Artigo | Se não plantar agora, a fome virá em seguida Facebook Twitter WhatsApp

15 de maio de 2020
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O Brasil está de volta ao Mapa da Fome. Todo um esforço de quatorze anos, que tanto nos enchia de orgulho, foi jogado por terra em quatro anos de destruição das políticas públicas de apoio à produção camponesa.

Não há produção de alimentos e abastecimento popular em larga escala, em qualquer lugar do mundo, sem apoio do Governo, sem políticas fortes do Estado. E os governos Temer e Bolsonaro só tiveram e têm políticas para os grandes produtores do agronegócio. E os grandes latifundiários não produzem os alimentos que vão todos os dias às mesas do povo brasileiro. De que adiantam milhões de toneladas de grãos de soja exportadas se brasileiros e brasileiras morrem de fome ou comem mal todos os dias?

A inflação dos alimentos já bate à porta de muitos lares. E a situação pode se agravar em 2021 se não houver apoio sólido e consistente para que as famílias que produzem alimentos tenham condições de plantar e cultivar ainda agora, em 2020, começando em junho. Plantar agora para colher em 2021. Não plantando em 2020, haverá crise de abastecimento e preços altos de alimentos em 2021. Até a Organização das Nações Unidas (ONU) e as grandes transnacionais do agronegócio já fizeram este alerta.

Caso isto não aconteça – e há grande chance de não acontecer se ficar só nas mãos do genocida que governa o país – além das milhares de mortes evitáveis, do desemprego em massa, da falência da economia popular, o governo desastroso de Bolsonaro estará provocando desabastecimento de gêneros alimentícios e fome.

Por isto a Plataforma Emergencial dos Povos do Campo, das Florestas e das Águas para a produção de alimentos saudáveis e abastecimento popular vem em boa hora e deve se tornar uma proposta para envolver e mobilizar toda a sociedade e disputar na Câmara e no Senado recursos e instrumentos para viabilizá-la. É a contribuição dos Movimentos do Campo, dispostos a produzir alimentos saudáveis e diversificados para evitar o desastre da fome nos grandes centros urbanos.

Temos afirmado na Plataforma, que é ampla e diversa, a necessidade de um Plano Safra Emergencial com destaque a um Crédito Fomento Solidário de até R$ 5.000,00, sem retorno, para os mais pobres do campo produzir seu próprio alimento e fornecer para os moradores das pequenas cidades do interior; um crédito emergencial, com rebates e condições especiais, de até R$ 20.000,00, para estimular a produção de alimentos em larga escala; solução do endividamentos das famílias, das cooperativas e associações da agricultura familiar, assentados, pescadores  e povos tradicionais com moratória, rebates, prorrogações ou anistia, conforme o caso; retomada do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), para garantir que a produção do agricultor chegue até os mais pobres das cidades.

A Via Campesina convoca para a luta contra o vírus e contra a fome. Quem alimenta o Brasil, exige respeito.

 

Frei Sérgio Görgen

Dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores e Via Campesina

Autor de “Trincheiras da Resistência Camponesa”

 


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