{"id":9372,"date":"2026-07-13T11:43:30","date_gmt":"2026-07-13T14:43:30","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=noticias&#038;p=9372"},"modified":"2026-07-15T12:24:41","modified_gmt":"2026-07-15T15:24:41","slug":"vozes-e-territorios-porto-alegre-negra-transforma-remocoes-e-apagamento-em-luta-por-memoria-e-direito-a-cidade","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/vozes-e-territorios-porto-alegre-negra-transforma-remocoes-e-apagamento-em-luta-por-memoria-e-direito-a-cidade\/","title":{"rendered":"VOZES E TERRIT\u00d3RIOS | Porto Alegre negra transforma remo\u00e7\u00f5es e apagamento em luta por mem\u00f3ria e direito \u00e0 cidade"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-25bc0ce e-con-full e-flex e-con e-child\" data-id=\"25bc0ce\" data-element_type=\"container\" data-e-type=\"container\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-a8a58e0 elementor-widget elementor-widget-heading\" data-id=\"a8a58e0\" data-element_type=\"widget\" data-e-type=\"widget\" data-widget_type=\"heading.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<blockquote>\n<h2 class=\"elementor-heading-title elementor-size-default\"><span style=\"font-size: 16px;\">Quilombo K\u00e9di, Ilhota, Restinga e Centro Hist\u00f3rico revelam trajet\u00f3rias de expuls\u00e3o, resist\u00eancia e reconstru\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><figure id=\"attachment_9373\" aria-describedby=\"caption-attachment-9373\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-9373\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/whatsapp-image-2026-07-13-at-192036-883ee71c-1024x679.webp\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"530\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/whatsapp-image-2026-07-13-at-192036-883ee71c-1024x679.webp 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/whatsapp-image-2026-07-13-at-192036-883ee71c-300x199.webp 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/whatsapp-image-2026-07-13-at-192036-883ee71c-768x509.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/whatsapp-image-2026-07-13-at-192036-883ee71c.webp 1368w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9373\" class=\"wp-caption-text\">Museu de Percurso do Negro \u00e9 uma iniciativa do movimento negro para reconhecer nas ruas de Porto Alegre a presen\u00e7a africana e afro-brasileira apagada da mem\u00f3ria oficial | Cr\u00e9dito: Museu Joel Vargas\/Arquivo PMPA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre condom\u00ednios de luxo e a mem\u00f3ria negra, a resist\u00eancia do Quilombo K\u00e9di revela uma disputa que atravessa a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/12\/01\/a-porto-alegre-que-eu-nao-conhecia-pesquisadora-mapeia-presenca-negra-na-historia-e-na-geografia-da-capital\/\">hist\u00f3ria de Porto Alegre<\/a>. Mais de um s\u00e9culo depois da chegada da fam\u00edlia Dutra ao bairro Boa Vista, o territ\u00f3rio centen\u00e1rio resiste onde a cidade parece insistir em apag\u00e1-lo. Cercado por empreendimentos imobili\u00e1rios de alto padr\u00e3o e reduzido a uma \u00fanica rua, o quilombo sintetiza o avan\u00e7o da especula\u00e7\u00e3o sobre comunidades negras que ajudaram a construir a capital ga\u00facha.<\/p>\n<div id=\"bdf-1175190178\" class=\"bdf-apos-paragrafo-1 bdf-entity-placement bdf-highlight-wrapper\">\n<div id=\"bdf-1775936420\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"878877\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-medium_incontent_1\" class=\"ad-slot ad-filled\" data-google-query-id=\"CIWusub11JUDFesFHgAdqNknFA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/23047072124\/artigos\/leaderboard_incontent_1_0__container__\">Hoje, cerca de 12 fam\u00edlias permanecem no quilombo, certificado pela Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares desde fevereiro de 2023 e com processo de regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria em andamento no Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria (Incra). Localizado entre o Country Club e a obra do empreendimento Alameda Jardins Country Tower Boulevard, das incorporadoras Country Empreendimentos e CFL, o K\u00e9di tornou-se s\u00edmbolo de resist\u00eancia em uma das regi\u00f5es mais caras de Porto Alegre.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>As origens do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/03\/11\/descumprindo-ordem-judicial-moradores-do-quilombo-kedi-derrubam-imoveis-apos-acordo-com-a-prefeitura-de-porto-alegre\/\">Quilombo K\u00e9di\u00a0<\/a>remontam ao in\u00edcio do s\u00e9culo 20, quando Jos\u00e9 Dutra e Ot\u00edlia Gon\u00e7alves deixaram Taquara e se estabeleceram na ent\u00e3o zona rural da capital. Em meio a ch\u00e1caras e fazendas, a fam\u00edlia cultivava flores para vender, produzia pia\u00e7ava para fabrica\u00e7\u00e3o de vassouras, criava porcos e cavalos e lavava roupas em uma fonte \u00e0s margens da atual avenida Nilo Pe\u00e7anha. Tamb\u00e9m participou da constru\u00e7\u00e3o do antigo clube ingl\u00eas, hoje conhecido como Country Club.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o urbana, a paisagem mudou. O bairro Boa Vista transformou-se em uma das \u00e1reas de maior valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria da cidade, enquanto o territ\u00f3rio da comunidade foi sendo reduzido. Onde antes viviam cerca de cem fam\u00edlias, hoje restam pouco mais de uma dezena. O espa\u00e7o onde crian\u00e7as brincavam, fam\u00edlias se reuniam e a comunidade mantinha a vida cotidiana foi sendo fragmentado ao longo das d\u00e9cadas, em um processo que moradores atribuem \u00e0 especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9374\" aria-describedby=\"caption-attachment-9374\" style=\"width: 792px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-9374\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5467-6ce4dfe9-1024x614-1.webp\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"475\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5467-6ce4dfe9-1024x614-1.webp 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5467-6ce4dfe9-1024x614-1-300x180.webp 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5467-6ce4dfe9-1024x614-1-768x461.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 792px) 100vw, 792px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9374\" class=\"wp-caption-text\">Moradias do quilombo K\u00e9di est\u00e3o sendo demolidas, enquanto pr\u00e9dios de alto padr\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddos na regi\u00e3o | Cr\u00e9dito: Clara Aguiar<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nascida e criada no quilombo, Cl\u00e1udia Fernanda Vargas, de 41 anos, carrega essa hist\u00f3ria no pr\u00f3prio corpo. Neta de Neuci Dutra e descendente direta de Ot\u00edlia Gon\u00e7alves, ela afirma conviver com amea\u00e7as de remo\u00e7\u00e3o desde a inf\u00e2ncia. \u201cH\u00e1 41 anos eu sofro amea\u00e7a de perder esse territ\u00f3rio. Desde que nasci j\u00e1 existia essa conversa de remo\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"bdf-1457996710\" class=\"bdf-apos-paragrafo-5 bdf-entity-placement bdf-highlight-wrapper\">\n<div id=\"bdf-3046968796\" class=\"bdf-target bdf-target\" data-bdf-trackid=\"923846\" data-bdf-trackbid=\"1\">\n<div id=\"div-gpt-ad-artigos-mobile_rectangle_mobile_3\" class=\"ad-slot\">Vargas lembra da primeira grande remo\u00e7\u00e3o de que tem mem\u00f3ria, quando tinha entre cinco e seis anos. Na \u00e9poca, parte do territ\u00f3rio onde funcionava uma creche foi vendida ao Grupo Zaffari. \u201cFoi uma das primeiras remo\u00e7\u00f5es. A gente j\u00e1 est\u00e1 em cerca de quatro. Aquela foi a mais devastadora porque abalou toda a comunidade\u201d, relata.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Apesar das press\u00f5es, a moradora diz que nunca cogitou deixar o lugar onde nasceu. \u201cMinha hist\u00f3ria est\u00e1 aqui. A hist\u00f3ria dos meus filhos e da minha neta tamb\u00e9m. N\u00e3o posso apagar tudo isso por R$ 180 mil. Dinheiro nenhum paga a minha hist\u00f3ria.\u201d Segundo ela, al\u00e9m das propostas de compra, moradores enfrentaram anos de intimida\u00e7\u00f5es e amea\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-9375 aligncenter\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5460-b97f381d-1024x614-1.webp\" alt=\"\" width=\"829\" height=\"497\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5460-b97f381d-1024x614-1.webp 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5460-b97f381d-1024x614-1-300x180.webp 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/img5460-b97f381d-1024x614-1-768x461.webp 768w\" sizes=\"(max-width: 829px) 100vw, 829px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante a enchente de 2024, Vargas lembra que o quilombo organizou cozinhas solid\u00e1rias e preparou refei\u00e7\u00f5es para fam\u00edlias atingidas em diferentes regi\u00f5es da cidade. \u201cA gente fez comida para moradores da Ilha, da Lomba do Pinheiro, da zona sul, da zona norte. Virava noite fazendo marmita e distribuindo doa\u00e7\u00f5es. Hoje, quando somos n\u00f3s que precisamos de apoio, quase ningu\u00e9m aparece.\u201d<\/p>\n<p>O K\u00e9di n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Para o antrop\u00f3logo Iosvaldyr Carvalho Bittencourt, um dos idealizadores do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, a perman\u00eancia dessas fam\u00edlias faz parte de um processo hist\u00f3rico de expuls\u00e3o e apagamento de territ\u00f3rios negros, repetido ao longo da forma\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Uma cidade constru\u00edda pela popula\u00e7\u00e3o negra<\/h4>\n<p>A presen\u00e7a negra na Capital se conecta a uma di\u00e1spora interna que atravessou o Rio Grande do Sul desde os territ\u00f3rios marcados pela escravid\u00e3o no sul do estado, como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/24\/caminhos-negros-revela-historia-invisibilizada-da-populacao-negra-em-rio-grande-rs\/\">Pelotas\u00a0<\/a>e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/24\/caminhos-negros-revela-historia-invisibilizada-da-populacao-negra-em-rio-grande-rs\/\">Rio Grande<\/a>, at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de quilombos, terreiros, vilas e bairros populares. O que aparece em territ\u00f3rios como o K\u00e9di, a Ilhota, a Restinga e o Centro Hist\u00f3rico \u00e9 parte desse percurso de expuls\u00f5es, reconstru\u00e7\u00f5es e perman\u00eancia.<\/p>\n<p>Segundo Bittencourt, compreender Porto Alegre exige reconhecer uma hist\u00f3ria muitas vezes apagada. A capital ga\u00facha foi constru\u00edda pelo trabalho, pela cultura e pela sociabilidade da popula\u00e7\u00e3o negra, que ocupava diferentes territ\u00f3rios hoje invisibilizados pela narrativa oficial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9376\" aria-describedby=\"caption-attachment-9376\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9376\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/20191109-mapadaniele-1024x591-1-110b8aed-768x443-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"443\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/20191109-mapadaniele-1024x591-1-110b8aed-768x443-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/20191109-mapadaniele-1024x591-1-110b8aed-768x443-1-300x173.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9376\" class=\"wp-caption-text\">Mapa de Porto Alegre do s\u00e9culo 19 | Cr\u00e9dito: Daniele Machado<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse processo est\u00e1 ligado \u00e0 pr\u00f3pria origem da cidade. Como Porto Alegre se desenvolveu \u00e0s margens da Lagoa dos Patos, durante os per\u00edodos colonial e imperial, o transporte era predominantemente fluvial. Nesse contexto, o porto tornou-se um dos principais espa\u00e7os de trabalho de africanos escravizados, libertos e descendentes.<\/p>\n<p>\u201cO porto foi ocupado por trabalhadores negros, por estibadores embarcados. Antes mesmo da constru\u00e7\u00e3o do porto existiam centenas de trapiches, e foram esses trabalhadores que tamb\u00e9m ajudaram a edificar o Mercado P\u00fablico e muitas das constru\u00e7\u00f5es da cidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9377\" aria-describedby=\"caption-attachment-9377\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9377\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/mapa-porto-7655a403-768x563-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"563\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/mapa-porto-7655a403-768x563-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/mapa-porto-7655a403-768x563-1-300x220.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9377\" class=\"wp-caption-text\">Territ\u00f3rios negros de Porto Alegre em 1916 | Cr\u00e9dito: Daniele Machado<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do trabalho portu\u00e1rio, negros e negras ocupavam intensamente o espa\u00e7o urbano. Quitandeiras e comerciantes ambulantes circulavam por pontos como a rua 15 de Novembro, a antiga pra\u00e7a Para\u00edso e a pra\u00e7a dos Ferreiros, na atual rua Uruguai, formando uma rede de circula\u00e7\u00e3o, trabalho e sociabilidade. \u201cEssa popula\u00e7\u00e3o foi enegrecendo Porto Alegre\u201d, resume o antrop\u00f3logo.<\/p>\n<p>Quando a cidade ainda se restringia ao n\u00facleo intramuros, essa popula\u00e7\u00e3o vivia em torno da antiga igreja do Ros\u00e1rio, constru\u00edda por uma irmandade negra criada em 1720 e erguida em 1840. O entorno era conhecido como rua do Ros\u00e1rio, beco do Ros\u00e1rio ou, simplesmente, rua dos Pretos, constituindo um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, religiosidade e organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Segundo Bittencourt, esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar com as reformas urbanas promovidas nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20. Sob o discurso da moderniza\u00e7\u00e3o e das pol\u00edticas sanit\u00e1rias, a popula\u00e7\u00e3o negra foi removida das \u00e1reas centrais e deslocada para regi\u00f5es como o Campo da Reden\u00e7\u00e3o, o Areal da Baronesa e a Ilhota, \u00e1reas alagadas, sem saneamento e com pouca infraestrutura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9378\" aria-describedby=\"caption-attachment-9378\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9378\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ilhota-2-5c149f60-768x511-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ilhota-2-5c149f60-768x511-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ilhota-2-5c149f60-768x511-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9378\" class=\"wp-caption-text\">Obras de retifica\u00e7\u00e3o do Arroio Dil\u00favio; no canto superior direito, casas da Ilhota que vieram a ser removidas a partir dos anos 1960 | Cr\u00e9dito: Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo destaca que esse processo tamb\u00e9m alterou a geografia da chamada Col\u00f4nia Africana. Diferentemente do que costuma aparecer nos registros hist\u00f3ricos, afirma, ela n\u00e3o se restringia ao entorno do atual parque Moinhos de Vento. \u201cA Col\u00f4nia Africana se estendia at\u00e9 o Montserrat. Mas h\u00e1 que se pensar que Montserrat, Petr\u00f3polis, Santana, Ilhota e Menino Deus eram todos ocupados por uma popula\u00e7\u00e3o negra, com rela\u00e7\u00f5es de vizinhan\u00e7a, religiosidade e pertencimento\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Nesses territ\u00f3rios floresceram o Carnaval, a capoeira, o Batuque, a Umbanda e outras religi\u00f5es de matriz africana, al\u00e9m de uma intensa vida comunit\u00e1ria. \u201cEra uma cidade completamente enegrecida\u201d, afirma Bittencourt.<\/p>\n<p>Hoje, Porto Alegre possui 11 quilombos urbanos reconhecidos, mas, para ele, os territ\u00f3rios negros v\u00e3o al\u00e9m do reconhecimento formal. Eles tamb\u00e9m est\u00e3o nos clubes sociais negros centen\u00e1rios, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/19\/sociedade-beneficente-cultural-floresta-aurora-celebra-150-anos-de-existencia\/\">Floresta Aurora\u00a0<\/a>e o Sat\u00e9lite Prontid\u00e3o, nas escolas de samba, nos pontos de cultura, nas casas de religi\u00e3o de matriz africana e em diferentes espa\u00e7os de encontro da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>\u201cO territ\u00f3rio negro se estabelece quando existe a presen\u00e7a dos corpos negros associada \u00e0s express\u00f5es culturais, religiosas, pol\u00edticas e comunit\u00e1rias\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9379\" aria-describedby=\"caption-attachment-9379\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9379\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final18-102dfcd4-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final18-102dfcd4-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final18-102dfcd4-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9379\" class=\"wp-caption-text\">O antrop\u00f3logo Iosvaldyr Carvalho Bittencourt \u00e9 um dos idealizadores do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Bittencourt, reconhecer esses territ\u00f3rios significa compreender que Porto Alegre nunca foi uma cidade constru\u00edda apenas pela elite branca. \u201cA cidade sempre teve uma presen\u00e7a negra muito forte. O que aconteceu foi um processo de apagamento dessa mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A cidade que moderniza removendo<\/h4>\n<p>Antes da Ilhota e da Restinga, outros territ\u00f3rios negros j\u00e1 haviam sido deslocados do Centro de Porto Alegre. A constru\u00e7\u00e3o da cidade tamb\u00e9m foi marcada por reformas urbanas que modificaram a paisagem e retiraram da mem\u00f3ria oficial espa\u00e7os de moradia, trabalho e sociabilidade da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Para a arquiteta urbanista Sherlen Borges, mestre em Planejamento Urbano e doutoranda na \u00e1rea, a narrativa tradicional sobre Porto Alegre costuma destacar grandes projetos de moderniza\u00e7\u00e3o e planejamento urbano, mas deixa em segundo plano os impactos sobre popula\u00e7\u00f5es negras e pobres. \u201cPorto Alegre \u00e9 conhecida pelo\u00a0<a href=\"http:\/\/mento-participativo-e-forma-de-instigar-pessoas-a-serem-protagonistas-diz-olivio-dutra\/\">Or\u00e7amento Participativo<\/a>, pelo planejamento urbano, mas n\u00e3o se fala sobre as remo\u00e7\u00f5es, os apagamentos que aconteceram por conta desses grandes projetos urbanos.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9380\" aria-describedby=\"caption-attachment-9380\" style=\"width: 797px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-9380\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final09-5a94a068-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"797\" height=\"531\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final09-5a94a068-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final09-5a94a068-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 797px) 100vw, 797px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9380\" class=\"wp-caption-text\">No entorno de onde hoje est\u00e1 o Viaduto Ot\u00e1vio Rocha existia o Beco do Po\u00e7o | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos exemplos est\u00e1 na regi\u00e3o onde hoje fica o entorno do Viaduto Ot\u00e1vio Rocha. Ali existia o Beco do Po\u00e7o, territ\u00f3rio marcado pela presen\u00e7a negra, com moradias populares, corti\u00e7os, espa\u00e7os de sociabilidade e manifesta\u00e7\u00f5es culturais. \u201cAqui era territ\u00f3rio negro. Tinha as moradias, os casebres, os corti\u00e7os, tinha os prost\u00edbulos onde as mulheres negras viviam.\u201d<\/p>\n<p>Borges lembra que a historiadora Sandra Pesavento descreveu esses espa\u00e7os como territ\u00f3rios dos \u201cmalditos\u201d, dos \u201ccondenados\u201d e dos \u201cmaus lugares\u201d, express\u00f5es que revelam como esses locais eram vistos pelo poder p\u00fablico e pelas elites urbanas. Para a arquiteta, essa vis\u00e3o fazia parte de uma l\u00f3gica que associava a presen\u00e7a negra e popular ao atraso e ao que deveria ser retirado da paisagem urbana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9381\" aria-describedby=\"caption-attachment-9381\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9381\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/5797307hpr505e03420106dd7-fd435691-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/5797307hpr505e03420106dd7-fd435691-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/5797307hpr505e03420106dd7-fd435691-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9381\" class=\"wp-caption-text\">Constru\u00e7\u00e3o do Viaduto Ot\u00e1vio Rocha no final da d\u00e9cada de 1920 | Cr\u00e9dito: Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A urbanista relaciona esse processo ao Plano de Melhoramentos de 1914, que tinha como discurso o embelezamento, a moderniza\u00e7\u00e3o e a higiene urbana. \u201cQuando a gente pensa nessa quest\u00e3o da higiene, \u00e9 realmente uma limpeza \u00e9tnica que eles queriam fazer aqui em Porto Alegre.\u201d<\/p>\n<p>No Beco do Po\u00e7o, a vida comunit\u00e1ria negra era intensa. A pesquisadora destaca registros dos batuques e encontros que aconteciam nesses espa\u00e7os. \u201cAqui havia pontos da cidade onde aos domingos o batuque era infal\u00edvel. O Beco do Po\u00e7o, o Beco do Jacques e a rua da Floresta eram s\u00edtios de elei\u00e7\u00e3o para o batuque. Eram lugares onde as pessoas negras viviam e onde aconteciam essas sociabilidades.\u201d<\/p>\n<p>Com as reformas urbanas, esses territ\u00f3rios desapareceram da paisagem oficial da cidade. Para Borges, o apagamento n\u00e3o significa que essas hist\u00f3rias deixaram de existir, mas que foram retiradas dos registros e das refer\u00eancias p\u00fablicas. \u201cO que permanece quando some? A gente fala muito da import\u00e2ncia da mem\u00f3ria e de buscar essas outras narrativas, essas outras hist\u00f3rias que foram apagadas da constru\u00e7\u00e3o da cidade.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9382\" aria-describedby=\"caption-attachment-9382\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9382\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final10-6c699abc-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final10-6c699abc-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final10-6c699abc-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9382\" class=\"wp-caption-text\">\u2018A cidade segue sendo essa cidade como mercadoria\u2019, afirma Sherlen Borges | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mesma l\u00f3gica ajuda a compreender disputas atuais como a do Quilombo K\u00e9di. \u201cO Quilombo K\u00e9di, para mim, \u00e9 um territ\u00f3rio negro, ancestral, que est\u00e1 ali h\u00e1 muito tempo. Ver aquela imagem do quilombo destru\u00eddo e os pr\u00e9dios altos em volta \u00e9 muito triste\u201d, afirma a arquiteta.<\/p>\n<p>Para Borges, o caso revela a perman\u00eancia de um padr\u00e3o hist\u00f3rico: territ\u00f3rios negros e populares seguem pressionados quando passam a interessar ao mercado imobili\u00e1rio. \u201cA cidade segue sendo essa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2026\/04\/30\/novo-plano-diretor-de-porto-alegre-algumas-notas-sobre-ideologia-tecnica-e-futuro\/\">cidade como mercadoria<\/a>. A gente v\u00ea esses processos de tentativa de remo\u00e7\u00e3o por grandes empresas e tamb\u00e9m pelo poder p\u00fablico.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Ilhota: territ\u00f3rio removido, mem\u00f3ria em disputa<\/h4>\n<p>Na Ilhota, essa hist\u00f3ria deixou marcas em fam\u00edlias, ruas e nomes apagados do mapa. Um dos mais emblem\u00e1ticos territ\u00f3rios negros de Porto Alegre, a comunidade foi imortalizada nas cr\u00f4nicas do Carnaval, do Batuque e do samba, e durante d\u00e9cadas constituiu um importante centro de sociabilidade da popula\u00e7\u00e3o negra da capital.<\/p>\n<p>Como descreve a professora e doutora em Geografia Danielle Machado Vieira, no livro \u201cTerrit\u00f3rios Negros em Porto Alegre (1800-1970)\u201d, a Ilhota era uma \u00e1rea majoritariamente negra, formada por trabalhadores, ex-escravizados, negros libertos, migrantes e descendentes. Circundada pelas curvas do arroio Dil\u00favio e ligada ao restante da cidade por pontes de madeira, tornou-se refer\u00eancia da cultura popular porto-alegrense.<\/p>\n<p>Localizada na regi\u00e3o da Cidade Baixa, entre as atuais avenidas \u00c9rico Ver\u00edssimo e Get\u00falio Vargas, a Ilhota era formada por diferentes n\u00facleos que compunham a chamada Grande Ilhota. Foi nesse territ\u00f3rio que cresceu Ang\u00e9lica Celeste Mirinh\u00e3, ativista comunit\u00e1ria e uma das guardi\u00e3s da mem\u00f3ria local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9383\" aria-describedby=\"caption-attachment-9383\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9383 size-full\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ilhota-1-3ff0fb03-768x582-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"582\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ilhota-1-3ff0fb03-768x582-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/ilhota-1-3ff0fb03-768x582-1-300x227.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9383\" class=\"wp-caption-text\">Casas na Ilhota, na d\u00e9cada de 1950 | Cr\u00e9dito: Acervo do Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s sempre soubemos que aqui era a Ilhota, mas n\u00e3o conhec\u00edamos toda a hist\u00f3ria, toda essa luta e todas as consequ\u00eancias desse processo de despejo e remo\u00e7\u00e3o. Quando a gente descobriu, assumimos que \u00edamos trabalhar a quest\u00e3o da comunidade, das pessoas que tinham uma hist\u00f3ria\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Conforme conta Mirinh\u00e3, a Ilhota come\u00e7ou a se consolidar no in\u00edcio do s\u00e9culo 20 e chegou a reunir cerca de 2,3 mil fam\u00edlias distribu\u00eddas em diferentes n\u00facleos. \u201cA Ilhota era um espa\u00e7o onde moravam escravos libertos, foragidos e tamb\u00e9m popula\u00e7\u00e3o do \u00eaxodo rural. Eles vieram para c\u00e1 porque estavam em busca de trabalho e novas oportunidades. N\u00f3s fic\u00e1vamos na periferia do Centro, onde tinha trabalho, principalmente no Alto da Bronze.\u201d<\/p>\n<p>Para a ativista, a comunidade construiu uma trajet\u00f3ria marcada por saberes, v\u00ednculos e modos pr\u00f3prios de viver. \u201cEssas pessoas foram se acomodando, fizeram uma hist\u00f3ria. Constru\u00edram seus saberes, seus modos de viver e uma comunidade muito forte.\u201d<\/p>\n<p>Esse processo foi interrompido na d\u00e9cada de 1970, durante a ditadura militar, quando a Ilhota sofreu uma das maiores remo\u00e7\u00f5es urbanas da hist\u00f3ria de Porto Alegre. A retirada das fam\u00edlias ocorreu dentro do chamado Projeto Comunidade Urbana de Recupera\u00e7\u00e3o Acelerada (Cura), pol\u00edtica de interven\u00e7\u00e3o urbana que tinha como discurso a moderniza\u00e7\u00e3o das \u00e1reas centrais.<\/p>\n<p>\u201cO nome j\u00e1 diz tudo: era um projeto para \u2018curar\u2019 a cidade. Na verdade, veio para varrer tudo aquilo que era considerado feio, aquelas comunidades que, na vis\u00e3o daquele governo, n\u00e3o prestavam, n\u00e3o valiam nada\u201d, critica Mirinh\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9384\" aria-describedby=\"caption-attachment-9384\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9384\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final17-31a4764f-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final17-31a4764f-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final17-31a4764f-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9384\" class=\"wp-caption-text\">Ang\u00e9lica Celeste Mirinh\u00e3 \u00e9 moradora de \u00e1rea remanescente da Ilhota, junto a av. Ipiranga | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ela, a remo\u00e7\u00e3o ocorreu de forma abrupta. \u201cFoi um dos maiores despejos que existiu em Porto Alegre e um dos mais traum\u00e1ticos. Eles chegaram com caminh\u00f5es, sem aviso pr\u00e9vio, pediam para as pessoas sa\u00edrem das casas e muitas vezes j\u00e1 iam quebrando as casas para dificultar que a pessoa permanecesse.\u201d<\/p>\n<p>As fam\u00edlias foram levadas para locais como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/11\/19\/restinga-e-um-quilombo-que-deu-certo-debate-destaca-orgulho-luta-e-pertencimento\/\">Restinga<\/a>, S\u00e3o Jos\u00e9, Morro da Cruz e outras regi\u00f5es da cidade. \u201cEles chegavam e diziam: \u2018Vamos embora\u2019. As pessoas pegavam o len\u00e7ol, colocavam as coisas dentro e entravam nos caminh\u00f5es. Eram levadas para lugares completamente sem estrutura.\u201d<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria fam\u00edlia de Mirinh\u00e3 viveu esse processo. A m\u00e3e, uruguaia, havia vindo para Porto Alegre e morava de aluguel em uma pe\u00e7a na Ilhota. \u201cQuando teve o despejo, a gente foi morar ali na Azenha, na Cabo Rocha. Do ladinho. A gente n\u00e3o saiu daqui.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">O retorno como resist\u00eancia<\/h4>\n<p>Nem todas as fam\u00edlias deixaram definitivamente o territ\u00f3rio. Algumas permaneceram nas proximidades e outras conseguiram retornar depois da sa\u00edda dos caminh\u00f5es. Mirinh\u00e3 conta que moradores chegaram a se esconder para esperar o momento de voltar. \u201cQuando a gente voltou para conversar com as pessoas, alguns contaram que tinham ido para casa de parentes, amigos, vizinhos. E teve aqueles que ficaram escondidos, esperando passar, para depois retomar o local.\u201d<\/p>\n<p>Para ela, esse retorno marcou uma nova etapa da luta. \u201cA remo\u00e7\u00e3o aconteceu pela for\u00e7a. Mas o nosso retorno foi revolucion\u00e1rio. Foi militante, foi aguerrido. Foi quando come\u00e7amos a brigar pelo nosso territ\u00f3rio.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9385\" aria-describedby=\"caption-attachment-9385\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9385\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final16-9f030591-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final16-9f030591-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final16-9f030591-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9385\" class=\"wp-caption-text\">Pintura em pr\u00e9dio na Ilhota | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante anos, os moradores buscaram regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, infraestrutura b\u00e1sica e reconhecimento do territ\u00f3rio. Tamb\u00e9m passaram a reconstruir a pr\u00f3pria identidade. Por muito tempo, a comunidade foi chamada de Vila Renascen\u00e7a, mas pesquisas realizadas pelo grupo revelaram a rela\u00e7\u00e3o do nome com o Projeto Renascen\u00e7a, denomina\u00e7\u00e3o local ligada ao mesmo processo de remo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cQuando n\u00f3s fomos estudar, descobrimos que o Projeto Renascen\u00e7a era o mesmo Projeto Cura do governo federal. Colocaram outro nome para ficar bonito, como se fosse renascer a esperan\u00e7a. Mas para n\u00f3s n\u00e3o fazia sentido carregar esse nome.\u201d<\/p>\n<p>A partir da\u00ed, a comunidade passou a reivindicar novamente o nome Ilhota. \u201cN\u00f3s n\u00e3o quer\u00edamos mais ser a Associa\u00e7\u00e3o da Vila Renascen\u00e7a. N\u00f3s t\u00ednhamos outro olhar. Quer\u00edamos ser Territ\u00f3rio Ilhota.\u201d Dessa luta nasceram iniciativas como o Ponto de Cultura Territ\u00f3rio Ilhota e a ONG Comunicarte, voltadas para arte, cultura, mem\u00f3ria e comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Para Mirinh\u00e3, preservar a hist\u00f3ria tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de resist\u00eancia. \u201cPrecisamos contar a nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. A mem\u00f3ria da popula\u00e7\u00e3o negra precisa aparecer.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m da disputa pelo territ\u00f3rio, a ativista destaca a contribui\u00e7\u00e3o cultural da popula\u00e7\u00e3o negra para a forma\u00e7\u00e3o de Porto Alegre. \u201cFoi daqui que surgiram escolas de samba, blocos carnavalescos, cortejos, tribos ind\u00edgenas de Carnaval. Pessoas como Lupic\u00ednio Rodrigues fazem parte dessa hist\u00f3ria. (\u2026) Essas pessoas contribu\u00edram culturalmente com seus saberes comunit\u00e1rios e seus saberes afro-brasileiros. Essa hist\u00f3ria precisa ser vista, ouvida e reconhecida.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9386\" aria-describedby=\"caption-attachment-9386\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9386\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final11-1889ade0-768x512-2.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final11-1889ade0-768x512-2.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final11-1889ade0-768x512-2-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9386\" class=\"wp-caption-text\">Moradores criaram um ponto de cultura para preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da Ilhota | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, a comunidade acompanha com aten\u00e7\u00e3o novos projetos urbanos na regi\u00e3o, especialmente a revitaliza\u00e7\u00e3o da avenida Ipiranga. Embora reconhe\u00e7a a import\u00e2ncia de melhorias, Mirinh\u00e3 teme que a valoriza\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria possa repetir processos de expuls\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o pobre. \u201cEles ficam apagando do plano diretor as possibilidades dos pobres morarem perto das regi\u00f5es onde trabalham. O que acontece com os pobres? Eles t\u00eam que pegar \u00f4nibus para ir, para voltar. Levam quatro, cinco horas do dia deles na parada do \u00f4nibus.\u201d<\/p>\n<p>Para ela, a perman\u00eancia no territ\u00f3rio continua sendo uma luta coletiva. \u201cA Ilhota j\u00e1 resistiu uma vez. A gente sabe lutar. N\u00e3o vamos receber isso de m\u00e3o beijada.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Restinga: o quilombo reconstru\u00eddo pela resist\u00eancia<\/h4>\n<p>Se o K\u00e9di e a Ilhota revelam a viol\u00eancia das remo\u00e7\u00f5es e do apagamento dos territ\u00f3rios negros em Porto Alegre, a Restinga mostra o que aconteceu depois. O bairro, hoje um dos mais populosos da capital e situado a uma dist\u00e2ncia que varia entre 20 e 30 km do Centro, nasceu da pol\u00edtica de remo\u00e7\u00e3o de milhares de fam\u00edlias negras expulsas das regi\u00f5es centrais durante a ditadura militar.<\/p>\n<p>Mestre gri\u00f4 e lideran\u00e7a comunit\u00e1ria, Jos\u00e9 Lu\u00eds Vieira Ventura viveu esse processo. Nascido na Santa Casa de Porto Alegre, morou at\u00e9 os nove anos na vila Santa Luzia antes de ser levado para a Restinga. \u201cNaquela pol\u00edtica de segrega\u00e7\u00e3o da ditadura, de embranquecimento da cidade, trouxeram a vila Santa Luzia, a Ilhota e a vila Mar\u00edtimos para dentro da Restinga. Aqui s\u00f3 tinha tr\u00eas ruas e chegaram cerca de 10 mil pessoas. Era tudo mato. Tinha bugio, lagarto, pre\u00e1. Era o final da Mata Atl\u00e2ntica.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9387\" aria-describedby=\"caption-attachment-9387\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9387\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final04-d666b2f0-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final04-d666b2f0-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final04-d666b2f0-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9387\" class=\"wp-caption-text\">Com mais de 60 mil habitantes, Restinga \u00e9 um dos maiores bairros de Porto Alegre | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Ventura, a remo\u00e7\u00e3o significou muito mais do que uma mudan\u00e7a de endere\u00e7o. A transfer\u00eancia para uma regi\u00e3o distante do Centro rompeu v\u00ednculos de trabalho e sobreviv\u00eancia constru\u00eddos ao longo de anos. \u201cA maioria das mulheres que vieram para c\u00e1 era empregada dom\u00e9stica. Quando sa\u00edram do Centro da cidade, perderam o trabalho. As que conseguiam permanecer no servi\u00e7o vinham de quinze em quinze dias para a Restinga, ou \u00e0s vezes ficavam um m\u00eas sem vir.\u201d<\/p>\n<p>As remo\u00e7\u00f5es aconteciam sem estrutura e, muitas vezes, durante a madrugada ou no fim da tarde. Caminh\u00f5es chegavam e as fam\u00edlias eram levadas para um territ\u00f3rio onde quase nada existia. \u201cEles batiam na porta e diziam: \u2018Esse aqui \u00e9 o teu terreno, segura essa plaquinha\u2019. Sem casa, sem nada. N\u00e3o tinha posto de sa\u00fade, n\u00e3o tinha ensino, n\u00e3o tinha estrutura b\u00e1sica\u201d, refor\u00e7a Ventura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9388\" aria-describedby=\"caption-attachment-9388\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9388\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final07-e147ea5b-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final07-e147ea5b-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final07-e147ea5b-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9388\" class=\"wp-caption-text\">Mestre Jos\u00e9 Lu\u00eds Vieira Venturana esplanada da Restinga, espa\u00e7o p\u00fablico onde ocorrem eventos no bairro | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As casas desmontadas no Centro chegavam praticamente destru\u00eddas ao novo territ\u00f3rio. \u201cUma casa que tinha tr\u00eas ou quatro pe\u00e7as l\u00e1 virava uma s\u00f3. N\u00e3o dava para colocar fog\u00e3o, geladeira, nem montar uma cama de casal. Era dormir no ch\u00e3o e ficar do lado de fora para proteger as coisas da chuva e do sereno.\u201d<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A comunidade ergue o bairro<\/h4>\n<p>Foi diante desse abandono que surgiu uma das principais marcas da Restinga: a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria. \u201cAs crian\u00e7as n\u00e3o eram de uma fam\u00edlia, eram de todas as fam\u00edlias. As mulheres que ficavam aqui cuidavam dos filhos das outras. Quem trabalhava trazia alimenta\u00e7\u00e3o, roupa, doa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 dessa experi\u00eancia que Mestre Ventura constr\u00f3i uma das principais defini\u00e7\u00f5es sobre o bairro: \u201cA Restinga \u00e9 um quilombo que deu certo.\u201d<\/p>\n<p>Para ele, o territ\u00f3rio foi erguido pela solidariedade de moradores que chegaram sem infraestrutura e precisaram criar coletivamente as condi\u00e7\u00f5es de perman\u00eancia. \u201cA Restinga s\u00f3 \u00e9 essa que \u00e9, n\u00e3o porque o poder p\u00fablico veio, mas porque a comunidade se organizou.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9389\" aria-describedby=\"caption-attachment-9389\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9389\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final05-accadef3-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final05-accadef3-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final05-accadef3-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9389\" class=\"wp-caption-text\">Restinga abriga duas escolas de samba de Porto Alegre | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/06\/07\/comunidade-da-restinga-em-porto-alegre-rs-propoe-a-criacao-de-campus-unilab-sul\/\">organiza\u00e7\u00e3o popular\u00a0<\/a>esteve presente na conquista de equipamentos e servi\u00e7os que hoje fazem parte da vida do bairro. Escolas, unidades de sa\u00fade, o Hospital da Restinga, o Instituto Federal e espa\u00e7os culturais s\u00e3o resultado de mobiliza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias. \u201cO hospital n\u00e3o veio porque o governo quis fazer. Foi porque a comunidade queria um hospital pr\u00f3prio. O Instituto Federal tamb\u00e9m come\u00e7ou com uma luta da comunidade. Nada veio de gra\u00e7a.\u201d<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, Ventura atua com projetos sociais voltados principalmente para a juventude. Por meio do atletismo, desenvolveu uma iniciativa que une esporte, educa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o social. \u201cEu vi que atrav\u00e9s do esporte se pode transformar uma comunidade em um local onde se vive. O atletismo \u00e9 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, seguran\u00e7a. A pessoa compete consigo pr\u00f3pria, n\u00e3o contra o outro. Isso traz disciplina.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m do esporte, o ponto de cultura Africanidade, onde Ventura \u00e9 um dor coordenadores, desenvolve atividades ligadas \u00e0 cultura negra, como capoeira, dan\u00e7a, hip hop, slam, culin\u00e1ria afro-brasileira, cinema e conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias. A iniciativa tamb\u00e9m mant\u00e9m uma cozinha solid\u00e1ria criada durante a pandemia. \u201cNa covid, atendemos 2,4 mil fam\u00edlias. Tivemos atua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nas enchentes de 2024. Hoje, seguimos atendendo centenas de fam\u00edlias durante a semana.\u201d<\/p>\n<p>Outra frente de trabalho \u00e9 o mapeamento dos povos de terreiro da Restinga, realizado em parceria com universidades, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de um livro sobre os 60 anos do bairro. \u201cQueremos que a Restinga seja contada pelos pr\u00f3prios moradores.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9390\" aria-describedby=\"caption-attachment-9390\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9390\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final27-74ccf5cb-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final27-74ccf5cb-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final27-74ccf5cb-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9390\" class=\"wp-caption-text\">Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU) Restinga foi um dos espa\u00e7os conquistados ap\u00f3s anos de reivindica\u00e7\u00e3o | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da for\u00e7a comunit\u00e1ria, o estigma acompanhou a Restinga desde a origem. Para Ventura, a popula\u00e7\u00e3o removida carregou preconceitos que j\u00e1 existiam contra os moradores das vilas negras de Porto Alegre. \u201cQuem morava em vila era visto como vagabundo, bandido, prostituta. Mas quem veio para c\u00e1 era trabalhador, estivador, empregada dom\u00e9stica, gente que construiu Porto Alegre.\u201d<\/p>\n<p>Para a lideran\u00e7a comunit\u00e1ria, a identidade da Restinga est\u00e1 justamente na capacidade de acolher e construir v\u00ednculos. \u201cA Restinga acolhe todo mundo. Tu chega aqui e sente o restingueiro nato. O vizinho conversa com o vizinho. Ela \u00e9 um quilombo porque abra\u00e7a quem chega.\u201d<\/p>\n<p>Durante caminhada pelo bairro, Mestre Ventura aponta antigos pontos de abastecimento de \u00e1gua, locais onde funcionavam estruturas que ajudaram a alimentar as primeiras fam\u00edlias e espa\u00e7os que hoje abrigam escolas, projetos sociais e equipamentos culturais.<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Mem\u00f3ria negra nas ruas<\/h4>\n<p>A disputa pelos territ\u00f3rios negros tamb\u00e9m passa pelo direito de marcar a cidade. Um dos principais exemplos \u00e9 o Mercado P\u00fablico. Historicamente ocupado por trabalhadores negros, o espa\u00e7o abriga o assentamento do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2023\/11\/07\/abertura-do-novembro-negro-celebrou-bara-do-mercado-nesta-segunda-feira-6\/\">Bar\u00e1 do Mercado<\/a>, preservado durante as reformas do pr\u00e9dio gra\u00e7as \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades de terreiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9390\" aria-describedby=\"caption-attachment-9390\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9390\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final27-74ccf5cb-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final27-74ccf5cb-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final27-74ccf5cb-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9390\" class=\"wp-caption-text\">Celebra\u00e7\u00e3o do povo de terreiro junto ao Bar\u00e1 do Mercado, no centro do Mercado P\u00fablico de Porto Alegre | Cr\u00e9dito: Katia Marko<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Iosvaldyr Carvalho Bittencourt destaca que sacerdotes e sacerdotisas das religi\u00f5es de matriz africana realizam rituais no local at\u00e9 hoje, atualizando simbolicamente esse espa\u00e7o sagrado e reafirmando a ancestralidade negra no Centro Hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Essa disputa tamb\u00e9m se expressa no Museu de Percurso do Negro, que re\u00fane marcos como o Bar\u00e1 do Mercado, a Pegada Africana, o Tambor e o Painel Afro-brasileiro, permitindo que moradores e visitantes conhe\u00e7am uma hist\u00f3ria frequentemente silenciada.<\/p>\n<p>Para Sherlen Borges, a presen\u00e7a desses marcos ainda enfrenta barreiras concretas na paisagem urbana. \u201cTem um mural ali na frente do estacionamento do Mercado P\u00fablico que faz parte do Museu de Percurso do Negro, mas as pessoas n\u00e3o sabem. O estacionamento tapa totalmente o mural. \u00c9 uma coisa absurda, porque \u00e9 uma falta de respeito com a mem\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9391\" aria-describedby=\"caption-attachment-9391\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-9391 size-full\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final26-9474c8a0-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final26-9474c8a0-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final26-9474c8a0-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9391\" class=\"wp-caption-text\">Painel Afro-brasileiro, que integra o Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre, hoje frequentemente fica escondido por ve\u00edculos de estacionamento rotativo | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Sujeitos da pr\u00f3pria hist\u00f3ria<\/h4>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o dessas hist\u00f3rias tamb\u00e9m passa pela entrada de pesquisadores negros nas universidades, muitos deles a partir das a\u00e7\u00f5es afirmativas. Borges afirma que essa presen\u00e7a abriu espa\u00e7o para novas leituras sobre a cidade, feitas por quem tamb\u00e9m vive a periferia, as ocupa\u00e7\u00f5es e as disputas por moradia. \u201cAgora n\u00f3s, alunos negros que viemos da periferia, estamos pesquisando, somos arquitetos e temos trabalhado com a periferia, com melhorias habitacionais, com ocupa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>A urbanista ressalta ainda o papel da oralidade na preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria negra. \u201cMuito do que a gente sabe tamb\u00e9m \u00e9 por causa da oralidade. Tudo que a gente sabe \u00e9 porque foi passado pelos mais velhos e foi se perpetuando.\u201d<\/p>\n<p>Para Bittencourt, esse movimento muda o lugar ocupado pela popula\u00e7\u00e3o negra na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. \u201cO negro deixou de ser apenas objeto de pesquisa para se tornar sujeito da pr\u00f3pria hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9392\" aria-describedby=\"caption-attachment-9392\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9392\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final21-294fed14-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final21-294fed14-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final21-294fed14-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9392\" class=\"wp-caption-text\">Tambor amarelo em referencia a Oxum est\u00e1 na pra\u00e7a Brigadeiro Sampaio, ressignificando o local onde ocorriam enforcamentos de escravizados | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes da cria\u00e7\u00e3o do Museu de Percurso do Negro, o movimento social negro j\u00e1 reivindicava espa\u00e7os de mem\u00f3ria, documenta\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura negra. A mobiliza\u00e7\u00e3o envolveu entidades, intelectuais negros e o Centro de Refer\u00eancia Afro-Brasileira (CRAB). A proposta do museu foi apresentada por Porto Alegre a partir do Programa Monumenta, financiado pela Unesco, pelo Minist\u00e9rio da Cultura e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.<\/p>\n<p>A pesquisa identificou pontos fundamentais da mem\u00f3ria negra no Centro Hist\u00f3rico, como a pra\u00e7a Brigadeiro Sampaio, a regi\u00e3o da igreja das Dores, a \u00e1rea das quitandeiras negras, a pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega e o Mercado P\u00fablico, onde est\u00e1 o marco do Bar\u00e1.<\/p>\n<p>Para o pesquisador, esses espa\u00e7os revelam uma presen\u00e7a negra fundamental para a constru\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, cultural e social da Capital. \u201cQuando os escravizados circulam, circula o corpo, circulam ideias, circulam estrat\u00e9gias. \u00c9 por isso que a linguagem, o pensamento e a cultura negra conseguiram se manter.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9393\" aria-describedby=\"caption-attachment-9393\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9393\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final22-2807c8c1-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final22-2807c8c1-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final22-2807c8c1-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9393\" class=\"wp-caption-text\">Onde hoje \u00e9 a Igreja das Dores ficava um pelourinho, onde ocorriam castigos f\u00edsicos, execu\u00e7\u00f5es e a venda de pessoas escravizadas | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dos marcos do Museu de Percurso \u00e9 a Pegada Africana, instalada na pra\u00e7a da Alf\u00e2ndega. A obra faz refer\u00eancia \u00e0 presen\u00e7a africana e ao pan-africanismo. \u201cPouca gente sabe disso. A Pegada Africana n\u00e3o \u00e9 apenas uma marca no ch\u00e3o. Ela faz parte de um conjunto que dialoga com as cores do pan-africanismo e com a presen\u00e7a negra na cidade.\u201d<\/p>\n<p>Ainda assim, o antrop\u00f3logo aponta que falta uma representa\u00e7\u00e3o monumental da popula\u00e7\u00e3o negra na paisagem urbana. \u201cEnquanto a comunidade negra passa por ali, olha para o busto do Rio Branco, do General Os\u00f3rio. N\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o negra muito presente em Porto Alegre, que ajudou a construir esta cidade. N\u00e3o podemos ter tamb\u00e9m nossos her\u00f3is, nossas intelectuais, nossas refer\u00eancias?\u201d Ele cita como exemplos Carlos Santos, Alceu Collares e Oliveira Silveira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_9394\" aria-describedby=\"caption-attachment-9394\" style=\"width: 768px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-9394\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final28-65a3a6b8-768x512-1.webp\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final28-65a3a6b8-768x512-1.webp 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/emenda-poa-final28-65a3a6b8-768x512-1-300x200.webp 300w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-9394\" class=\"wp-caption-text\">Pegada Africana, na Pra\u00e7a da Alfandega, antiga Pra\u00e7a da Quitanda, reafirma os povos afrodescendentes na constru\u00e7\u00e3o e na hist\u00f3ria de Porto Alegre | Cr\u00e9dito: Marcelo Ferreira<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa disputa por refer\u00eancias p\u00fablicas tamb\u00e9m \u00e9 resultado de uma longa organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da popula\u00e7\u00e3o negra. Do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/11\/19\/do-rs-para-o-brasil-a-trajetoria-do-grupo-palmares-na-construcao-do-20-de-novembro\/\">Grupo Palmares<\/a>, respons\u00e1vel por consolidar o 20 de Novembro como marco da luta negra, ao Movimento Negro Unificado e \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, essas mobiliza\u00e7\u00f5es contribu\u00edram para conquistas como as pol\u00edticas de a\u00e7\u00f5es afirmativas, as cotas raciais, o fortalecimento dos clubes sociais negros e o reconhecimento das culturas afro-brasileiras.<\/p>\n<p>Para Bittencourt, o Museu de Percurso do Negro \u00e9 parte dessa trajet\u00f3ria coletiva. \u201cO Museu de Percurso \u00e9 da comunidade negra. \u00c9 uma conquista do movimento social negro.\u201d<\/p>\n<p>Mais do que marcar lugares, o projeto fortalece v\u00ednculos entre passado e presente. \u201cAs crian\u00e7as v\u00eam e se identificam. Jovens, negros, adultos v\u00eam e se identificam. Eles saem fortalecidos na sua identidade, na sua autoestima e ficam curiosos sobre a hist\u00f3ria.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Esta mat\u00e9ria \u00e9 parte das a\u00e7\u00f5es do Projeto \u201cIgualdade e Cultura Negra: Vozes e Territ\u00f3rios\u201d, executado em parceria com o Minist\u00e9rio da Igualdade Racial. O apoio se d\u00e1 conforme o Termo de Fomento n\u00ba 973281, correspondente \u00e0 Meta 6 (Produ\u00e7\u00e3o de Mat\u00e9rias escritas para m\u00eddias digitais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quilombo K\u00e9di, Ilhota, Restinga e Centro Hist\u00f3rico revelam trajet\u00f3rias de expuls\u00e3o, resist\u00eancia e reconstru\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"featured_media":9373,"template":"","categorias_noticias":[],"class_list":["post-9372","noticias","type-noticias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>VOZES E TERRIT\u00d3RIOS | Porto Alegre negra transforma remo\u00e7\u00f5es e apagamento em luta por mem\u00f3ria e direito \u00e0 cidade - Instituto Cultural Padre Josimo<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/vozes-e-territorios-porto-alegre-negra-transforma-remocoes-e-apagamento-em-luta-por-memoria-e-direito-a-cidade\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"VOZES E TERRIT\u00d3RIOS | Porto Alegre negra transforma remo\u00e7\u00f5es e apagamento em luta por mem\u00f3ria e direito \u00e0 cidade - 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