{"id":8530,"date":"2026-01-16T10:37:41","date_gmt":"2026-01-16T13:37:41","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=revista_radio&#038;p=8530"},"modified":"2026-01-16T10:37:41","modified_gmt":"2026-01-16T13:37:41","slug":"revista-de-radio-no648-15-de-janeiro-de-2026","status":"publish","type":"revista_radio","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/revista_radio\/revista-de-radio-no648-15-de-janeiro-de-2026\/","title":{"rendered":"Revista de R\u00e1dio N\u00ba648 &#8211; 15 de janeiro de 2026"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><b>INSTITUTO CULTURAL PADRE JOSIMO\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>PROGRAMA REVISTA DE R\u00c1DIO<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>Produ\u00e7\u00e3o e apresenta\u00e7\u00e3o: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Frei Jo\u00e3o Osmar<\/span><\/p>\n<p><b>648\u00ba programa: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">15 de janeiro de 2026:<\/span><\/p>\n<p><b>1 -Resenha: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">No programa de hoje vamos tratar sobre o estresse e os limites enfrentado pelos trabalhadores e trabalhadoras com as ondas de calor cada vez mais intensas e seguidas em nosso estado e no brasil como um todo. Movimentos Sociais e Sindicatos j\u00e1 se mobilizam para enfrentar tal situa\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 se tornou uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. Sigo aqui material publicado no site do Brasil de Fato RS no dia 15 de janeiro deste ano, cujo link coloco a seguir para quem quiser ter acesso ao material completo.\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/01\/15\/ondas-de-calor-levam-trabalhadores-e-trabalhadoras-ao-limite-e-entram-na-agenda-sindical\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Ondas de calor levam trabalhadores e trabalhadoras ao limite e entram na agenda sindical &#8211; Brasil de Fato<\/span><\/a><\/p>\n<h1><b>Ondas de calor levam trabalhadores e trabalhadoras ao limite e entram na agenda sindical<\/b><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Trabalhadoras e trabalhadores enfrentam <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/19\/40-graus-na-fabrica-como-fica-a-saude-do-trabalhador-na-era-do-calor-extremo\/\"><span style=\"font-weight: 400\">ver\u00f5es cada vez mais escaldantes<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> e, muitas vezes, o calor come\u00e7a antes mesmo do rel\u00f3gio marcar o in\u00edcio da jornada. Ele est\u00e1 no pavilh\u00e3o industrial, no asfalto, na sala de aula lotada, no \u00f4nibus sem ar-condicionado. Uma realidade ainda pouco regulamentada e que cada vez mais aparece nas lutas por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cNos dias de ver\u00e3o \u00e9 insuport\u00e1vel, e olha que j\u00e1 melhorou\u201d, resume o metal\u00fargico Gildo da Silva da Cruz, que trabalha h\u00e1 quase 25 anos na Galv\u00e2nica Bereta, em Nova Santa Rita (RS). \u201cA gente trabalha perto de uma cuba de zinco a 450 graus. No ver\u00e3o, mesmo com ventiladores, \u00e9 muito quente. O pessoal passa mal, tem problema de press\u00e3o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o entregador T\u00e1lisson Vieira, o calor acompanha cada quil\u00f4metro rodado sobre a moto no Vale do Paranhana, fazendo entregas de botij\u00f5es de g\u00e1s. \u201cNos dias de ver\u00e3o forte, eu passo muito protetor solar. Preciso usar cal\u00e7a e coturno obrigatoriamente. Entre uma entrega e outra, vou me hidratando e tentando me manter vivo.\u201d At\u00e9 o deslocamento para quem depende de transporte coletivo para ir at\u00e9 o trabalho \u00e9 um desafio, ainda mais quando o \u00f4nibus n\u00e3o tem climatiza\u00e7\u00e3o. O professor Leandro de los Santos enfrenta mais de meia hora para chegar na escola municipal em que leciona em Porto Alegre e descreve o retorno para casa como um teste di\u00e1rio de resist\u00eancia. \u201cNa volta, por vezes, \u00e9 uma viagem insalubre. Nos dias de maior calor \u00e9 uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. N\u00e3o ter ar-condicionado nos \u00f4nibus \u00e9 reduzir o ser humano a gado.\u201d Essas rotinas s\u00e3o distintas, mas descrevem um mesmo fen\u00f4meno: o calor deixou de ser apenas desconforto e passou a interferir diretamente no corpo e no bem-estar de quem vive da pr\u00f3pria for\u00e7a de trabalho. Em f\u00e1bricas, nas ruas, no transporte p\u00fablico e nas escolas, trabalhadores e trabalhadoras relatam que as altas temperaturas imp\u00f5em limites f\u00edsicos, provocam adoecimentos e tornam o cotidiano laboral mais exaustivo.<\/span><\/p>\n<h2><b>Conforto t\u00e9rmico: quando a exig\u00eancia n\u00e3o \u00e9 para pessoas<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto a classe trabalhadora enfrenta essas condi\u00e7\u00f5es, outros corpos no sistema produtivo recebem tratamento distinto. Na avicultura industrial, o conforto t\u00e9rmico \u00e9 uma exig\u00eancia essencial. O frango de corte \u00e9 mantido, em m\u00e9dia, entre 20 e 24 graus Celsius, faixa considerada ideal para seu desenvolvimento fisiol\u00f3gico. Sensores monitoram temperatura e umidade de forma cont\u00ednua, e sistemas de ventila\u00e7\u00e3o, exaust\u00e3o e resfriamento entram em opera\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica ao menor problema. O estresse t\u00e9rmico do animal \u00e9 tratado como falha grave, capaz de reduzir o ganho de peso, aumentar a mortalidade e gerar preju\u00edzo econ\u00f4mico. O conforto t\u00e9rmico, neste ambiente, n\u00e3o \u00e9 opcional: \u00e9 obrigat\u00f3rio. O ser humano, por sua vez, tamb\u00e9m depende de condi\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas muito semelhantes \u00e0s do frango para exercer o <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/podcast\/reporter-sus\/2025\/01\/30\/extremos-climaticos-e-saude-da-pra-trabalhar-nesse-calor\/\"><span style=\"font-weight: 400\">trabalho de forma segura, saud\u00e1vel e eficiente<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. A partir de estudos em ergonomia e fisiologia do trabalho, o Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego (MTE) indica que o conforto t\u00e9rmico do trabalhador deve situar-se, em m\u00e9dia, entre 20 e 23 graus Celsius. Fora dessa faixa, o organismo passa a direcionar energia para regular a pr\u00f3pria temperatura, o que se traduz em fadiga precoce, perda de concentra\u00e7\u00e3o e maior risco de acidentes. O calor excessivo passa a produzir efeitos objetivos sobre a sa\u00fade e a seguran\u00e7a do trabalhador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), 2,41 bilh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras (o equivalente a 71% da for\u00e7a de trabalho global) est\u00e3o expostos aos riscos do calor excessivo, problema que resulta em 22,9 milh\u00f5es de les\u00f5es e 18.970 mortes por ano no mundo. Em atividades como constru\u00e7\u00e3o civil, trabalho rural e ind\u00fastria, jornadas s\u00e3o cumpridas sob temperaturas que frequentemente ultrapassam os 35 \u00b0C e, em alguns casos, chegam a n\u00edveis superiores a 40 \u00b0C. Ainda assim, enquanto o conforto t\u00e9rmico do frango aciona tecnologia, protocolos r\u00edgidos e respostas imediatas, o do trabalhador \u00e9 tratado como algo adapt\u00e1vel. O calor vira \u201cparte do servi\u00e7o\u201d, \u201ccoisa de ver\u00e3o\u201d, \u201cproblema de quem n\u00e3o aguenta\u201d. Quando um adoece, outro ocupa o lugar, porque garantir conforto t\u00e9rmico implica investimento em climatiza\u00e7\u00e3o, pausas, redu\u00e7\u00e3o de jornada e readequa\u00e7\u00e3o do ritmo produtivo. Custos frequentemente evitados.<\/span><\/p>\n<h2><b>Quando o corpo n\u00e3o aguenta<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na metalurgia, essa contradi\u00e7\u00e3o aparece de forma expl\u00edcita. Gildo da Silva da Cruz descreve um ambiente onde o calor industrial se soma \u00e0s altas temperaturas do ver\u00e3o e \u00e0 presen\u00e7a constante de produtos qu\u00edmicos. \u201cImagina tu trabalhar ao redor de uma cuba de zinco num pavilh\u00e3o que deve ter uns 180 metros de comprimento\u201d, diz. Ventiladores foram instalados e, se n\u00e3o fossem eles, \u201cningu\u00e9m aguentaria dentro do pavilh\u00e3o\u201d. Mas, segundo ele, nem sempre resolvem, pois n\u00e3o podem ficar para o lado da cuba, para n\u00e3o esfriar. \u201c\u00c0s vezes atrapalham, porque puxam os produtos qu\u00edmicos de volta para dentro. A empresa toda tem desengraxante, \u00e1cido muri\u00e1tico, cloreto de am\u00f4nia, bicromato.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Atualmente atuando na rua, operando um p\u00f3rtico de carregamento, ele afirma que o trabalho externo \u00e9 ainda mais desgastante. \u201cAl\u00e9m do asfalto quente no ch\u00e3o, o material galvanizado aquece muito. Tu n\u00e3o consegue encostar a m\u00e3o sem luva, de t\u00e3o quente. Acho que passa muito acima de 50 graus ali perto.\u201d Como membro da Comiss\u00e3o Interna de Preven\u00e7\u00e3o de Acidentes (Cipa), Cruz diz que as queixas se acumulam entre os colegas. \u201cA gente recebe muita reclama\u00e7\u00e3o. Coloca em ata sobre o calor. Tinha um projeto de exaust\u00e3o que n\u00e3o foi seguido. No ver\u00e3o \u00e9 terr\u00edvel.\u201d<\/span><\/p>\n<h2><b>Calor como pauta sindical<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na avalia\u00e7\u00e3o do presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos de Canoas e Nova Santa Rita, Paulo Chitolina, a realidade \u00e9 desigual nas diferentes empresas. \u201cTem f\u00e1bricas com ar-condicionado, mas tem empresas pequenas em que, \u00e0s vezes, nem \u00e1gua gelada t\u00eam. Ainda precisa melhorar muito essa quest\u00e3o de o empres\u00e1rio ter a vis\u00e3o de que, dando condi\u00e7\u00f5es melhores de trabalho, o trabalhador produz mais.\u201d Ele afirma que o sindicato tenta incluir o tema nas conven\u00e7\u00f5es coletivas. \u201cA gente estimula esse debate nas campanhas salariais. Quando n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua ou ventilador, os trabalhadores v\u00e3o para cima das empresas, isso tem feito com que eles cobrem cada vez mais.\u201d Chitolina destaca que trabalhadores de empresas menores t\u00eam medo de denunciar. \u201cMuitos trabalham direto com o dono, em oficinas e f\u00e1bricas pequenas. \u00c0s vezes nos contatam e reclamam, mas pedem sigilo. A gente vai no local sem identificar a den\u00fancia.\u201d<\/span><\/p>\n<h2><b>Entre ventila\u00e7\u00e3o e limites<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No setor cal\u00e7adista, a realidade varia entre empresas. A trabalhadora Roseli Marques da Rosa, encaixotadora na Via Marte, em Nova Hartz, afirma que o calor \u00e9 um problema recorrente no ramo. \u201cEmbora a empresa onde trabalho seja bem ventilada, \u00e9 importante lembrar que a seguran\u00e7a e o conforto dos trabalhadores devem ser sempre a prioridade. Mesmo com a ventila\u00e7\u00e3o, \u00e9 crucial garantir que todos estejam protegidos contra o calor excessivo.\u201d Para ela, a crise clim\u00e1tica torna urgente a adapta\u00e7\u00e3o das empresas. \u201cMedidas como climatiza\u00e7\u00e3o, pausas regulares e equipamentos de prote\u00e7\u00e3o s\u00e3o essenciais. Devemos continuar lutando por condi\u00e7\u00f5es de trabalho mais seguras e justas.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A avalia\u00e7\u00e3o da trabalhadora \u00e9 compartilhada pela dire\u00e7\u00e3o sindical. A vice-presidente do Sindicato dos Sapateiros de Sapiranga, Romilda Guntzel, afirma que o calor excessivo se tornou pauta permanente. \u201cAtuamos desde a negocia\u00e7\u00e3o direta com os empregadores at\u00e9 a negocia\u00e7\u00e3o coletiva. Monitoramos as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e, se n\u00e3o temos retorno, denunciamos.\u201d Segundo ela, houve avan\u00e7os, mas ainda insuficientes. \u201cEmpresas maiores t\u00eam climatizador, mas com m\u00e1quinas ligadas o calor aumenta muito. Em f\u00e1bricas com mais de 2 mil trabalhadores, os bebedouros n\u00e3o d\u00e3o conta. A \u00e1gua n\u00e3o fica t\u00e3o gelada.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEssa quest\u00e3o clim\u00e1tica e tamb\u00e9m o calor na ind\u00fastria, ela \u00e9 bastante forte, estamos j\u00e1 dialogando com a ind\u00fastria, cobrando sobre a climatiza\u00e7\u00e3o\u201d, complementa o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica dos Sapateiros do RS, Jo\u00e3o Batista Xavier da Silva. Segundo ele, h\u00e1 empresas que j\u00e1 possuem ambientes com ar-condicionado, \u201cmas \u00e9 pouco\u201d. O dirigente reitera que a climatiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 entrou na pauta de negocia\u00e7\u00e3o. \u201cNo ano passado foi para mesa de negocia\u00e7\u00e3o essa quest\u00e3o do calor. \u00c9 uma das coisas que n\u00f3s vamos ter que avan\u00e7ar na conven\u00e7\u00e3o coletiva. Estamos brigando com a patronal porque temos que ter uma solu\u00e7\u00e3o para essa quest\u00e3o do calor dentro das empresas.\u201d<\/span><\/p>\n<h2><b>Calor nas ruas e no transporte<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para quem trabalha ao ar livre, o calor n\u00e3o oferece tr\u00e9gua. T\u00e1lisson Vieira conta que, apesar de ter acesso \u00e0 \u00e1gua no atual emprego, a realidade muda conforme o v\u00ednculo. \u201cQuando eu era entregador da iFood, em Porto Alegre, n\u00e3o t\u00ednhamos praticamente nada de apoio. Cheguei a organizar uma parada na avenida Borges de Medeiros porque nos cobravam valores absurdos.\u201d Hoje ele mora em Parob\u00e9 e entrega g\u00e1s em munic\u00edpios da regi\u00e3o. \u201cMeu hor\u00e1rio de servi\u00e7o \u00e9 das 9h \u00e0s 13h e depois das 19h \u00e0s 22h, com uma folga por semana. Enfrento as intemp\u00e9ries do tempo durante meu dia de servi\u00e7o, chuva, sol, raios, seja o problema que for, o g\u00e1s n\u00e3o pode parar. Uso muito protetor solar, mas tenho problema com roupa, preciso obrigatoriamente usar cal\u00e7a e coturno pra poder entregar o g\u00e1s.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No transporte coletivo, o professor Leandro de los Santos destaca que o impacto do calor vai al\u00e9m do desconforto f\u00edsico. \u201cA demora, a falta de ar-condicionado e o pre\u00e7o da passagem pioram n\u00e3o s\u00f3 a sa\u00fade f\u00edsica, mas tamb\u00e9m a mental. O estresse aumenta.\u201d Ele conta que onde leciona, na Escola Municipal de Educa\u00e7\u00e3o Infantil Moradas da H\u00edpica, apenas duas salas t\u00eam ar-condicionado. \u201cSala de aula sem ar-condicionado \u00e9 barb\u00e1rie. Os alunos se agitam. Ficamos como animais numa c\u00e2mara quente.\u201d Para Santos, \u00e9 \u201cimprescind\u00edvel\u201d levar em conta a quest\u00e3o do calor para a dignidade do trabalhador. \u201cAr-condicionado \u00e9 uma quest\u00e3o de dignidade, sa\u00fade, bem-estar f\u00edsico e ps\u00edquico. Se os locais de trabalho dispusessem de espa\u00e7os para descanso e pequenos cochilos, seria o mais humanamente adequado.\u201d\u00a0<\/span><\/p>\n<h2><b>O que diz a legisla\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Do ponto de vista da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, o ordenamento jur\u00eddico brasileiro apresenta lacunas significativas quando se trata dos impactos do calor extremo nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Em um contexto de intensifica\u00e7\u00e3o das ondas de calor, impulsionadas pela crise clim\u00e1tica, cresce o debate sobre a sufici\u00eancia das normas existentes para garantir conforto t\u00e9rmico, sa\u00fade e seguran\u00e7a a trabalhadores expostos a altas temperaturas. Segundo o advogado do Sindicato dos Banc\u00e1rios de Porto Alegre e Regi\u00e3o (SindBanc\u00e1rios) Ant\u00f4nio Vicente Martins n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o expl\u00edcita na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista que trate diretamente do impacto do calor extremo. \u201cO que existe s\u00e3o regras gen\u00e9ricas sobre o ambiente laboral, que determinam a observ\u00e2ncia de condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas de sa\u00fade e seguran\u00e7a, mas sem qualquer vincula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o prolongada a temperaturas elevadas.\u201d \u201cEvidente que existem normas relacionadas ao ambiente de trabalho que estabelecem limites de calor, mas essas exigem apura\u00e7\u00e3o pericial e, em geral, resultam apenas no pagamento de adicional de insalubridade para o trabalhador atingido\u201d, explica Martins. No caso do trabalho externo, ele destaca que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o legal espec\u00edfica, o que obriga a constru\u00e7\u00e3o de argumentos doutrin\u00e1rios e jur\u00eddicos para sustentar a defesa dos trabalhadores expostos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para ele, a aus\u00eancia de normas claras limita a atua\u00e7\u00e3o do Estado. Martins destaca que n\u00e3o h\u00e1 um aparato efetivo que garanta condi\u00e7\u00f5es adequadas aos trabalhadores submetidos ao calor extremo diante de ondas de calor cada vez mais frequentes e insufici\u00eancia na fiscaliza\u00e7\u00e3o e responsabiliza\u00e7\u00e3o dos empregadores. Ele ressalta ainda que essa fragilidade normativa se estende a outras situa\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas: \u201c\u00c9 importante destacar que tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o normativa para a prote\u00e7\u00e3o de trabalhadores expostos ao frio extremo em situa\u00e7\u00f5es de trabalho externo\u201d. Na avalia\u00e7\u00e3o do advogado, a constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es passa, necessariamente, pela atua\u00e7\u00e3o sindical. Martins defende que o tema seja incorporado \u00e0s normas coletivas, com condi\u00e7\u00f5es ajustadas por meio da negocia\u00e7\u00e3o entre sindicatos e empregadores. Al\u00e9m disso, ele aponta a necessidade de previs\u00e3o legal espec\u00edfica para a adequa\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho em situa\u00e7\u00f5es de calor extremo e de exposi\u00e7\u00e3o direta ao sol.<\/span><\/p>\n<h2><b>Adoecimento por exposi\u00e7\u00e3o ao calor<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre as medidas poss\u00edveis, cita o fornecimento de Equipamentos de Prote\u00e7\u00e3o Individual (EPIs), como camisetas com prote\u00e7\u00e3o solar, protetor solar adequado, intervalos regulares para hidrata\u00e7\u00e3o e a redu\u00e7\u00e3o da jornada em dias de calor intenso. Para ilustrar a desigualdade de tratamento, ele faz a seguinte compara\u00e7\u00e3o: \u201cSe jogadores de futebol profissional s\u00e3o protegidos em dias de calor com intervalos para hidrata\u00e7\u00e3o durante a pr\u00e1tica esportiva, por que os trabalhadores expostos ao mesmo calor n\u00e3o t\u00eam esse direito? Por que o sorveteiro, o seguran\u00e7a \u00e0 beira do campo ou outros trabalhadores em ambientes abertos n\u00e3o t\u00eam acesso a esses intervalos?\u201d No servi\u00e7o p\u00fablico j\u00e1 come\u00e7aram a aparecer medidas para enfrentar a quest\u00e3o. \u00c9 o caso de Porto Alegre, que aprovou um <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/12\/19\/porto-alegre-aprova-projeto-que-protege-trabalhadores-expostos-ao-calor-extremo\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Projeto de Lei<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> que estabelece medidas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade e \u00e0 seguran\u00e7a de trabalhadores que atuam ao ar livre durante per\u00edodos de calor extremo. De autoria do vereador Giovani Culau (PCdoB), a proposta garante a suspens\u00e3o das atividades nesses dias sem preju\u00edzo salarial e refor\u00e7a a obriga\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico de adotar condi\u00e7\u00f5es adequadas de trabalho frente ao agravamento da crise clim\u00e1tica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Enquanto isso, trabalhadores da iniciativa privada seguem com pouca garantia. Martins destaca o papel da advocacia trabalhista nesse cen\u00e1rio. Segundo ele, os advogados s\u00e3o fundamentais para formular a\u00e7\u00f5es judiciais que relacionem o adoecimento dos trabalhadores \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o ao calor ou \u00e0s consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Ele exemplifica com casos de trabalhadores de rua que, sem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o adequados, desenvolvem c\u00e2ncer de pele. \u201cN\u00e3o tenho d\u00favida de que esse trabalhador deve ser indenizado pela empregadora. O trabalho \u00e9 causa ou concausa do adoecimento, e a doen\u00e7a foi adquirida por omiss\u00e3o do empregador\u201d, afirma. Para Martins, a discuss\u00e3o sobre calor extremo no mundo do trabalho converge, em \u00faltima inst\u00e2ncia, para um princ\u00edpio fundamental: a dignidade do trabalho.<\/span><\/p>\n<h2><b>A luta diante do aquecimento global<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O presidente estadual da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT-RS), Amarildo Cenci, pontua que o <\/span><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2024\/01\/10\/trabalhadores-dos-correios-reivindicam-turno-matinal-diante-de-forte-calor-provocado-por-mudancas-climaticas\/\"><span style=\"font-weight: 400\">desconforto t\u00e9rmico se tornou recorrente em diferentes categorias<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. \u201cVai desde as f\u00e1bricas propriamente ditas, mais cl\u00e1ssicas, dessa \u00e1rea de cal\u00e7ado, da metalurgia, das escolas \u2500 escolas estaduais do Rio Grande do Sul, muitas escolas municipais que n\u00e3o tem ar-condicionado instalado. Tamb\u00e9m dos trabalhadores de aplicativos, entregadores, que tem nas bikes ou mesmo a p\u00e9 o seu instrumento de trabalho.\u201d\u00a0 Segundo ele, o tema come\u00e7a a ganhar centralidade no movimento sindical. \u201cN\u00f3s temos desenvolvido discuss\u00f5es dentro da CUT. Alguns sindicatos j\u00e1 colocam reivindica\u00e7\u00f5es nesse sentido, de maior conforto no ambiente de trabalho. Isso tem que virar pol\u00edtica p\u00fablica, a ser pensada nas discuss\u00f5es que ocorrer\u00e3o em 2026.\u201d Na avalia\u00e7\u00e3o de Cenci, o avan\u00e7o do aquecimento global imp\u00f5e novos desafios \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora. \u201c\u00c9 uma nova reivindica\u00e7\u00e3o que se coloca, fruto dessas altera\u00e7\u00f5es que estamos sofrendo. A luta agora tamb\u00e9m \u00e9 pelo direito de trabalhar sem adoecer.\u201d<\/span><\/p>\n<p><b>2- Testemunho\/entrevista:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Hoje vamos ouvir o testemunho de <\/span><b>Leonardo Ferreira Dutra da EMBRAPA Clima Temperado de Pelotas RS<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, conforme o Podcast De Fato 123 (parte II), que nos diz como a pesquisa agropecu\u00e1ria chega \u00e0 mesa dos brasileiros;<\/span><\/p>\n<p><b>3- M\u00fasica: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">C\u00e2ntico das Criaturas com Z\u00e9 Vicente;<\/span><\/p>\n<p><b>4- Fotos da internet:<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas: Brasil de Fato e Ci\u00eancia Hoje:<\/span><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8533\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mudanca-1-240x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mudanca-1-240x300.jpeg 240w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mudanca-1-768x960.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Mudanca-1.jpeg 800w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/> <img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-8534\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/mudanca-2-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"195\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/mudanca-2-300x195.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/mudanca-2-1024x664.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/mudanca-2-768x498.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/mudanca-2.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/p>\n","protected":false},"featured_media":5683,"template":"","class_list":["post-8530","revista_radio","type-revista_radio","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - 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