ângelo), Dom Clesio Facco, SAC( Uruguaiana), Dom Jaime Pedro Kohl ( Osório),Dom Cleonir Paulo Dalbosco (Bagé) e Pe. Anderson Rabelo ( SJ) e demais presbíteros presentes.
 
A LITURGIA DA PALAVRA foi Isaías 55, 10-11; Mt 5,1-12.
Onde Dom Liro, ressaltou o legado do povo guarani e a vida comunitária nas reduções jesuitisas-guaranis. Verdadeiro modelo de uma sociedade sem desigualdades e pobreza. ressaltou que “O ser humano precisa viver em equilíbrio com a natureza e com os irmãos, superar o pensamento meramente exploratório e viver de forma consciente,sem gerar a destruição dos recursos naturais”.
 
Na parte da tarde, tivemos a tribuna popular com apresentações artísticas e culturais. E vozes contra a pandemia de feminicídios,que tem se alastrado no estado do Rio Grande do Sul, nos últimos dias. Que foi denunciado por mulheres representantes das pastorais sociais, cáritas e movimentos sociais populares do campo e da cidade.
No final da Romaria fizemos uma justa homenagem a memória do Frei Sérgio Görgen, lembrando dele, da sua amizade,legado, participação nas romarias e o compromisso de plantar árvores e sementes em sua memória. Perpetuar o seu legado entre nós.
Foi plantado no chão sagrado de Caaró, uma muda de árvore. Que sera também plantada em cada comunidade rural ( capelas, propriedades) e nas periferias urbanas ( capelas, pátios, parques,praças).
Momento em que reuniu romeiros e romeiras, lideranças religiosas e populares, dos movimentos sociais populares do campo e da cidade. Momento em que como romeiros pedimos perdão, reparação as violências e genocídios submetidos os povos guaranis,charruas,kaigang. Que sejam garantidos os seus direitos,devolvidas suas terras e demarcações de suas terras.
Depois do chão sagrado a ” Tenda do Senhor”, peregrina ao litoral norte, para a Diocese de Osório em 2027.
Caminhemos como Peregrinos e Peregrinas da Esperança, rumo aos 50 anos de Romaria da Terra.Em busca da  Terra Sem Males e da Ecologia Integral.
 

* Romeiro da Terra, participa desde 1991.Estando na sua 34ª Romaria da Terra.

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