Artigo

Revista de Rádio Nº645 – 25 de dezembro de 2025

Publicado em 24 de dezembro de 2025

INSTITUTO CULTURAL PADRE JOSIMO 

PROGRAMA REVISTA DE RÁDIO

Produção e apresentação: Frei João Osmar

645º programa: 25 de dezembro de 2025:

1 -Resenha: No programa de hoje vamos tratar sobre o Natal Solidário e Sem Fome que acontece em Porto Alegre e Região Metropolitana neste mês de dezembro. A iniciativa mobiliza Cozinhas Solidárias, desperta solidariedade e organização comunitária e envolve moradores e movimentos sociais para levar alimentos e afeto às periferias. Sigo aqui material publicado no site do Brasil de Fato RS dia 24/12, cujo link coloco a seguir para quem quiser ter acesso ao material completo.  Natal Solidário e Sem Fome mobiliza cozinhas solidárias em Porto Alegre e região Metropolitana – Brasil de Fato

 O Natal Solidário e Sem Fome das Cozinhas Solidárias, realizado em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Levante Popular da Juventude e a Rede Mãos Solidárias, ocorre desde a primeira semana de dezembro de 2025 em Porto Alegre e na região Metropolitana. As ações se estendem ao longo dos finais de semana e envolvem festejos para as crianças, ceias comunitárias, distribuição de alimentos e atividades integradas às entregas de marmitas, unindo o direito à alimentação ao direito à alegria. Além de contribuírem na construção das atividades, os movimentos sociais também realizaram a doação de sucos da reforma agrária popular para cerca de 30 cozinhas solidárias da Capital e da região Metropolitana. A organização das celebrações tem sido construída coletivamente pelas voluntárias de cada cozinha, a partir de reuniões de núcleo, com a definição conjunta das datas. O processo busca evitar que as festas se sobreponham, especialmente entre cozinhas próximas, garantindo a participação das comunidades e possibilitando trocas de doações e apoio entre os territórios.

Para Lucas Gertz Monteiro, integrante da Rede Mãos Solidárias RS e da Cozinha Solidária da Vila Jardim, essas celebrações cumprem um papel político e social importante. “Os Natais Sem Fome e Solidários são um momento importante de reafirmar a solidariedade como uma bandeira de luta das periferias e dos movimentos sociais. Desde a pandemia temos realizado e construído ações de Natal, mas a partir de 2023 começamos a dar uma intencionalidade maior, construindo um processo que fuja do eventismo, mas seja um momento de envolver cozinhas solidárias, movimentos populares e comunidade”, afirma. Segundo ele, mesmo com o retorno do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Cozinha Solidária, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), os desafios persistem. “Nossas comunidades sofrem até hoje os impactos da pandemia. Ainda temos desafios na garantia da soberania alimentar e nutricional”, ressalta. Monteiro destaca ainda que as cozinhas são espaços que vão além da produção de refeições. “Festejar é preciso. As cozinhas solidárias são mais do que um espaço de produção e distribuição de marmitas. São uma ferramenta de transformação social e organização popular que garantem cidadania, acesso a direitos, políticas e acolhimento.”

“As famílias participaram com alegria, gratidão e entusiasmo, demonstrando o quanto a ceia de Natal solidária foi importante para fortalecer os laços comunitários, levar dignidade às mesas e proporcionar um momento de união, partilha e esperança”, relata. Peres enfatiza que o Natal Solidário nas cozinhas vai além da alimentação. “Ele garante comida de qualidade na mesa, especialmente para famílias em situação de vulnerabilidade, e reforça valores essenciais como solidariedade, partilha, acolhimento e dignidade. Mostra que a cozinha solidária é um espaço de resistência, amor e organização popular, onde ninguém é esquecido.” Localizada no bairro Coronel Aparício Borges, zona leste da capital gaúcha, fica a Cozinha Solidária Chácara do Primeiro. A coordenadora Vera Lucia Meneghetti relata que a comunidade recebeu a ação com carinho.

“Moramos numa comunidade periférica de Porto Alegre, onde sofremos com falta de água, transporte, escola, creche e posto de saúde. Temos mães solos, idosos e crianças que se alimentam duas vezes por semana na cozinha”, explica. Segundo Meneghetti, a programação inclui brincadeiras para as crianças, bolo, cachorro-quente, pipoca e suco durante a tarde. À noite, foi servida a janta com maionese, frango assado, salsichão, arroz e feijão, e uma roda de conversa reuniu as famílias. “A importância do Natal Sem Fome nas cozinhas é muito grande porque elas se sentem acolhidas, se sentem amadas. Não é só dar alimento, é oferecer um pouco de calor humano para famílias muito frágeis dentro da comunidade”, afirma.

No bairro Bom Jesus, a Cozinha Comunitária Nossa Senhora de Aparecida, coordenada por Maria Elisabeth Saldanha Vilela, conhecida como Tia Beth, realizou seu almoço especial no dia 20 de dezembro. A ação atendeu cerca de 300 pessoas em situação de extrema pobreza. “Buscamos garantir uma roupinha, um banho, um pratinho de comida, o brinquedo para as crianças na espera do Papai Noel. Trabalhamos muito para fazer o melhor”, relata. Para Tia Beth, o Natal é uma data central no trabalho da cozinha. “Minhas mulheres, minhas crianças e meu povo de rua muitas vezes não têm um prato de comida. Busco parcerias que nos apoiem para que possamos fazer o melhor para a comunidade”, destaca.

Já na Cozinha Solidária da Tia Grazi, localizada na no bairro Santa Teresa, a coordenadora Graziela de Lourdes Silva da Conceição reforça o papel dos espaços de alimentação popular no enfrentamento à fome. “Os Natais Sem Fome são uma grande ferramenta para combater a fome e levar alegria àqueles que não são lembrados nem por um minuto pelos órgãos gestores. Fazemos o papel deles”, afirma. De acordo com Conceição, o trabalho das cozinhas solidárias é fundamental não apenas no Natal, mas ao longo de todo o ano. “Nosso papel é essencial em todos os aspectos. O Natal Sem Fome da Tia Grazi acontecerá no dia 28 de dezembro”, informa.

2- Testemunho/entrevista: Hoje vamos ouvir o testemunho de Carol Santos (parte II) que é fundadora do Movimento Feminista Inclusivass, nos fala dos desafios das mulheres com deficiência dentro e fora das redes Capacitismo e questão de gênero ainda são pouco debatidos no país (primeira parte), conforme o Podcast De Fato do dia 05/12;

3- Música: Terno de Reis da Família Silva – Despedida;

4- Fotos da internet: Cozinhas Solidária – Brasil de Fato:

Áudio 1

Áudio 2

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