{"id":8563,"date":"2026-01-24T08:41:23","date_gmt":"2026-01-24T11:41:23","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=noticias&#038;p=8563"},"modified":"2026-01-24T08:41:23","modified_gmt":"2026-01-24T11:41:23","slug":"vozes-e-territorios-economia-solidaria-fortalece-autonomia-e-renda-de-mulheres-negras-no-rio-grande-do-sul","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/vozes-e-territorios-economia-solidaria-fortalece-autonomia-e-renda-de-mulheres-negras-no-rio-grande-do-sul\/","title":{"rendered":"VOZES E TERRIT\u00d3RIOS | Economia solid\u00e1ria fortalece autonomia e renda de mulheres negras no Rio Grande do Sul"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p><b><i>Iniciativas coletivas ampliam oportunidades de venda e forma\u00e7\u00e3o para enfrentar desigualdades em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos<\/i><\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_8567\" aria-describedby=\"caption-attachment-8567\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-8567\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8567\" class=\"wp-caption-text\">Al\u00e9m de organizar redes de empreendedorismo, F\u00f3rum Estadual das Mulheres Negras da Economia Popular Solid\u00e1ria (Fespope) conta com loja no centro de Porto Alegre | Foto Rafa Dotti<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Inspiradas na filosofia africana Ubuntu, \u201ceu sou porque n\u00f3s somos\u201d, mulheres negras do Rio Grande do Sul constroem, h\u00e1 anos, alternativas coletivas de gera\u00e7\u00e3o de renda, autonomia econ\u00f4mica e enfrentamento \u00e0s desigualdades estruturais. A atua\u00e7\u00e3o da Rede Ubuntu, do F\u00f3rum Estadual das Mulheres Negras da Economia Popular Solid\u00e1ria (Fespope) e de iniciativas como o projeto Economia Popular Solid\u00e1ria com Mulheres Negras: Empoderamento e Bem Comum revela como a economia solid\u00e1ria tem sido instrumento de sobreviv\u00eancia, resist\u00eancia e emancipa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Integrante da coordena\u00e7\u00e3o do Fespope, Gilciane Neves, a Gil, explica que a Rede Ubuntu surgiu da necessidade de impulsionar empreendimentos da economia popular solid\u00e1ria, especialmente de mulheres negras, povos tradicionais e comunidades perif\u00e9ricas. \u201cA Rede foi constru\u00edda coletivamente como um espa\u00e7o de coopera\u00e7\u00e3o, troca de saberes e fortalecimento econ\u00f4mico\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo Gil, essa constru\u00e7\u00e3o coletiva possibilitou acesso a mercados, visibilidade para produtos e servi\u00e7os e a venda direta, sem atravessadores. \u201cA economia pode ser um instrumento de emancipa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o apenas de sobreviv\u00eancia. Muitas mulheres passaram a complementar ou garantir a renda familiar por meio de feiras e a\u00e7\u00f5es coletivas e da divulga\u00e7\u00e3o em rede\u201d, destaca.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Menores sal\u00e1rios e alta informalidade entre mulheres negras<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dados do boletim especial \u201cMulheres negras acumulam fun\u00e7\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es no trabalho\u201d, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) e divulgado em 2025, revelam a dimens\u00e3o das desigualdades enfrentadas por mulheres negras no Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, 24 milh\u00f5es de lares s\u00e3o chefiados por mulheres negras, que recebem, em m\u00e9dia, 53% menos que os homens brancos. Essa diferen\u00e7a representa R$ 30,8 mil a menos por ano no rendimento dessas trabalhadoras. Entre pessoas ocupadas com ensino superior, a desigualdade \u00e9 ainda maior, com uma diferen\u00e7a m\u00e9dia anual de R$ 58 mil. Al\u00e9m disso, 39% das trabalhadoras negras est\u00e3o na informalidade, sem acesso a direitos trabalhistas. <\/span><a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimespecial\/2025\/conscienciaNegra.pdf\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimespecial\/2025\/conscienciaNegra.pdf<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Economia solid\u00e1ria como estrat\u00e9gia de sobreviv\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_8564\" aria-describedby=\"caption-attachment-8564\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-8564\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.15-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.15-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.15-300x200.jpeg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.15-768x512.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.15-1536x1023.jpeg 1536w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.15.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8564\" class=\"wp-caption-text\">Artesanato refor\u00e7a ancestralidade | Foto: Rafa Dotti<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Diante desse cen\u00e1rio, a economia solid\u00e1ria tem papel central na gera\u00e7\u00e3o de renda e na sustenta\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias. O Dia Nacional da Economia Solid\u00e1ria, celebrado em 15 de dezembro, foi institu\u00eddo pela Lei n\u00ba 13.928\/2019. J\u00e1 a Lei n\u00ba 15.068\/2024 criou a Pol\u00edtica Nacional de Economia Solid\u00e1ria, estabelecendo um marco regulat\u00f3rio voltado \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do acesso a cr\u00e9dito e ao fomento de cooperativas e associa\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Relat\u00f3rio Sem Parar 2025, elaborado pela Sempreviva Organiza\u00e7\u00e3o Feminista (SOF), em parceria com a G\u00eanero e N\u00famero e com apoio do Minist\u00e9rio das Mulheres, aponta que 80% das mulheres que vivem da economia solid\u00e1ria s\u00e3o as principais respons\u00e1veis pela renda familiar. A pesquisa tamb\u00e9m retoma dados de 2020, quando 61% das mulheres participantes da economia solid\u00e1ria eram negras.\u00a0 <\/span><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/2025\/dezembro\/dia-nacional-da-economia-solidaria-destaca-papel-das-mulheres-na-geracao-de-renda-e-no-cuidado-comunitario\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.gov.br\/mulheres\/pt-br\/central-de-conteudos\/noticias\/2025\/dezembro\/dia-nacional-da-economia-solidaria-destaca-papel-das-mulheres-na-geracao-de-renda-e-no-cuidado-comunitario<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo o Sebrae, mulheres negras representam <\/span><a href=\"https:\/\/sebrae.com.br\/sites\/PortalSebrae\/conteudos\/posts\/os-desafios-sempre-presentes-na-vida-das-empreendedoras-negras,0f2c4c4c22456810VgnVCM1000001b00320aRCRD\"><span style=\"font-weight: 400;\">24% dos empreendedores<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As reivindica\u00e7\u00f5es do Manifesto Econ\u00f4mico da Marcha das Mulheres Negras 2025 refor\u00e7am esse diagn\u00f3stico ao defender o fortalecimento do empreendedorismo negro e a expans\u00e3o da economia solid\u00e1ria. O documento destaca que mulheres negras constroem estrat\u00e9gias pr\u00f3prias de sobreviv\u00eancia e sustenta\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria por meio da formaliza\u00e7\u00e3o de pequenos empreendimentos e da organiza\u00e7\u00e3o de redes solid\u00e1rias, e afirma que cabe ao Estado reconhecer e apoiar essas iniciativas com financiamento, forma\u00e7\u00e3o, tecnologia e canais de comercializa\u00e7\u00e3o, valorizando cooperativas, associa\u00e7\u00f5es e experi\u00eancias comunit\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Rede de apoio em tempos de crise<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Durante a pandemia da covid-19, a Rede Ubuntu teve papel central na manuten\u00e7\u00e3o da renda de in\u00fameras fam\u00edlias. Com a suspens\u00e3o das feiras presenciais, as mulheres organizaram feiras virtuais, vendas pelas redes sociais e estrat\u00e9gias coletivas de entrega. \u201cEsse apoio foi essencial para mulheres que perderam empregos formais ou ficaram sem renda\u201d, relembra Gil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela ressalta que a rede segue sendo estrat\u00e9gica no cen\u00e1rio atual. \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas um grupo de WhatsApp ou um espa\u00e7o de venda. \u00c9 um espa\u00e7o de apoio emocional, forma\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia coletiva diante das desigualdades estruturais\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_8565\" aria-describedby=\"caption-attachment-8565\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-8565\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-3-1024x726.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"567\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-3-1024x726.jpeg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-3-300x213.jpeg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-3-768x544.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-3-1536x1089.jpeg 1536w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-3.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8565\" class=\"wp-caption-text\">\u201cN\u00e3o existe empoderamento das mulheres sem empoderamento econ\u00f4mico\u201d, avalia Gil | Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Autonomia econ\u00f4mica como ferramenta de liberta\u00e7\u00e3o<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a militante, a economia solid\u00e1ria contribui diretamente para a autonomia econ\u00f4mica das mulheres negras. \u201cTer uma fonte pr\u00f3pria de renda significa independ\u00eancia, poder de decis\u00e3o e dignidade. A autonomia econ\u00f4mica nos protege de rela\u00e7\u00f5es abusivas, fortalece nossa autoestima e amplia nosso poder de escolha\u201d, diz. Para ela, n\u00e3o h\u00e1 empoderamento poss\u00edvel sem independ\u00eancia financeira. \u201cN\u00e3o existe empoderamento das mulheres sem empoderamento econ\u00f4mico.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No Rio Grande do Sul, estado marcado por profundas desigualdades raciais, o empreendedorismo negro e a economia popular solid\u00e1ria cumprem papel central no enfrentamento dessas assimetrias. \u201cEsse modelo valoriza saberes ancestrais, a cultura negra, o trabalho coletivo e a justi\u00e7a social. Diferente do empreendedorismo tradicional, que prioriza o lucro individual, a economia solid\u00e1ria trabalha com coopera\u00e7\u00e3o, autogest\u00e3o, com\u00e9rcio justo e divis\u00e3o de saberes. Aqui ningu\u00e9m cresce sozinho. Crescemos juntas\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Uma trajet\u00f3ria constru\u00edda na organiza\u00e7\u00e3o popular<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A caminhada de Gil na economia solid\u00e1ria come\u00e7ou em 2002, na Vila Cruzeiro, em Porto Alegre, a partir da Organiza\u00e7\u00e3o de Mulheres Negras Maria Mulher. Desempregada \u00e0 \u00e9poca e cansada das viol\u00eancias vividas como trabalhadora dom\u00e9stica, ela encontrou na organiza\u00e7\u00e3o coletiva uma alternativa concreta de vida. \u201cAs mulheres precisavam trabalhar de dia para comer de noite. N\u00e3o conseguiam ficar s\u00f3 estudando. Foi a\u00ed que conheci a economia solid\u00e1ria como alternativa de gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 2003, participou da cria\u00e7\u00e3o da primeira feira de economia popular solid\u00e1ria da Grande Vila Cruzeiro, periferia de Porto Alegre, reunindo artesanato, bijuterias, brech\u00f3 e atra\u00e7\u00f5es culturais. Desde ent\u00e3o, segue atuando na constru\u00e7\u00e3o dessa economia. \u201cCriei meus tr\u00eas filhos a partir do trabalho autogestionado, cooperado e organizado. Acredito que \u00e9 poss\u00edvel uma outra economia, com menos explora\u00e7\u00e3o e mais respeito \u00e0s pessoas\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Fespope: coletividade, forma\u00e7\u00e3o e visibilidade<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O Fespope surge da organiza\u00e7\u00e3o coletiva de mulheres negras de diferentes territ\u00f3rios do estado. O espa\u00e7o atua na articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, forma\u00e7\u00e3o, defesa de direitos e amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0s pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201c\u00c9 um espa\u00e7o de resist\u00eancia, empoderamento, constru\u00e7\u00e3o de futuro e valoriza\u00e7\u00e3o financeira do nosso trabalho\u201d, define Gil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente, o f\u00f3rum re\u00fane cerca de 60 mulheres. Parte delas integra a Loja Fespope, espa\u00e7o colaborativo no centro da capital ga\u00facha coordenado por artes\u00e3s como Lisbete do Santos Pinheiro, tamb\u00e9m integrante da coordena\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Economia solid\u00e1ria como aprendizado coletivo<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_8568\" aria-describedby=\"caption-attachment-8568\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-8568\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1024x682.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-300x200.jpeg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-768x512.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2048x1365.jpeg 2048w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8568\" class=\"wp-caption-text\">\u201cTudo fica mais f\u00e1cil quando estamos em coletividade\u201d, afirma Lisbete do Santos Pinheiro | Rafa Dotti<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Artes\u00e3 h\u00e1 mais de 35 anos, Pinheiro afirma que a economia solid\u00e1ria transformou profundamente sua forma de compreender o trabalho e o empreendedorismo. Embora conhe\u00e7a esse modelo h\u00e1 mais de 20 anos, ela destaca que o aprendizado acontece de forma gradual, a partir da viv\u00eancia coletiva. \u201c\u00c9 tudo um processo. Aos poucos, a gente vai entendendo o quanto a coletividade te fortalece, o quanto cria novas oportunidades e o quanto a troca de saberes, e at\u00e9 de problemas e dificuldades, facilita tudo\u201d, relata.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi esse entendimento que levou a artes\u00e3 a deixar o trabalho individual no Brique da Reden\u00e7\u00e3o para se dedicar integralmente \u00e0 economia solid\u00e1ria. Para ela, a for\u00e7a da coletividade amplia possibilidades que dificilmente seriam alcan\u00e7adas de forma isolada. \u201cTudo fica mais f\u00e1cil quando estamos em coletividade\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pinheiro tamb\u00e9m aponta que a economia solid\u00e1ria se coloca como um contraponto direto ao sistema econ\u00f4mico tradicional. \u201c\u00c9 um sistema que n\u00e3o valoriza o trabalhador, n\u00e3o valoriza o meio ambiente e n\u00e3o entende que somos um ciclo que precisa ser trabalhado em conjunto para que todo mundo cres\u00e7a\u201d, avalia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ela relembra ainda a constru\u00e7\u00e3o do Fespope, idealizado por ela, Gilciane e outras mulheres negras, e destaca um dos momentos mais simb\u00f3licos do fortalecimento coletivo: o primeiro Novembro Negro organizado pelo F\u00f3rum. \u201cConseguimos cerca de 100 espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o para as mulheres. Sozinhas, isso n\u00e3o seria poss\u00edvel. A gente se dividiu, botou mesa aqui, botou produto ali, e assim fomos criando novas possibilidades\u201d, conta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para Pinheiro, o principal ensinamento da economia solid\u00e1ria \u00e9 crescer de forma coletiva, compartilhando saberes, fortalecendo redes e valorizando o trabalho. \u201cA economia solid\u00e1ria te agrega, te d\u00e1 novas possibilidades de crescer e te fortalece enquanto grupo\u201d, conclui.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Desafios e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Apesar dos avan\u00e7os, o cen\u00e1rio do empreendedorismo negro no Rio Grande do Sul ainda \u00e9 marcado por obst\u00e1culos estruturais, como a dificuldade de acesso a cr\u00e9dito, a precariedade das pol\u00edticas p\u00fablicas e os desafios de mobilidade enfrentados por mulheres que vivem em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, o projeto Economia Popular Solid\u00e1ria com Mulheres Negras: Empoderamento e Bem Comum, desenvolvido pelo Centro de Assessoria Multiprofissional (CAMP), atua para fortalecer o protagonismo econ\u00f4mico das mulheres negras por meio de forma\u00e7\u00f5es, acesso a equipamentos, insumos e feiras em \u00e1reas centrais da cidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Os resultados j\u00e1 s\u00e3o vis\u00edveis. Participantes relataram que a produ\u00e7\u00e3o com os equipamentos adquiridos aumentou, a renda melhorou e as redes de apoio entre comunidades ampliaram. A principal reivindica\u00e7\u00e3o, agora, \u00e9 a continuidade das a\u00e7\u00f5es, partindo do princ\u00edpio de que forma\u00e7\u00e3o permanente e espa\u00e7os de venda s\u00e3o fundamentais para garantir a sustentabilidade dos empreendimentos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Economia solid\u00e1ria como emancipa\u00e7\u00e3o para mulheres negras<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_8566\" aria-describedby=\"caption-attachment-8566\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-8566 size-large\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2-1024x683.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2-1024x683.jpeg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2-300x200.jpeg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2-768x512.jpeg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/WhatsApp-Image-2026-01-23-at-12.19.13-2.jpeg 1599w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-8566\" class=\"wp-caption-text\">\u201cLutamos todos os dias para nos manter no caminho da autonomia\u201d, diz Thayna Brasil | Arquivo pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A empreendedora Thayna Brasil, da iniciativa Kuumba &amp; Gest\u00e3o, avalia que o empreendedorismo entre mulheres negras no Rio Grande do Sul ainda \u00e9 pouco valorizado, apesar da exist\u00eancia de diversos coletivos que fomentam o setor. Segundo ela, a posi\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das mulheres negras na base da pir\u00e2mide social faz com que suas capacidades sejam frequentemente descredibilizadas, mesmo sendo o povo negro, em suas palavras, \u201cum povo que sempre empreendeu\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao relatar sua experi\u00eancia, Brasil afirma que, ao buscar recursos e pol\u00edticas p\u00fablicas, mulheres negras raramente est\u00e3o entre as primeiras a serem atendidas e que a defesa da pauta racial continua sendo questionada em muitos espa\u00e7os. Para ela, o principal impacto desse cen\u00e1rio \u00e9 o racismo estrutural cotidiano, que leva muitas a desistirem de se desenvolver ou at\u00e9 mesmo de permanecer na luta. \u201cLutamos todos os dias para nos manter no caminho da autonomia\u201d, resume.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A empreendedora reconhece que, em certa medida, mulheres negras t\u00eam conseguido ocupar espa\u00e7os de lideran\u00e7a e visibilidade, mas ressalta que os desafios s\u00e3o di\u00e1rios para se manterem nesses locais e, muitas vezes, para serem ouvidas. Brasil defende a amplia\u00e7\u00e3o da vis\u00e3o sobre o setor: para ela, \u00e9 preciso ir \u201cal\u00e9m de um c\u00edrculo\u201d e compreender o conjunto das necessidades, apostando na uni\u00e3o para que todas possam alcan\u00e7ar ao menos uma estabilidade, seja financeira ou no entendimento sobre seus pr\u00f3prios neg\u00f3cios.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, a empreendedora aponta a Economia Popular Solid\u00e1ria como uma forma distinta de desenvolvimento, capaz de \u201ctrazer leveza ao trabalho e fortalecer a gera\u00e7\u00e3o de renda\u201d. Ela diferencia a condi\u00e7\u00e3o de ser aut\u00f4noma da compreens\u00e3o plena da autonomia sobre o pr\u00f3prio empreendimento e afirma que esse modelo \u00e9 fundamental para a sobreviv\u00eancia e a emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres negras, historicamente mais afetadas pelas barreiras de acesso ao mercado formal em raz\u00e3o da interseccionalidade de g\u00eanero e ra\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para a empreendedora, a principal diferen\u00e7a est\u00e1 na humaniza\u00e7\u00e3o do trabalho. No empreendedorismo tradicional, observa, a mulher negra frequentemente \u201cempreende por necessidade\u201d, de forma isolada, assumindo sozinha os riscos e enfrentando juros mais altos e pouco, ou nenhum, acesso a cr\u00e9dito. J\u00e1 na Economia Popular Solid\u00e1ria, o trabalho \u00e9 entendido como um ato social e pol\u00edtico, que politiza a economia ao incluir pautas como o reconhecimento do trabalho dom\u00e9stico, invisibilizado no mercado convencional, e a valoriza\u00e7\u00e3o das identidades culturais e ancestrais como formas de resist\u00eancia e dignidade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Brasil tamb\u00e9m relata que o aprendizado cont\u00ednuo sobre esse modelo a levou a repensar pr\u00e1ticas herdadas do empreendedorismo tradicional, destacando a mudan\u00e7a de h\u00e1bitos como elemento central desse processo. Segundo ela, isso impactou sua forma de produzir e tamb\u00e9m sua atua\u00e7\u00e3o como educadora, permitindo que compartilhe o conhecimento com clientes e alunos, que passam a se familiarizar com o modo de trabalho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Empreendendo formalmente desde 2014, Brasil conta que iniciou sua trajet\u00f3ria como consultora de beleza, a partir da \u00e1rea da est\u00e9tica, aliada \u00e0 gest\u00e3o de neg\u00f3cios. Atualmente, atua com consultorias voltadas \u00e0 consci\u00eancia financeira para empreendimentos, trabalha com o terceiro setor com base em sua forma\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Cont\u00e1beis e tamb\u00e9m realiza customiza\u00e7\u00e3o de roupas e produ\u00e7\u00e3o de artesanato. As vendas, segundo ela, acontecem principalmente por indica\u00e7\u00e3o, participa\u00e7\u00e3o em feiras e pelas redes sociais.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/25\/mulheres-negras-compartilham-saberes-e-constroem-caminhos-sustentaveis-no-rs\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2025\/07\/25\/mulheres-negras-compartilham-saberes-e-constroem-caminhos-sustentaveis-no-rs\/<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p>Esta mat\u00e9ria \u00e9 parte das a\u00e7\u00f5es do Projeto \u201cIgualdade e Cultura Negra: Vozes e Territ\u00f3rios\u201d, executado em parceria com o Minist\u00e9rio da Igualdade Racial. O apoio se d\u00e1 conforme o Termo de Fomento n\u00ba 973281, correspondente \u00e0 Meta 6 (Produ\u00e7\u00e3o de Mat\u00e9rias escritas para m\u00eddias digitais).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Iniciativas coletivas ampliam oportunidades de venda e forma\u00e7\u00e3o para enfrentar desigualdades em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos<\/p>\n","protected":false},"featured_media":8567,"template":"","categorias_noticias":[],"class_list":["post-8563","noticias","type-noticias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>VOZES E TERRIT\u00d3RIOS | Economia solid\u00e1ria fortalece autonomia e renda de mulheres negras no Rio Grande do Sul - Instituto Cultural Padre Josimo<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/vozes-e-territorios-economia-solidaria-fortalece-autonomia-e-renda-de-mulheres-negras-no-rio-grande-do-sul\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"VOZES E TERRIT\u00d3RIOS | Economia solid\u00e1ria fortalece autonomia e renda de mulheres negras no Rio Grande do Sul - 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