Artigo | O que não se vê no governo Bolsonaro

7 de abril de 2020
Autor
Alceu Van Der Sand

Alceu van der Sand

Na política, governantes gostam muito de traçar analogias com os processos de gestão e o mais popular dos nossos esportes, o futebol. Falam em time unido, cada um cumprindo sua função e o técnico com o comando da equipe.

Este não parece ser o caso do governo Bolsonaro. Para uma reflexão simples, tomemos a produção de alimentos em tempos de pandemia. Enfim, o Ministério da Agricultura parece ser um jogador importante do time. Até o presente momento não ouvi, ou li, nenhuma palavra sobre segurança alimentar.  Nem do ministério da agricultura, da casa civil ou mesmo do homem que faz jejum. Dele não já não se esperava. Com grande grau de certeza nem, sabe o que é isso.

 Tomo como exemplo inicial o Trigo. Cereal que desde os tempos bíblicos é sinônimo de combate à fome. O Rio Grande do Sul é o estado da federação que tem a maior aptidão para o cultivo de trigo. Temos tecnologia, temos produtores que sabem faze-lo. Estamos em meio a uma seca que causou e vem causando enormes prejuízos e dificuldades de abastecimento. O cultivo de trigo poderia ser uma alternativa para a cultura de inverno. Importamos imensas quantidades de trigo, a preços de dólar valorizado.

Que tal, que de forma emergencial o governo lançasse uma política de incentivo ao cultivo do produto. Até os pombos que habitam os nossos armazéns conhecem as alternativas que podem ser tomadas. A política de incentivo ao trigo tem uma longa história de erros acertos no Brasil. Mas não, nada se fala, e pior, se faz. Mas por favor, que se distribuam sementes aos nossos pequenos agricultores para que tenham o seu próprio produto. Na pior das hipóteses, se a qualidade for ruim, temos como alimentar os animais. Afinal, milho não colhemos.

A mesma questão passa pelo leite. Estamos ingressando na entressafra, a seca judiando os produtores. A Europa pode nos ensinar anos de políticas de apoio a produção leiteira. Não se ouve, não lê nada a respeito.

Incrível, mas no ano que passou importamos 150 mil toneladas de feijão da China e da Argentina.  Existe produto mais típico da agricultura familiar do que o feijão? Vamos seguir a mercê do tal mercado? Nenhuma palavra se ouve.

Qual é o problema de subsidiarmos a produção de alimentos? Pode ser que seja uma heresia liberal. Pachamama (aqui entendida como mãe terra) há séculos vem nos avisando que os cuidados para com ela passam por cuidados da nação e dos seus. Não passa pelo tal mercado.

O que nos espera é uma crise econômica que traz no seu bojo a fome. O que infelizmente será a sua faceta mais cruel. E o governo? Que governo? Uns culpam, a China, outros fazem jejum. Tem um que não faz jejum porque não sabe se a palavra se escreve com “g” ou com “j”. Triste.