INSTITUTO CULTURAL PADRE JOSIMO
PROGRAMA REVISTA DE RÁDIO
Produção e apresentação: Frei João Osmar
471º programa: 25 de agosto de 2022:
1- Resenha:
Hoje vamos ler e comentar sobre a história das Semanas Sociais Brasileiras SSBs que acontecem no Brasil desde 1991 e que atualmente está em andamento a 6ª SSB. As informações são do site institucional da própria Semana Social Brasileira. Vejamos:
As Semanas Sociais Brasileiras são uma convocação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sócio Transformadora. É realizada de forma coletiva com as Pastorais Sociais, Igrejas Cristãs, Inter-religiões, Movimentos Populares, Associações, Sindicatos, e Entidades de Ensino, na pluralidade cultural e étnica do Brasil. A SSB articula as forças populares e intelectuais para o debate de questões sociopolíticas do país, para uma ação Sócio Transformadora.
A Semana Social Brasileira (SSB) é uma iniciativa realizada no Brasil desde 1991. Não é um evento isolado, ou uma ação no calendário, mas um processo. As SSB’s marcam práticas de mobilização popular e transformação social a partir de mutirões que impulsionam a construção de um Projeto Popular para o país. Tornam-se espaços de fortalecimento da democracia participativa e direta, pois fomentam o envolvimento dos setores em situação de maior vulnerabilidade socioeconômica à participação cidadã e à autoridade política, na garantia da igualdade de direitos das pessoas e da natureza.
Memória
6ª Semana Social Brasileira | 2020-2023
Mutirão pela Vida: Por Terra, Teto e Trabalho
A 6ª Semana Social Brasileira (6ªSSB) que, inicialmente planejou as ações presenciais entre 2020 e 2022, ampliou, em 2021, os processos dos Mutirões pela Vida até 2023. A crise gerada pela pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus e outros aspectos sociopolíticos, implicou nos processos de metodologia e dinâmica de formações propostas pela 6ªSSB nos temas: Terra, Teto e Trabalho; assim como nos eixos estruturais: Economia, Democracia e Soberania.
O objetivo imediato da 6ª SSB é sensibilizar a sociedade, mobilizar e articular forças sociais, fortalecer e multiplicar as lutas por direitos para desencadear novos processos de organização popular em torno do desafio/apelo/exigência maior de nosso tempo: “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem terra, nenhum trabalhador sem direitos, nenhuma pessoa sem a dignidade que provém do trabalho”, papa Francisco.
5ª Semana Social Brasileira – 2011-2013
Um novo Estado: Caminho para a Sociedade do Bem Viver
A 5ª Semana Social Brasileira apoiou a campanha de assinaturas, promovida pela Coalisão Democrática por uma reforma política e eleições limpas. 96 entidades se envolveram no processo, realizando aproximadamente 250 mutirões e possibilitando a articulação das pastorais sociais.
Apoiou ainda a convocação do referendo popular para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte e a campanha para a demarcação dos territórios dos povos indígenas, quilombolas e pescadores artesanais. Por fim, solicitou ao papa Francisco a convocação de evento internacional sobre a vida do planeta e no planeta. Debateu o Sumak Kawsay, o Bem Viver dos povos indígenas da região Andina, os Quétchua e os Aymará, com a ideia central de uma vida em: harmonia consigo mesmo, com as outras pessoas do mesmo grupo, com os diferentes grupos, com a Pachamama, a Mãe Terra e seus filhos e filhas, as outras espécies e com as realidades espirituais.
4ª Semana Social Brasileira | 2003-2005
Mutirão por um novo Brasil: Articulação das Forças Sociais para a Construção do Brasil que Queremos
A 4ª Semana Social Brasileira criou o Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental (FMCJS). A iniciativa promove o debate permanente com a sociedade sobre as questões socioambientais e demanda políticas públicas para a sustentabilidade ambiental e prevenção de desastres. A 4ª SSB promoveu, por exemplo, o referendo popular sobre a privatização da Companhia Vale do Rio Doce.
3ª Semana Social Brasileira | 1997-1999
Resgate das Dívidas Sociais: Justiça e Solidariedade na Construção de uma Sociedade Democrática
Da 3ª Semana Social Brasileira nasceu a Rede Jubileu Sul. A iniciativa fortaleceu a vida democrática participativa do país, com a organização popular no monitoramento da dívida externa. Nesse processo aconteceu o plebiscito popular contra a Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Ação que coletou dez milhões de assinaturas contrárias a este acordo. Nasceu também a Assembleia Popular, para criar mecanismos de discussões sobre questões sociais e articular as forças em defesa dos direitos civis e sociais.
2ª Semana Social Brasileira | 1993-1994
Brasil: Alternativas e Protagonistas
A 2ª Semana Social Brasileira possibilitou a Articulação do Semiárido (ASA), com o envolvimento de mais de 400 entidades que atuam no Semiárido brasileiro. Desde então, a ASA atua na incidência para gerar políticas públicas de convivência o bioma estigmatizado pela seca. Destaca-se como resultado desse processo, a campanha pela construção de um milhão de cisternas para o armazenamento da água da chuva, em um processo pedagógico de educação popular, por todo semiárido. Da 2ª SSB, nasceu também o Grito dos Excluídos que, desde então, mobiliza ações populares durante a Semana da Pátria, em setembro.
1ª Semana Social Brasileira | 1991
Mundo do trabalho: Desafios e perspectivas
A 1ª Semana Social Brasileira (1991), em sintonia com a Campanha da Fraternidade, que teve como tema: Fraternidade e o mundo do Trabalho, debateram os impactos das inovações tecnológicas à época e suas relações com o mundo do trabalho. Neste sentido, cresceram os processos de monitoramento das violações dos direitos civis e sociais para combater a escravidão e a precarização do trabalho. Em decorrência disso, como alternativa ao modelo de desenvolvimento, surgiram grupos de economia solidária apoiados pelos Sindicatos, e incentivados pela Cáritas Brasileira e Pastorais Sociais.
MISSÃO
Articular pessoas de boa vontade, famílias, igrejas, movimentos sociais e populares, e a sociedade brasileira mobilizadas em “Mutirão pela Vida”, construindo o Bem-viver sem desigualdades, discriminações e preconceitos, propondo e assumindo ações concretas para conquista da Terra, Teto e Trabalho para todas as pessoas, especialmente as mais pobres.
A 6ª SSB se inspira no discurso que o Papa fez na Bolívia, quando afirmou que a “solução para os grandes problemas do mundo virá dos pequenos, dos excluídos, pois estes se movem com outra lógica de vida”. É hora de arregaçar as mangas para construir o grande “mutirão pela vida”.
Para alcançar esse objetivo terá como eixos estruturais: a economia, a democracia e a soberania.
A “soberania”, enquanto possibilidade dos povos se decidirem seu presente e seu futuro, neste contexto de globalização que enfraquece os Estados Nacionais e desrespeitam a autodeterminação dos Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais no cuidado que têm com seus territórios tradicionais. Além de dimensões como a soberania alimentar e nutricional, de territórios livres de agrotóxicos e transgênicos, entre outras. Desenvolver o caráter da soberania popular.
A democracia, na garantia do respeito ao Estado Democrático de Direitos e aos direitos conquistados na Constituição Federal de 1988, que exigem deveres de todos à participação social e ao exercício da cidadania da população na tomada de decisões sobre temas que afetam sua vida e da nossa Mãe-Terra. Tem como horizonte a construção de uma sociedade sem discriminações e preconceitos, que caminhe para Paz, como fruto da justiça social.
A “economia” para enfrentar o modelo tecnocrático dominante (LS 101) que coloca a vida a serviço do lucro. Ao invés de o dinheiro servir, ele se serve dos bens universais e transforma tudo na lógica do consumismo. Tal padrão de produção e consumo revela o excesso de antropocentrismo (LS 116), denunciado na Encíclica Laudato Si, e submete o povo brasileiro ao sistema da dívida, que coloca em risco a vida da população, enquanto o sistema financeiro tem bilhões de lucros. Será uma oportunidade para demonstrar as inúmeras experiências da economia popular e solidária que se organizam em redes por todo o país.
Veja o texto na íntegra aqui: https://ssb.org.br/institucional/#historia
2- Testemunho/entrevista: Hoje vamos ouvir o testemunho de Rabeca Perez da Silva, nascida em Santana do Livramento, na Região da Fronteira do RS com a República Oriental do Uruguai em 1967. Atualmente mora no Bairro Restinga, em Porto Alegre. Sempre participou, e ainda participa, da vida de sua comunidade eclesial, desempenhando seu papel de “leiga” na Igreja, como ela mesma se define. Participou da Pastoral da Juventude, PJ, estudou em Congregação Religiosa e se envolveu em diversos movimentos de luta por direitos. Participa da Pastoral da Ecologia RS, desde os tempos do Irmão Antônio Cechin, na organização e realização da Romaria das Águas realizada no Delta do Jacuí, na Grande Porto Alegre. Integra o Movimento Laudato Si, de origem Católico Romano, porém, com forte atuação Ecumênica e Macro Ecumênica ao nível Global. No seu testemunho ela nos conta um pouco sobre sua vida, sua militância e nos deixa uma bela mensagem de esperança.
3- Música/Poesia: Louvor a Sepé Tiaraju, com Martin Coplas.
4- Fotos (arquivo pessoal da Rabeca):






