
Papa alerta para que o futuro não seja entregue aos interesses do capital nem ao poder das corporações tecnológicas
Marcos Antonio Corbari | ICPJ
A nova encíclica do papa Papa Leão 14, publicada em 15 de maio e divulgada na manhã de 25, já no título anuncia sua principal mensagem. Magnifica Humanitas — expressão latina que pode ser traduzida como “A magnífica humanidade” ou “A grandeza da humanidade” — é um chamado a defender a dignidade humana diante das profundas transformações tecnológicas, econômicas e políticas do nosso tempo. E não por acaso chega justamente no ano em que a igreja celebra os 135 anos da histórica Rerum novarum, publicada por Papa Leão 13 em 1891.
Leão 14 faz um gesto semelhante. Se Leão 13 olhou para a fábrica e para a exploração do operariado industrial, o novo papa olha para o mundo da inteligência artificial, da economia digital e da concentração global do poder tecnológico. A pergunta central permanece a mesma: quem se beneficia do progresso e quem está pagando o preço dele? A encíclica é incisiva ao afirmar que a tecnologia não é neutra. Ela tem donos, interesses e efeitos sociais concretos. Ao denunciar o acúmulo de riqueza, dados e poder nas mãos de grandes corporações privadas, muitas vezes mais influentes do que governos nacionais, Leão 14 recoloca no centro um tema profundamente político: o poder econômico precisa ser submetido ao bem comum.
Por isso, o texto defende com clareza: controle público e social sobre a inteligência artificial; transparência algorítmica; distribuição equitativa dos benefícios tecnológicos; proteção ao trabalho diante da automação; combate às desigualdades estruturais; fortalecimento da democracia e da cooperação internacional. A encíclica também reafirma com força que a justiça social não pode vir “depois” do crescimento econômico. Ela precisa estar presente desde o início, nas escolhas produtivas, no financiamento e na distribuição da riqueza. A desigualdade não aparece como efeito colateral: é tratada como resultado de estruturas que precisam ser transformadas.
A mensagem é clara: o futuro não pode ser entregue aos interesses do capital nem ao poder sem controle das grandes corporações tecnológicas. A tarefa do nosso tempo é organizar a economia, a política e a inovação a serviço do povo, da justiça social e da dignidade humana.
Para ler a íntegra do documento, clique aqui e acesse via site da Sana Sé. A apresentação da nova Encíclica está disponível em vídeo no Youtube do Vatican News.
*Marcos Antonio Corbari é jornalista, comunicador popular e militante do MPA.
**Este é um artigo de opinião e não necessariamente expressa a linha editorial do ICPJ.