{"id":9671,"date":"2026-11-05T07:21:14","date_gmt":"2026-11-05T10:21:14","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=noticias&#038;p=9671"},"modified":"2026-11-05T07:21:14","modified_gmt":"2026-11-05T10:21:14","slug":"territorios-soberania-e-luta-de-classes-a-cidade-o-campo-e-a-vida-sob-o-dominio-do-capital","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/territorios-soberania-e-luta-de-classes-a-cidade-o-campo-e-a-vida-sob-o-dominio-do-capital\/","title":{"rendered":"Territ\u00f3rios, soberania e luta de classes: a cidade, o campo e a vida sob o dom\u00ednio do capital"},"content":{"rendered":"<div class=\"resumo-auto\">\n<p><em><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>As demandas ind\u00edgenas e quilombolas n\u00e3o podem ser compreendidas como pautas espec\u00edficas, isoladas das contradi\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira<\/strong><\/span><\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Publica\u00e7\u00e3o original aqui: <a href=\"https:\/\/cimi.org.br\/2026\/11\/artigo-cidade-campo-capital\/\">Territ\u00f3rios, soberania e luta de classes: a cidade, o campo e a vida sob o dom\u00ednio do capital | Cimi<\/a><\/p>\n<p>Por Onir de Ara\u00fajo, Ivan Cesar Cima e Roberto Liebgott<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9680\" aria-describedby=\"caption-attachment-9680\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9680 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-768x512.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9680\" class=\"wp-caption-text\">Acampamento Terra Livre 2025: marcha \u201cA Resposta Somos N\u00f3s\u201d. Foto: Guilherme Cavalli\/Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"section_title section_title_medium_var2 second_font\">\u00a0<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A reflex\u00e3o que apresentamos busca olhar para al\u00e9m dos acontecimentos imediatos, das disputas institucionais e das contradi\u00e7\u00f5es da conjuntura pol\u00edtica. Convoca-nos a compreender que as viol\u00eancias que atingem os territ\u00f3rios, as comunidades e os povos n\u00e3o s\u00e3o fatos isolados, tampouco podem ser explicadas apenas pelas decis\u00f5es de determinados governos ou agentes pol\u00edticos. S\u00e3o express\u00f5es de uma estrutura hist\u00f3rica de domina\u00e7\u00e3o que, desde a invas\u00e3o colonial, procura submeter a terra, os povos e a vida aos interesses da acumula\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>A partir da realidade dos povos ind\u00edgenas e das comunidades quilombolas, essa an\u00e1lise ganha uma dimens\u00e3o ainda mais profunda. O que est\u00e1 em disputa n\u00e3o \u00e9 somente a propriedade da terra, a defini\u00e7\u00e3o de limites territoriais, ou a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u00c9 preciso olhar para o pr\u00f3prio sentido da exist\u00eancia e para a possibilidade de os povos e as comunidades quilombolas continuarem existindo, preservando suas culturas, suas l\u00ednguas, suas espiritualidades, suas formas pr\u00f3prias de organiza\u00e7\u00e3o e suas rela\u00e7\u00f5es ancestrais com os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>As demandas ind\u00edgenas e quilombolas, portanto, n\u00e3o podem ser compreendidas como pautas espec\u00edficas, isoladas das contradi\u00e7\u00f5es da sociedade brasileira. Elas atravessam a forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do Estado, a estrutura fundi\u00e1ria, o modelo de desenvolvimento, a explora\u00e7\u00e3o do trabalho, a concentra\u00e7\u00e3o da riqueza e as rela\u00e7\u00f5es de poder que sustentam a ordem colonial, escravista, capitalista e imperialista.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>\u201cQuem paga o pre\u00e7o da acumula\u00e7\u00e3o de uma minoria?\u201d<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_94289\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9679\" aria-describedby=\"caption-attachment-9679\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-9679 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Foto-8-vigilia-stf-11-agosto-clara-3-scaled-1-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Foto-8-vigilia-stf-11-agosto-clara-3-scaled-1-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Foto-8-vigilia-stf-11-agosto-clara-3-scaled-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Foto-8-vigilia-stf-11-agosto-clara-3-scaled-1-768x432.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Foto-8-vigilia-stf-11-agosto-clara-3-scaled-1.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9679\" class=\"wp-caption-text\"><em>Vig\u00edlia em frente ao STF, realizada em 11 de agosto, como parte do ato de lideran\u00e7as ind\u00edgenas contra medidas que amea\u00e7am seus direitos e territ\u00f3rios. Foto: Clara Comandolli\/Cimi<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"caption-attachment-94289\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-size: 14pt;\"><strong>A invas\u00e3o colonial e a continuidade da expropria\u00e7\u00e3o<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A forma\u00e7\u00e3o do Brasil est\u00e1 assentada na invas\u00e3o dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e, posteriormente, dos territ\u00f3rios quilombolas; na expropria\u00e7\u00e3o das terras; na escraviza\u00e7\u00e3o dos povos; e na imposi\u00e7\u00e3o de uma ordem pol\u00edtica, econ\u00f4mica e cultural que procurou negar suas possibilidades de existir como sujeitos de direitos.<\/p>\n<p>A coloniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o terminou com a independ\u00eancia pol\u00edtica do pa\u00eds, tampouco com a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Suas estruturas permanecem presentes nas formas de apropria\u00e7\u00e3o da terra, na concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, no racismo institucional, na viol\u00eancia contra os filhos e as filhas origin\u00e1rios destas terras e na imposi\u00e7\u00e3o de modelos de desenvolvimento que desconsideram os direitos e os modos de vida de tantos povos e comunidades.<\/p>\n<p>A colonialidade continua operando quando os territ\u00f3rios s\u00e3o tratados como obst\u00e1culos ao crescimento econ\u00f4mico; quando a demarca\u00e7\u00e3o e a titula\u00e7\u00e3o s\u00e3o subordinadas aos interesses de propriet\u00e1rios, empresas e setores do agroneg\u00f3cio; quando os rios, as florestas e os bens naturais s\u00e3o convertidos em ativos econ\u00f4micos; e quando as comunidades s\u00e3o obrigadas a justificar, reiteradamente, o direito de existir em seus pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A mesma l\u00f3gica que organiza a cidade para atender aos interesses da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria tamb\u00e9m organiza o campo para atender aos interesses do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, das grandes obras de infraestrutura e dos empreendimentos que avan\u00e7am sobre os territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>O que acontece em Porto Alegre, no Quilombo K\u00e9di, e nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas amea\u00e7ados n\u00e3o deve ser compreendido como uma sucess\u00e3o de conflitos desconectados. Embora apresentem hist\u00f3rias, sujeitos e especificidades pr\u00f3prias, essas situa\u00e7\u00f5es expressam uma disputa estrutural sobre quem controla a terra, quem define os usos do territ\u00f3rio e quem se beneficia da riqueza produzida.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central permanece: por quem e para quem se organiza o espa\u00e7o? Quem decide sobre a vida das comunidades? E quem paga o pre\u00e7o da acumula\u00e7\u00e3o de uma minoria?<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEstamos diante de uma ofensiva contra a exist\u00eancia de comunidades e povos de culturas centen\u00e1rias ou milenares\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_93465\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9680-2\" aria-describedby=\"caption-attachment-9680-2\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9680 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi-768x512.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/Acampamento-Terra-Livre-2025-marcha-A-Resposta-Somos-Nos.-Foto-Guilherme-Cavalli-Cimi.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9680-2\" class=\"wp-caption-text\">Acampamento Terra Livre 2025. Foto: Hellen Loures\/Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"caption-attachment-93465\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Territ\u00f3rio: condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia e de continuidade dos povos e comunidades<\/strong><\/p>\n<p>Para os povos ind\u00edgenas e para as comunidades quilombolas, territ\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 apenas uma extens\u00e3o de terra, uma propriedade ou um recurso econ\u00f4mico. \u00c9 o espa\u00e7o da vida coletiva, da mem\u00f3ria ancestral, da espiritualidade, da produ\u00e7\u00e3o dos alimentos, da transmiss\u00e3o dos conhecimentos e da continuidade das rela\u00e7\u00f5es entre as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A terra n\u00e3o \u00e9 concebida somente como algo que se possui. \u00c9 parte constitutiva da exist\u00eancia dessas coletividades.<\/p>\n<p>Os rios, as matas, os animais, as plantas, as sementes, os lugares sagrados e os caminhos ancestrais integram uma rela\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser reduzida \u00e0 linguagem da propriedade privada ou \u00e0 racionalidade econ\u00f4mica do mercado.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse sentido que a luta pela demarca\u00e7\u00e3o das terras ind\u00edgenas e pela titula\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios quilombolas n\u00e3o pode ser compreendida como uma concess\u00e3o do Estado, um privil\u00e9gio ou um benef\u00edcio destinado a determinados grupos. Trata-se do reconhecimento de direitos origin\u00e1rios e tradicionais, anteriores \u00e0 pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o do Estado brasileiro, assegurados pelo artigo 231 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal e pelo artigo 68 do Ato das Disposi\u00e7\u00f5es Constitucionais Transit\u00f3rias.<\/p>\n<p>A demarca\u00e7\u00e3o e a titula\u00e7\u00e3o n\u00e3o criam o direito sobre a terra. Reconhecem juridicamente uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica, ancestral e coletiva que a invas\u00e3o colonial e a explora\u00e7\u00e3o capitalista procuraram romper.<\/p>\n<p>Por isso, quando o direito \u00e0 terra \u00e9 impedido, quando os territ\u00f3rios s\u00e3o reduzidos, fragmentados ou submetidos \u00e0 explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, n\u00e3o estamos diante de uma simples controv\u00e9rsia fundi\u00e1ria. Estamos diante de uma ofensiva contra a exist\u00eancia de comunidades e povos de culturas centen\u00e1rias ou milenares, bem como contra suas formas de organiza\u00e7\u00e3o e suas possibilidades de reprodu\u00e7\u00e3o f\u00edsica e cultural.<\/p>\n<p>As lutas territoriais ind\u00edgenas e quilombolas s\u00e3o, inseparavelmente, lutas pela vida, pela mem\u00f3ria, pela autonomia e pela soberania.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA viol\u00eancia n\u00e3o se manifesta apenas por meio das armas\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_88428\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9677\" aria-describedby=\"caption-attachment-9677\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-9677 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/ATL-2024-HellenLoures-Cimi-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/ATL-2024-HellenLoures-Cimi-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/ATL-2024-HellenLoures-Cimi-scaled-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/ATL-2024-HellenLoures-Cimi-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/ATL-2024-HellenLoures-Cimi-scaled-1.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9677\" class=\"wp-caption-text\">Com cantos e dan\u00e7as, gritos e cartazes, cerca de 8 mil ind\u00edgenas de todo o pa\u00eds marcharam at\u00e9 a Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, em Bras\u00edlia (DF). Os povos reivindicam a declara\u00e7\u00e3o da inconstitucionalidade da Lei 14.701\/2023 e a demarca\u00e7\u00e3o de seus territ\u00f3rios. Foto: Hellen Loures\/Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p id=\"caption-attachment-88428\" class=\"wp-caption-text\"><strong>O Estado, a democracia e a viol\u00eancia institucional<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>Os povos ind\u00edgenas e as comunidades quilombolas s\u00e3o frequentemente convocados a participar de espa\u00e7os institucionais, audi\u00eancias, consultas e negocia\u00e7\u00f5es. Entretanto, essa participa\u00e7\u00e3o nem sempre se traduz em poder efetivo de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Muitas vezes, as comunidades s\u00e3o chamadas a discutir projetos j\u00e1 concebidos, empreendimentos previamente definidos e pol\u00edticas cujos fundamentos n\u00e3o est\u00e3o efetivamente abertos \u00e0 contesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A consulta livre, pr\u00e9via e informada, assegurada pela Conven\u00e7\u00e3o n\u00ba 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, n\u00e3o pode ser reduzida a reuni\u00f5es informativas, apresenta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas ou procedimentos destinados a legitimar decis\u00f5es previamente tomadas.<\/p>\n<p>Consultar os povos e as comunidades significa reconhecer suas condi\u00e7\u00f5es de sujeitos coletivos de direitos, respeitar seus protocolos pr\u00f3prios e assegurar condi\u00e7\u00f5es reais para que possam decidir sobre quest\u00f5es que afetam seus territ\u00f3rios, suas vidas e seus modos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>A mesma cr\u00edtica se aplica \u00e0 atua\u00e7\u00e3o do Estado diante dos conflitos territoriais. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel falar em democracia efetiva quando comunidades ind\u00edgenas vivem sob amea\u00e7as, despejos, ataques armados, invas\u00f5es e precariedade material, enquanto os interesses econ\u00f4micos que pressionam seus territ\u00f3rios encontram prote\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, jur\u00eddica e institucional.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia n\u00e3o se manifesta apenas por meio das armas. Ela tamb\u00e9m se expressa na demora deliberada dos processos de demarca\u00e7\u00e3o, na aus\u00eancia de pol\u00edticas p\u00fablicas, na nega\u00e7\u00e3o de direitos, na criminaliza\u00e7\u00e3o das lideran\u00e7as e na omiss\u00e3o diante das amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Tanto a omiss\u00e3o do Estado diante da viol\u00eancia quanto sua atua\u00e7\u00e3o para assegurar a continuidade da explora\u00e7\u00e3o territorial contribuem para reproduzir as condi\u00e7\u00f5es que tornam determinadas vidas mais vulner\u00e1veis e descart\u00e1veis.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA defesa dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas n\u00e3o \u00e9 uma pauta restrita. \u00c9 uma quest\u00e3o que envolve o futuro da sociedade\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_85252\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9676\" aria-describedby=\"caption-attachment-9676\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9676 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/marcha-levante-pela-terra-foto-adi-spezia-cimi-50-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/marcha-levante-pela-terra-foto-adi-spezia-cimi-50-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/marcha-levante-pela-terra-foto-adi-spezia-cimi-50-scaled-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/marcha-levante-pela-terra-foto-adi-spezia-cimi-50-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/marcha-levante-pela-terra-foto-adi-spezia-cimi-50-scaled-1.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9676\" class=\"wp-caption-text\">\u201cPara o agroneg\u00f3cio, meio trilh\u00e3o, para os povos ind\u00edgenas, nem um tost\u00e3o\u201d, denuncia Levante pela Terra. Foto: Adi Spezia | Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"caption-attachment-85252\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Capitalismo, agroneg\u00f3cio e a transforma\u00e7\u00e3o da natureza em mercadoria<\/strong><\/p>\n<p>A expans\u00e3o do capitalismo sobre os territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas n\u00e3o pode ser compreendida apenas como resultado de conflitos entre indiv\u00edduos ou de disputas locais pela propriedade da terra.<\/p>\n<p>Ela integra um processo mais amplo de reorganiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os para atender \u00e0s exig\u00eancias da acumula\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio, da minera\u00e7\u00e3o, das hidrel\u00e9tricas, das rodovias, das ferrovias, dos empreendimentos industriais e de outras grandes obras frequentemente se sustenta na ideia de que a natureza deve ser convertida em riqueza econ\u00f4mica e que os territ\u00f3rios precisam ser submetidos \u00e0s necessidades do mercado.<\/p>\n<p>Nesse modelo, a floresta passa a ser vista como \u00e1rea dispon\u00edvel para explora\u00e7\u00e3o; os rios, como fontes de energia ou insumos produtivos; os solos, como ativos para a produ\u00e7\u00e3o de commodities; e os territ\u00f3rios ind\u00edgenas, como espa\u00e7os supostamente improdutivos ou obst\u00e1culos ao desenvolvimento.<\/p>\n<p>Essa concep\u00e7\u00e3o ignora que os povos ind\u00edgenas e as comunidades quilombolas produzem conhecimentos, alimentos, rela\u00e7\u00f5es sociais e formas de cuidado com a natureza que n\u00e3o se subordinam \u00e0 l\u00f3gica da mercadoria.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o das florestas, a prote\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, a diversidade das sementes e a manuten\u00e7\u00e3o dos ecossistemas n\u00e3o s\u00e3o resultados acidentais da presen\u00e7a ind\u00edgena. Est\u00e3o profundamente relacionadas \u00e0s formas de organiza\u00e7\u00e3o social, aos conhecimentos ancestrais e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es territoriais constru\u00eddas ao longo de gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso, a defesa dos territ\u00f3rios ind\u00edgenas e quilombolas n\u00e3o \u00e9 uma pauta restrita. \u00c9 uma quest\u00e3o que envolve o futuro da sociedade, a prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, a soberania alimentar, o equil\u00edbrio clim\u00e1tico e as condi\u00e7\u00f5es materiais da vida.<\/p>\n<p>O enfrentamento \u00e0 crise ambiental exige, necessariamente, questionar o modelo econ\u00f4mico que transforma a natureza em mercadoria e submete os bens comuns \u00e0s exig\u00eancias da acumula\u00e7\u00e3o capitalista.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA perman\u00eancia de estruturas econ\u00f4micas e pol\u00edticas profundamente marcadas pela concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, pelo racismo e pelo poder das elites agr\u00e1rias mant\u00e9m os seus direitos sob permanente amea\u00e7a\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_81915\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<figure id=\"attachment_9682\" aria-describedby=\"caption-attachment-9682\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9682 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/20230816-DSC07894-scaled-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/20230816-DSC07894-scaled-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/20230816-DSC07894-scaled-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/20230816-DSC07894-scaled-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/20230816-DSC07894-scaled-2.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9682\" class=\"wp-caption-text\">Aproximadamente 100.200 mulheres ocuparam a Esplanada dos Minist\u00e9rios, em Bras\u00edlia, durante a 7\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Marcha das Margaridas. Foto: Ver\u00f4nica Holanda\/Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Concilia\u00e7\u00e3o de classes, limites institucionais e autonomia dos povos<\/strong><\/p>\n<p>A pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o de classes tamb\u00e9m nos interpela a refletir sobre os limites das pol\u00edticas institucionais diante dos interesses econ\u00f4micos que estruturam a sociedade.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia hist\u00f3rica dos povos ind\u00edgenas e das comunidades quilombolas demonstra que o reconhecimento formal de direitos n\u00e3o significa, necessariamente, sua efetiva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 representou uma conquista fundamental ao reconhecer os direitos origin\u00e1rios sobre as terras tradicionalmente ocupadas e assegurar aos quilombolas direitos fundamentais, o respeito \u00e0 diferen\u00e7a e aos seus modos de vida, rompendo, no plano jur\u00eddico, com a perspectiva assimilacionista que orientava a pol\u00edtica indigenista.<\/p>\n<p>Entretanto, a perman\u00eancia de estruturas econ\u00f4micas e pol\u00edticas profundamente marcadas pela concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, pelo racismo e pelo poder das elites agr\u00e1rias mant\u00e9m os seus direitos sob permanente amea\u00e7a.<\/p>\n<p>A dist\u00e2ncia entre os direitos reconhecidos e sua efetiva\u00e7\u00e3o revela os limites de uma democracia que, muitas vezes, admite a exist\u00eancia dos povos e das comunidades, mas n\u00e3o aceita plenamente suas autonomias territoriais, pol\u00edticas e culturais.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de negar a import\u00e2ncia das conquistas institucionais, das pol\u00edticas p\u00fablicas ou da atua\u00e7\u00e3o nos espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o. Trata-se de compreender que esses instrumentos, embora fundamentais, n\u00e3o substituem a organiza\u00e7\u00e3o popular, a mobiliza\u00e7\u00e3o territorial e a capacidade aut\u00f4noma dos povos de definir seus pr\u00f3prios caminhos.<\/p>\n<p>As lutas ind\u00edgenas e quilombolas n\u00e3o podem ser reduzidas \u00e0 disputa por representa\u00e7\u00e3o, cargos ou espa\u00e7os institucionais. Sua dimens\u00e3o estrat\u00e9gica est\u00e1 na afirma\u00e7\u00e3o desses povos como sujeitos hist\u00f3ricos, capazes de construir alternativas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o que sustentam a sociedade capitalista.<\/p>\n<p>A autonomia n\u00e3o se confunde com isolamento. Ela exige organiza\u00e7\u00e3o, articula\u00e7\u00e3o, solidariedade e unidade na luta, sem que essas rela\u00e7\u00f5es impliquem subordina\u00e7\u00e3o das comunidades aos interesses de partidos, governos ou organiza\u00e7\u00f5es externas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEssa pot\u00eancia n\u00e3o pode ser capturada por uma pol\u00edtica que transforme a juventude em instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o eleitoral ou em s\u00edmbolo de uma representatividade esvaziada de conte\u00fado\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_73087\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9683\" aria-describedby=\"caption-attachment-9683\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9683 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/photo1633620439-scaled-2-1024x684.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/photo1633620439-scaled-2-1024x684.jpeg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/photo1633620439-scaled-2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/photo1633620439-scaled-2-768x513.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/photo1633620439-scaled-2.jpeg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9683\" class=\"wp-caption-text\">Marcha dos estudantes ind\u00edgenas e quilombolas. Foto: Matheus Alves \/ Jornalistas Livres<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p id=\"caption-attachment-73087\" class=\"wp-caption-text\"><strong>As juventudes e a constru\u00e7\u00e3o de outros horizontes<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>Entre as comunidades quilombolas e os povos ind\u00edgenas, as juventudes ocupam um lugar fundamental na continuidade das lutas territoriais, na defesa das l\u00ednguas, na transmiss\u00e3o dos conhecimentos ancestrais e na constru\u00e7\u00e3o de novas formas de articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Jovens ocupam universidades, escolas, espa\u00e7os institucionais, redes sociais e territ\u00f3rios de retomada. Articulam conhecimentos tradicionais e ferramentas contempor\u00e2neas de comunica\u00e7\u00e3o, denunciando viol\u00eancias, reivindicando direitos e afirmando a exist\u00eancia de seus povos.<\/p>\n<p>Entretanto, essa pot\u00eancia n\u00e3o pode ser capturada por uma pol\u00edtica que transforme a juventude em instrumento de mobiliza\u00e7\u00e3o eleitoral ou em s\u00edmbolo de uma representatividade esvaziada de conte\u00fado.<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica precisa estar vinculada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de autonomia, \u00e0 defesa dos territ\u00f3rios e \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es materiais que produzem a desigualdade.<\/p>\n<p>A juventude n\u00e3o luta apenas para ocupar espa\u00e7os dentro da ordem existente. Luta tamb\u00e9m para que seus povos e comunidades possam continuar existindo segundo suas pr\u00f3prias formas de organiza\u00e7\u00e3o, seus conhecimentos, suas espiritualidades e seus projetos de futuro.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa hist\u00f3rica exige que esses sujeitos de direitos sejam reconhecidos em suas pr\u00f3prias lutas\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_94564\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9673\" aria-describedby=\"caption-attachment-9673\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9673 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/51479239234_cd09b35c31_o-scaled-1-1024x649.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"507\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/51479239234_cd09b35c31_o-scaled-1-1024x649.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/51479239234_cd09b35c31_o-scaled-1-300x190.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/51479239234_cd09b35c31_o-scaled-1-768x486.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/51479239234_cd09b35c31_o-scaled-1.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9673\" class=\"wp-caption-text\">II Marcha Nacional das Mulheres Ind\u00edgenas. Foto: Ver\u00f4nica Holanda\/Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"caption-attachment-94564\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>A unidade das lutas e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas hist\u00f3ricas<\/strong><\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o entre as lutas ind\u00edgenas, quilombolas, camponesas, urbanas e dos trabalhadores n\u00e3o pode se limitar \u00e0 solidariedade diante de situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio reconhecer que essas lutas enfrentam, em diferentes dimens\u00f5es, estruturas hist\u00f3ricas de expropria\u00e7\u00e3o, explora\u00e7\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o da terra, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, a precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, a destrui\u00e7\u00e3o ambiental, o racismo e a viol\u00eancia institucional n\u00e3o s\u00e3o fen\u00f4menos independentes. S\u00e3o express\u00f5es de uma organiza\u00e7\u00e3o social que privilegia a acumula\u00e7\u00e3o privada em detrimento das necessidades coletivas.<\/p>\n<p>A unidade das lutas exige, contudo, o reconhecimento das especificidades hist\u00f3ricas, culturais e pol\u00edticas de cada povo e comunidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de dissolver a quest\u00e3o ind\u00edgena em uma pauta geral de classe, tampouco de separar a luta territorial ind\u00edgena das contradi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e sociais da sociedade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ind\u00edgena, a quest\u00e3o quilombola e a quest\u00e3o de classe se relacionam, mas n\u00e3o se confundem. Os povos origin\u00e1rios e as comunidades tradicionais carregam uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria de resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o colonial, \u00e0 expropria\u00e7\u00e3o territorial e \u00e0s tentativas de apagamento de suas identidades.<\/p>\n<p>A luta de classes n\u00e3o pode ignorar essa hist\u00f3ria. E a defesa dos direitos n\u00e3o pode prescindir da compreens\u00e3o das estruturas econ\u00f4micas que continuam produzindo a expropria\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma alternativa hist\u00f3rica exige que esses sujeitos de direitos sejam reconhecidos em suas pr\u00f3prias lutas, com autonomia para definir seus projetos pol\u00edticos, suas formas de organiza\u00e7\u00e3o e suas estrat\u00e9gias de resist\u00eancia.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o existe justi\u00e7a social enquanto a riqueza produzida coletivamente continuar concentrada nas m\u00e3os de uma minoria\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<div id=\"attachment_94207\" class=\"wp-caption alignnone\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9672\" aria-describedby=\"caption-attachment-9672\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9672 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/atl2026-hellen-loures-cimi-001-scaled-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/atl2026-hellen-loures-cimi-001-scaled-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/atl2026-hellen-loures-cimi-001-scaled-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/atl2026-hellen-loures-cimi-001-scaled-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/atl2026-hellen-loures-cimi-001-scaled-1.jpg 1050w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9672\" class=\"wp-caption-text\">Acampamento Terra Livre 2026. Foto: Hellen Loures\/Cimi<\/figcaption><\/figure>\n<p id=\"caption-attachment-94207\" class=\"wp-caption-text\">\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais: territ\u00f3rio, vida e soberania dos povos<\/strong><\/p>\n<p>Esta an\u00e1lise reflexiva visa estimular a compreens\u00e3o de que as disputas territoriais n\u00e3o podem ser analisadas apenas a partir de seus efeitos imediatos. O que est\u00e1 em curso \u00e9 uma disputa sobre os sentidos da sociedade, sobre a organiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os e sobre as condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia da maioria da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A partir das tem\u00e1ticas ind\u00edgenas e quilombolas, essa disputa revela a continuidade de uma ordem colonial que, ao longo de s\u00e9culos, procura transformar os territ\u00f3rios em mercadorias, os povos em obst\u00e1culos e a natureza em fonte de acumula\u00e7\u00e3o privada.<\/p>\n<p>As lutas dos povos origin\u00e1rios e das comunidades tradicionais nos ensinam que n\u00e3o existe democracia efetiva sem o reconhecimento dos direitos territoriais; que n\u00e3o existe soberania nacional sem o respeito \u00e0 autonomia; e que n\u00e3o existe justi\u00e7a social enquanto a riqueza produzida coletivamente continuar concentrada nas m\u00e3os de uma minoria.<\/p>\n<p>A defesa dos territ\u00f3rios dos povos ind\u00edgenas, quilombolas, camponeses e das comunidades tradicionais \u00e9 parte insepar\u00e1vel da luta por uma sociedade fundada na dignidade, na justi\u00e7a e na liberdade.<\/p>\n<p>N\u00e3o basta reivindicar que o Estado reconhe\u00e7a direitos se permanecem intactas as estruturas que produzem sua nega\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta denunciar a viol\u00eancia se n\u00e3o enfrentamos as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e pol\u00edticas que a sustentam.<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o popular, a autonomia dos povos, a solidariedade entre as lutas e a constru\u00e7\u00e3o de alternativas que coloquem a vida acima do lucro.<\/p>\n<p>As lutas dos povos origin\u00e1rios e das comunidades tradicionais apontam para outro horizonte: aquele em que a terra n\u00e3o seja propriedade de uma minoria, os rios n\u00e3o sejam mercadorias, as florestas n\u00e3o sejam submetidas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria e os povos n\u00e3o sejam obrigados a abandonar suas formas pr\u00f3prias de exist\u00eancia para se adequar \u00e0s exig\u00eancias do capital.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 soberania nacional sem soberania dos povos e das comunidades sobre seus territ\u00f3rios. N\u00e3o h\u00e1 democracia efetiva enquanto os direitos fundamentais forem subordinados aos interesses econ\u00f4micos. N\u00e3o h\u00e1 justi\u00e7a social sem o enfrentamento das estruturas coloniais, racistas e capitalistas que sustentam a expropria\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia.<\/p>\n<p>3 de novembro de 2026<\/p>\n<p><em>Onir de Ara\u00fajo<\/em><br \/>\n<em>Frente Quilombola no Rio Grande do Sul<\/em><\/p>\n<p><em>Ivan Cesar Cima<\/em><br \/>\n<em>Cimi Sul \u2013 Equipe Norte RS<\/em><\/p>\n<p><em>Roberto Liebgott<\/em><br \/>\n<em>Cimi Sul \u2013 Equipe Porto Alegre<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Onir de Ara\u00fajo, Ivan Cesar Cima e Roberto Liebgott<\/p>\n","protected":false},"featured_media":9680,"template":"","categorias_noticias":[13,31],"class_list":["post-9671","noticias","type-noticias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","categorias_noticias-noticias","categorias_noticias-opiniao"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Territ\u00f3rios, soberania e luta de classes: a cidade, o campo e a vida sob o dom\u00ednio do capital - 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