INSTITUTO CULTURAL PADRE JOSIMO
PROGRAMA REVISTA DE RÁDIO
Produção e apresentação: Frei João Osmar
667º programa: 28 de maio de 2026:
1 -Resenha: No programa de hoje vamos tratar sobre um tema muito importante para todos e todas os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, que é a redução da jornada de trabalho sem corte salarial. Há diversas propostas em debate no Congresso Nacional pelo fim da escala 6X1 e a diminuição da carga horária de 44h para 40h semanais. Essa semana tem sido decisiva para os acordos e a aprovação da proposta, que já passou na Comissão Especial da Câmara e agora segue para o Plenário. Sigo aqui material publicado no site do jornal Brasil de fato RS no dia 25 de maio, cujo link coloco a seguir para quem quiser ter acesso ao material completo. Ato em Porto Alegre cobra fim da escala 6×1 e redução da jornada sem corte salarial | Brasil de Fato
Cerca de mil pessoas participaram, no domingo (24), de um ato pelo fim da escala 6×1 no Parque da Redenção, em Porto Alegre. Convocada pela Central Única dos Trabalhadores do RS (CUT/RS), pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no RS (CTB/RS) e por movimentos sociais, a mobilização teve início às 10h, no Monumento ao Expedicionário, conhecido como Arco da Redenção, e terminou com caminhada pela rua José Bonifácio, onde ocorre o Brique da Redenção. A manifestação em Porto Alegre integrou uma mobilização nacional pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem redução salarial, com atos convocados por centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares em diversas cidades. A pressão ocorre em meio à tramitação das propostas na Câmara dos Deputados, com previsão de apresentação de relatório e votação na comissão especial antes de uma possível análise em Plenário.
Semana decisiva: O presidente da CUT/RS, Amarildo Cenci, afirmou que a mobilização fez parte de um dia nacional de luta e de uma semana decisiva para o avanço da pauta. Segundo Cenci, centrais sindicais, movimentos sociais, organizações populares e partidos defendem que a redução da jornada seja aprovada sem adiamentos.“Nós queremos já. Não queremos para 2036. Vamos seguir durante a semana nas fábricas, nas ruas e em Brasília para alcançar uma vitória espetacular para a classe trabalhadora brasileira”, afirmou. O presidente da CTB/RS, Rodrigo Callais, afirmou que a defesa do fim da escala 6×1 é uma pauta histórica das centrais sindicais, mas ganhou força nos últimos tempos, especialmente entre a juventude trabalhadora. Callais também criticou propostas de transição ou compensação a empresários. “Na reforma trabalhista de 2017, mais de 100 direitos da classe trabalhadora foram retirados e não se discutiu nenhum tipo de compensação ou transação. Não é justo agora, quando a classe trabalhadora pode ter essa conquista, proporem dez anos de transição. A gente quer o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho imediatamente”, afirmou.
Juventude e territórios: A dirigente do Levante Popular da Juventude Juliana Bergmann relacionou a pauta à realidade dos jovens trabalhadores e criticou a resistência no Congresso Nacional à redução da jornada. Segundo Bergmann, a escala 6×1 impede o acesso ao estudo, ao lazer, à cultura e à convivência familiar. “Nós estamos aqui para defender o fim da 6×1, conquistar a 5×2 e garantir mais direitos para a classe trabalhadora. Para a juventude, é poder estudar, cuidar da saúde, cuidar da família e viver o que é ser jovem no Brasil hoje”, afirmou. Brunno Mattos, da União das Associações de Moradores de Porto Alegre (Uampa), afirmou que a campanha pelo fim da escala 6×1 precisa chegar aos territórios e às vilas, onde vivem os trabalhadores depois da jornada. Segundo Mattos, é preciso enfrentar o argumento de que a redução da jornada poderia prejudicar a economia. “Basta dessa escala que não deixa o nosso povo trabalhador viver. Basta dessa escala que não apresenta perspectiva para a nossa juventude. Quem quer que o pai e a mãe de família tenham tempo com os filhos somos nós. O nosso povo precisa ter direito a viver”, afirmou.
Pressão no Congresso: Em discurso, o deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS) lembrou que, na Assembleia Nacional Constituinte de 1988, os trabalhadores conquistaram a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Segundo Pimenta, a semana atual poderá se tornar histórica com a aprovação da redução para 40 horas. Para Pimenta, as mulheres estão entre as principais afetadas pela escala 6×1, por receberem salários menores e ocuparem algumas das funções mais pesadas. Muitas, disse, saem de casa antes de os filhos acordarem e retornam quando eles já estão dormindo. “Nunca têm a oportunidade de visitar a escola dos filhos. Nunca podem acompanhar um filho ou uma filha numa consulta numa unidade de saúde.” O domingo, acrescentou, acaba sendo usado para limpar a casa e cuidar da família. O deputado também defendeu vigilância da esquerda em todo o país durante a semana de votação. “Temos que derrotar estas emendas vergonhosas, como a que quer determinar que a escala cinco por dois só entre em vigor daqui a dez anos, depois de atender uma lista de exigências. Iremos ao presidente do Senado solicitar que Paulo Paim seja o relator da PEC 8/2025, que reduz a jornada de trabalho, e dê agilidade para votarmos antes da eleição”, disse.
Autora de uma das emendas em discussão, a deputada federal Daiana Santos (PCdoB/RS) afirmou que o que está em debate é a dignidade do povo. “Serão beneficiadas diretamente 37 milhões de pessoas com o fim dessa escala seis por um. Este é um compromisso que reafirmo. Apresentei este projeto, que é a maior parte do que está no relatório: das 40 horas, das duas folgas, sem nenhuma redução nos salários dos trabalhadores e trabalhadoras”, declarou. Santos também relacionou a pauta à realidade dos trabalhadores do comércio. “Por muito tempo trabalhei no comércio, nas ruas aqui em Porto Alegre. É por isso que reafirmo meu compromisso, colocando como centralidade a qualidade de vida do povo brasileiro. Precisamos manter a vigilância para pressionar os covardes que apresentaram estas emendas”, concluiu, em referência às propostas que adiam a redução da jornada. A deputada federal Fernanda Melchionna (Psol/RS) afirmou que esta será uma semana decisiva para a tramitação da proposta. “Sabemos que há uma articulação da extrema direita para que esta PEC não chegue ao plenário. Eles não querem votar porque é um ano eleitoral e precisam dos votos do povo para se eleger. Não tendo condição de votar contra, articularam esta emenda absurda, que propõe 52 horas semanais e uma transição de dez anos”, criticou. Segundo Melchionna, a proposta de transição busca alterar a correlação de forças para, mais adiante, revogar o fim da escala. A deputada citou ainda a repercussão negativa contra a emenda assinada pelo deputado federal Marcel van Hattem (Novo). “A mobilização dos trabalhadores foi tão forte que deputados que haviam apoiado começaram a retirar as assinaturas. Agora querem negociar a transição. Nós queremos 40 horas já. A redução da jornada sem redução de salários é uma vitória muito importante. Às vezes, a história anda rápido. Serão três dias”, afirmou.
2- Testemunho/entrevista: Hoje vamos ouvir o testemunho da representante do Ministério da Cultura, o MinC, no estado, Mari Martinez, e o coordenador do Comitê Gestor da Política Estadual Cultura Viva, André de Jesus. Mais de cinco milhões de brasileiros e brasileiras trabalham com cultura no país, gerando um produto de R$400 bilhões, o que significa quase 3% do PIB nacional. É o que informa o IBGE. São números muito expressivos, mas muita gente imagina como apenas os valores que os governos, especialmente o governo federal, aplicam no fomento da cultura. Nesta edição, mas centrado na Política de Cultura Viva que se preocupa com o apoio às atividades culturais que vêm da base, das iniciativas das comunidades, muitas vezes da periferia das cidades, mas também dos povos indígenas e quilombolas. Há um debate em curso sobre a garantia que o governo estadual deve, por lei, assegurar aos 749 pontos de cultura espalhados pelo Rio Grande do Sul. Podcast 143 de 8 de maio (parte I).
3- Música: Desgarrado, com Mário Barbará e Grupo Nascente; 4- Fotos da internet: Brasil de Fato: