{"id":811,"date":"2018-02-16T09:00:46","date_gmt":"2018-02-16T11:00:46","guid":{"rendered":"http:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=noticias&#038;p=811"},"modified":"2018-02-16T09:02:04","modified_gmt":"2018-02-16T11:02:04","slug":"o-outro-lado-da-terra-do-carvao-assentamentos-do-mst-agroecologia-e-vidas-recuperadas","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/o-outro-lado-da-terra-do-carvao-assentamentos-do-mst-agroecologia-e-vidas-recuperadas\/","title":{"rendered":"O outro lado da terra do carv\u00e3o: assentamentos do MST, agroecologia e vidas recuperadas"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_406164\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<p>Publicado originalmente em <a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/ultimas-noticias\/geral\/2018\/02\/o-outro-lado-da-terra-do-carvao-assentamentos-do-mst-agroecologia-e-vidas-recuperadas\/\">Sul21.<\/a><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_406164\" aria-describedby=\"caption-attachment-406164\" style=\"width: 838px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406164 size-full\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-091816410-11.jpg\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-091816410-11.jpg 838w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-091816410-11-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-091816410-11-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-091816410-11-768x550.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"838\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406164\" class=\"wp-caption-text\">Viveiro de mudas de \u00e1rvore nativas, no assentamento Conquista da Fronteira. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p><strong>Marco Weissheimer<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o de Candiota, munic\u00edpio localizado na metade sul do Rio Grande do Sul, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com o Uruguai, \u00e9 conhecida por abrigar a maior jazida de carv\u00e3o do pa\u00eds, com mais de 1 bilh\u00e3o de toneladas do min\u00e9rio. \u00c9 a terra do carv\u00e3o. Quem trafega hoje pela BR 293, na regi\u00e3o de Seival, em Candiota, tem essa impress\u00e3o refor\u00e7ada ao se deparar com as imponentes obras de constru\u00e7\u00e3o da Usina Termel\u00e9trica Pampa Sul. No in\u00edcio da manh\u00e3 do dia 6 de fevereiro, centenas de funcion\u00e1rios entravam no canteiro de obras para mais um dia de trabalho. Muitos deles, chineses. A presen\u00e7a da m\u00e3o de obra e do capital chin\u00eas \u00e9 ilustrada por placas bil\u00edng\u00fces (em portugu\u00eas e mandarim), bandeiras e outros materiais de sinaliza\u00e7\u00e3o em torno da obra. Prevista para entrar em opera\u00e7\u00e3o em 2019, a nova usina est\u00e1 sendo constru\u00edda pelo grupo Engie (antiga Tractebel) com tecnologia da empresa chinesa SDEPCI.<\/p>\n<p>No entanto, nem tudo \u00e9 carv\u00e3o em Candiota e regi\u00e3o. Do outro lado da BR 293, na mesma \u00e1rea onde est\u00e1 sendo constru\u00edda a Pampa Sul, um cen\u00e1rio marcado por centenas de mudas de \u00e1rvores nativas indica a exist\u00eancia de outra matriz econ\u00f4mica e modelo de produ\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, que n\u00e3o tem a mesma fama da minera\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o, mas vem construindo pr\u00e1ticas agroecol\u00f3gicas e agroindustriais que buscam outro padr\u00e3o de desenvolvimento. As mudas de \u00e1rvores nativas s\u00e3o produzidas pelos assentamentos de Reforma Agr\u00e1ria, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que come\u00e7aram a ser implementados na regi\u00e3o no final da d\u00e9cada de 1980. O plantio das mudas faz parte do plano de compensa\u00e7\u00e3o ambiental que a Engie tem que executar para minimizar o impacto das obras de constru\u00e7\u00e3o da usina.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406145\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<figure id=\"attachment_406145\" aria-describedby=\"caption-attachment-406145\" style=\"width: 840px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-406145 size-full\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-07.jpg\" sizes=\"(max-width: 840px) 100vw, 840px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-07.jpg 840w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-07-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-07-600x429.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-07-768x549.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"840\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406145\" class=\"wp-caption-text\">Obras da usina termel\u00e9trica Pampa Sul, que est\u00e1 sendo constru\u00edda na regi\u00e3o do Seival. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o de mudas de \u00e1rvores nativas, o mundo dos assentamentos espalhados pelos territ\u00f3rios de Candiota, Hulha Negra e Acegu\u00e1 est\u00e1 associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sementes agroecol\u00f3gicas, \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de sementes crioulas, a agroind\u00fastrias familiares, ao cultivo de plantas medicinais, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de leite, milho, soja (incluindo um experimento com soja convencional, n\u00e3o transg\u00eanica), entre outras culturas. Em meio a muitas precariedades de infra-estrutura, como estradas de ch\u00e3o cobertas de pedregulhos, que prejudicam o escoamento da produ\u00e7\u00e3o, e um cr\u00edtico abastecimento de \u00e1gua, \u00e9 um mundo que valoriza a cria\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de vidas e saberes tradicionais, materializando a abertura de novos caminhos para pessoas que tinham a vida marcada pela aus\u00eancia de futuro.<\/p>\n<p>Esse territ\u00f3rio encravado na \u201cterra do carv\u00e3o\u201d abrange um total de 56 assentamentos que atingem um total de 47 mil hectares nos munic\u00edpios de Candiota, Hulha Negra e Acegu\u00e1. Ao todo, s\u00e3o cerca de 1860 fam\u00edlias assentadas, vindas, em sua maioria, da regi\u00e3o norte do Rio Grande do Sul, que foi palco, desde 1979, de enfrentamentos motivados pela agenda da Reforma Agr\u00e1ria. Os primeiros anos dos primeiros assentamentos foram vividos sob lonas e barracas, como nos acampamentos, sem energia el\u00e9trica, moradias ou abastecimento de \u00e1gua. As primeiras noites foram repletas de escurid\u00e3o. Os primeiros dias, de incerteza sobre o futuro daquela empreitada. Quem visita a realidade desses assentamentos hoje dificilmente consegue vislumbrar o caminho que percorreram para chegar ao que existe hoje.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406148\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<figure id=\"attachment_406148\" aria-describedby=\"caption-attachment-406148\" style=\"width: 838px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-406148 size-full\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-102019051-04.jpg\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-102019051-04.jpg 838w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-102019051-04-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-102019051-04-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-102019051-04-768x550.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"838\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406148\" class=\"wp-caption-text\">Bionatur produz entre 100 e 150 toneladas de sementes agroecol\u00f3gicas ao ano. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure class=\"wp-caption aligncenter\"><strong>Sementes agroecol\u00f3gicas para alimentos saud\u00e1veis<\/strong><\/figure>\n<p>Um dos principais cart\u00f5es de visita dos assentamentos do MST na regi\u00e3o \u00e9 a Bionatur Sementes Agroecol\u00f3gicas que, em 2017, completou 20 anos de vida.\u00a0No final da d\u00e9cada de 90, os assentados j\u00e1 vendiam sementes para grandes empresas privadas. Era uma \u00e9poca de crise, conta Anderson Ardenchy, diretor administrativo da Bionatur, e a venda de sementes era um meio de sobreviv\u00eancia. At\u00e9 que sofreram um calote por parte de algumas dessas empresas. \u201cAl\u00e9m do calote, as empresas exigiam que se colocasse muito veneno e o pessoal j\u00e1 n\u00e3o estava muito de acordo com essa vis\u00e3o. As doze fam\u00edlias que estavam dedicadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sementes se reuniram e decidiram criar a Bionatur. Ela come\u00e7ou como um setor dentro da Cooperal, uma cooperativa produtora de leite, com o objetivo de produzir sementes agroecol\u00f3gicas. No in\u00edcio, a produ\u00e7\u00e3o era mais voltada para a alimenta\u00e7\u00e3o mesmo. O que sobrava era entregue para a Bionatur\u201d.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, relata ainda Anderson, foi aumentando o n\u00famero de fam\u00edlias dedicadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sementes agroecol\u00f3gicas e a Bionatur ganhou personalidade jur\u00eddica \u2013 a Cooperativa Agroecol\u00f3gica Nacional Terra e Vida (Conaterra) \u2013 e uma sede pr\u00f3pria, em Candiota. Hoje, 200 fam\u00edlias assentadas produzem em m\u00e9dia 100 a 150 toneladas ao ano de aproximadamente 200 variedades de sementes varietais e crioulas no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. O cat\u00e1logo de produ\u00e7\u00e3o da Bionatur inclui variedades de sementes de alface, tomate cereja, salsa, cenoura, cebola, pimenta, berinjela, couve, mostarda, r\u00facula, melancia, ab\u00f3bora, moranga, mel\u00e3o, abobrinha caseira, abobrinha redonda, couve br\u00f3colis, repolho, coentro e jil\u00f3, entre outras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406147\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<figure id=\"attachment_406147\" aria-describedby=\"caption-attachment-406147\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406147\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-101918717-19-600x430.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-101918717-19-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-101918717-19-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-101918717-19-768x550.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-101918717-19.jpg 838w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"286\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406147\" class=\"wp-caption-text\">Anderson Ardenchy: Bionatur \u00e9 uma trincheira de resist\u00eancia. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>\u201cA Bionatur sempre foi vista como uma trincheira de resist\u00eancia que h\u00e1 vinte anos vem se mantendo e desenvolvendo a produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica de sementes, para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de qualidade e sem agrot\u00f3xicos. N\u00e3o s\u00f3 se mantendo como crescendo. Estamos ampliando os nossos grupos de produ\u00e7\u00e3o. Hoje, estamos em Hulha Negra, Candiota, Piratini, Pinheiro Machado, Cangu\u00e7u, entre outras regi\u00f5es do Estado. H\u00e1 dois anos, temos grupos de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m no sul e no norte de Minas Gerais e, agora, estamos tentando expandir para Esp\u00edrito Santo, Bahia e outros estados\u201d, relata Anderson.<\/p>\n<p><strong>A hist\u00f3ria de Ol\u00e1lia<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da simbologia de resist\u00eancia e de constru\u00e7\u00e3o de alternativas ao modelo de agricultura baseado no uso intensivo de agrot\u00f3xicos, os assentamentos tamb\u00e9m carregam hist\u00f3rias de vida recuperadas do abandono e da viol\u00eancia. Ol\u00e1lia F\u00e1tima da Silva, a Cocota, como \u00e9 conhecida desde os tempos de acampamento, \u00e9 um exemplo disso. Na d\u00e9cada de 1990, Ol\u00e1lia participava dos movimentos de luta por moradia em Santa Maria. Ela ajudou a organizar uma grande ocupa\u00e7\u00e3o urbana no munic\u00edpio, numa \u00e1rea onde hoje h\u00e1 5.800 fam\u00edlias assentadas. Mas a luta social veio acompanhada de muita viol\u00eancia dom\u00e9stica, fato que fez com que ela decidisse criar suas filhas sozinha.<\/p>\n<p>\u201cMinha fam\u00edlia sofreu muita viol\u00eancia dom\u00e9stica, minha m\u00e3e, minhas irm\u00e3s. Eu sempre via tamb\u00e9m os homens b\u00eabados batendo nas vizinhas. Eu decidi viver sozinha e ter duas filhas. E tive duas filhas. Mas junto com a luta social, n\u00e3o tem como controlar tudo. Eu trabalhava fora como empregada dom\u00e9stica e ajudava a organizar as lutas dos movimentos sociais\u201d, relata.<\/p>\n<p>Essa realidade come\u00e7ou a mudar, conta Ol\u00e1lia, quando ela conheceu Cedenir de Oliveira, uma das lideran\u00e7as do MST no Rio Grande do Sul. Ele convidou-a a ir para um acampamento do movimento e lutar por um peda\u00e7o de terra. \u201cEu comecei a pensar, terra e casa, essa combina\u00e7\u00e3o me soou bem no ouvido. Era tudo o que eu precisava. A minha filha mais velha j\u00e1 estava com 14 anos na \u00e9poca e come\u00e7ou a se envolver com o tr\u00e1fico. Eu n\u00e3o tinha tempo de ficar cuidando delas. Tinha que trabalhar para elas comer. O tr\u00e1fico tamb\u00e9m come\u00e7ou a entrar na ocupa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 hoje, quem tem o poder nas periferias das grandes cidades \u00e9 o tr\u00e1fico. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade pra ningu\u00e9m. Neste momento, o companheiro Cedenir me convidou para ir para o Movimento Sem Terra. Um dia, eu olhei pra minha filha e disse: n\u00f3s vamos embora daqui\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406149\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<figure id=\"attachment_406149\" aria-describedby=\"caption-attachment-406149\" style=\"width: 838px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406149 size-full\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-113642973-06.jpg\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-113642973-06.jpg 838w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-113642973-06-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-113642973-06-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-113642973-06-768x550.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"838\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406149\" class=\"wp-caption-text\">Ol\u00e1lia F\u00e1tima da Silva: A gente tem tudo isso que tu est\u00e1 vendo aqui. Pode parecer t\u00e3o pouco, mas \u00e9 muito. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>Em 1999, ela foi para um acampamento em Palmeira das Miss\u00f5es e iniciou uma nova etapa em sua vida que culminou na conquista da terra e da casa no assentamento Conquista dos Cerros. \u201cFoi um per\u00edodo muito dif\u00edcil. Eu quase me acabei, mas sou muito forte, sou negra. Quem ag\u00fcentou a senzala ag\u00fcenta o tranco e a luta. Uma m\u00e3e \u00e9 uma leoa. Eu sa\u00ed de l\u00e1 (de Santa Maria) por causa da minha filha\u201d. Ol\u00e1lia lembra que, quando chegou no assentamento, em mar\u00e7o de 2001, iniciou outra batalha. \u201cA estrada que vinha pra c\u00e1 era por dentro da mina, que est\u00e1 fechada hoje. A gente veio para c\u00e1 na carroceria de um caminh\u00e3o. Eu estava gr\u00e1vida do meu guri mais velho que, nasceu aqui, e depois de muita conversa o motorista me deixou ir na cabine. A\u00ed come\u00e7ou a parte boa da hist\u00f3ria. Na \u00e9poca, Ol\u00edvio (Dutra) era o governador e tinha todo um aparato da reforma agr\u00e1ria. No primeiro dia que chegamos aqui tomamos um susto. Tinha uns 20 t\u00e9cnicos trabalhando em projetos para o assentamento\u201d.<\/p>\n<p>Hoje, ela celebra o que conquistou nesta caminhada. \u201cA gente tem tudo isso que tu est\u00e1 vendo aqui. Pode parecer t\u00e3o pouco, mas \u00e9 muito. \u00c9 uma muita diferen\u00e7a muito grande ter tudo isso aqui l\u00e1 na favela e ter aqui. Quando eu morava na cidade, com o pouco sal\u00e1rio que tinha, \u00e0s vezes chegada do servi\u00e7o e n\u00e3o tinha o que comer. Agora estou vivendo a posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Fico permanentemente reclamando do excedente de alimenta\u00e7\u00e3o que tem que jogar para os animais\u201d. Ol\u00e1lia produz doces, molho de tomate, p\u00e3es caseiros, queijo, sementes para a Bionatura, cultiva rosas, pimentas, hortali\u00e7as, morangos e feij\u00f5es, entre outros cultivos. Al\u00e9m de garantir uma fartura de alimento para a fam\u00edlia, toda essa produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 comercializada em feiras e entre os vizinhos do assentamento.<\/p>\n<p><strong>A aposta na diversifica\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_406153\" class=\"wp-caption alignright\">\n<figure id=\"attachment_406153\" aria-describedby=\"caption-attachment-406153\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406153\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-141334103-05.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-141334103-05.jpg 838w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-141334103-05-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-141334103-05-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-141334103-05-768x550.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"286\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406153\" class=\"wp-caption-text\">Amarildo: Cerca de 700 colmeias com uma produ\u00e7\u00e3o de 10 a 15 toneladas de mel\/ano. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>A hist\u00f3ria de Amarildo Antonio Zanovello remonta a 1989, ano em que foi assentado em Hulha Negra, ap\u00f3s ficar um ano e nove meses em um acampamento. Em 2005, ele foi morar no assentamento Ro\u00e7a Nova, no lugar de uma fam\u00edlia que decidiu ir embora. No final de 2005, a convite do MST, ele fez parte de uma brigada internacionalista e ficou dois anos na Venezuela. Em 2008, retornou para o assentamento, quando, al\u00e9m de produzir sementes para a Bionatur come\u00e7ou um projeto para a produ\u00e7\u00e3o de mel. Hoje, a apicultura representa a principal fonte de renda da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cTemos cerca de 700 colmeias com uma produ\u00e7\u00e3o que varia de 10 a 15 toneladas de mel por ano. Esse ano, em fun\u00e7\u00e3o do clima, temos uma expectativa muito maior, podendo a passar a casa das 20 toneladas\u201d. As abelhas, por meio da poliniza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m desempenham um papel importante na produ\u00e7\u00e3o de sementes. Muitas fam\u00edlias que produzem sementes de hortali\u00e7as pedem abelhas em suas \u00e1reas com o objetivo de aumentar a produ\u00e7\u00e3o de sementes.<\/p>\n<p>Amarildo destaca que a \u201cdiversifica\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 uma das palavras-chave no sistema de produ\u00e7\u00e3o dos assentamentos. \u201cAl\u00e9m do mel, que \u00e9 a nossa principal atividade, estamos investindo na cria\u00e7\u00e3o de gado e ovelhas, no cultivo de frutas e come\u00e7amos a fazer alguma coisa de piscicultura. Essa \u00e9 uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a\u201d, assinala, lembrando o problema atual com o desaparecimento e morte de abelhas. \u201cUm dos principais estrangulamentos que a apicultura enfrenta na regi\u00e3o \u00e9 a invas\u00e3o das lavouras de soja, com os agrot\u00f3xicos que as acompanham. Al\u00e9m de matar as abelhas, os herbicidas destroem a florada nativa do Pampa. Isso acaba nos for\u00e7ando a migrar para as florestas de eucalipto. O potencial para a produ\u00e7\u00e3o de mel nos assentamentos era muito grande, mas ele caiu a partir da entrada da soja. Em 2013, perdemos mais de 50 colmeias mortas por inseticidas, alguns deles contrabandeados do Uruguai. Uma abelha contaminada com fipronil (um inseticida) acaba matando todo o enxame\u201d.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de leite foi outra alavanca importante para os assentamentos da regi\u00e3o, mas hoje enfrenta graves problemas, em fun\u00e7\u00e3o da queda do pre\u00e7o, for\u00e7ando muitas fam\u00edlias a migrar para outras culturas, em especial a de soja. Esse fen\u00f4meno, diz Amarildo, est\u00e1 provocando um novo \u00eaxodo rural dentro dos assentamentos. \u201cO plantio de soja n\u00e3o \u00e9 para pequeno agricultor. Ele exige uma tecnologia e uma estrutura muito pesada. Tem muita gente endividada, correndo riscos de perder suas terras. N\u00f3s temos outras alternativas, como a fruticultura, o mel e o pr\u00f3prio leite, que podemos potencializar. Aqui em Candiota n\u00f3s temos uma situa\u00e7\u00e3o muito espec\u00edfica por causa da minera\u00e7\u00e3o. Tudo se volta para ela como a solu\u00e7\u00e3o para a regi\u00e3o, enquanto o campo tem um potencial muito grande que n\u00e3o est\u00e1 sendo devidamente explorado. Quase cem por cento das hortali\u00e7as consumidas pela popula\u00e7\u00e3o de Candiota v\u00eam de outras regi\u00f5es. Estamos tentando fomentar esse debate no munic\u00edpio\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cEu n\u00e3o dependo do carv\u00e3o e vivo muito bem\u201d<\/strong><\/p>\n<figure id=\"attachment_406154\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<figure id=\"attachment_406154\" aria-describedby=\"caption-attachment-406154\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406154\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-143954073-17-600x430.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-143954073-17-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-143954073-17-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-143954073-17-768x550.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-060218-143954073-17.jpg 838w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"286\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406154\" class=\"wp-caption-text\">Dirceu Dias: Eu n\u00e3o dependo do carv\u00e3o e vivo muito bem. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>Assentado h\u00e1 21 anos, junto com sua esposa, Dirceu Dias recorda as dificuldades do in\u00edcio, quando n\u00e3o havia energia el\u00e9trica nem estradas e destaca a import\u00e2ncia da diversifica\u00e7\u00e3o de culturas. \u201cTivemos quatro filhas e hoje temos energia el\u00e9trica, estradas, \u00e1gua encanada. A minha linha de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 na \u00e1rea do leite, sementes (milho, feij\u00e3o e soja) e um pouco tamb\u00e9m no setor da carne. \u00c9 preciso diversificar para garantir a sobreviv\u00eancia e a nossa manuten\u00e7\u00e3o no campo\u201d. A atual crise do leite s\u00f3 refor\u00e7a a exig\u00eancia da diversifica\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o angustiante essa do leite. \u00c9 um trabalho \u00e1rduo, onde n\u00e3o tem feriado, dia santo, nem primeiro do ano nem Natal. \u00c0s seis horas da manh\u00e3 temos que estar prontos para tirar o leite. Hoje, o litro de leite est\u00e1 sendo vendido a um valor entre 60 e 65 centavos. O pre\u00e7o-base de algumas cooperativas chega at\u00e9 40 ou 45 centavos. Estamos pagando para produzir\u201d, afirma Dirceu.<\/p>\n<p>Apesar desses problemas, ele aposta no potencial da produ\u00e7\u00e3o diversificada dos assentamentos como uma nova matriz para o desenvolvimento da regi\u00e3o. \u201cA mina de carv\u00e3o de Candiota traz uma riqueza, mas n\u00e3o podemos viver s\u00f3 do carv\u00e3o. \u00c9 preciso diversificar e o poder p\u00fablico tem que prestar mais aten\u00e7\u00e3o na nossa regi\u00e3o que \u00e9 muito rica. Eu n\u00e3o dependo do carv\u00e3o e vivo muito bem, obrigado, com qualidade de vida\u201d.<\/p>\n<p>O leque de diversidade de culturas nos assentamentos de Candiota, Hulha Negra e Acegu\u00e1 incluem tamb\u00e9m o cultivo de plantas medicinais e a preserva\u00e7\u00e3o de sementes crioulas. Autor de livros como \u201cErvas Medicinais: Rem\u00e9dios e Receitas Caseiras da Sabedoria Camponesa\u201d e \u201cTenha uma farm\u00e1cia em sua casa\u201d, o Frei Wilson Zanatta \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 um pesquisador do tema, como um produtor dessas plantas. Al\u00e9m disso, dedica-se tamb\u00e9m a recolher receitas tradicionais que s\u00e3o usadas h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es para que elas n\u00e3o caiam no esquecimento. Atr\u00e1s da casa onde mora no assentamento Conquista da Fronteira, ele cultiva um horto com mais de 60 esp\u00e9cies de plantas medicinais. A partir deste horto, s\u00e3o distribu\u00eddas mudas de plantas e produzidos ch\u00e1s, pomadas e tinturas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406158\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<figure id=\"attachment_406158\" aria-describedby=\"caption-attachment-406158\" style=\"width: 838px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406158 size-full\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-083627386-01.jpg\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-083627386-01.jpg 838w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-083627386-01-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-083627386-01-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-083627386-01-768x550.jpg 768w\" alt=\"\" width=\"838\" height=\"600\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406158\" class=\"wp-caption-text\">Horto com mais de 60 esp\u00e9cies de plantas medicinais no assentamento Conquista da Fronteira. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>\u201cEu sempre gostei de trabalhar com rem\u00e9dio caseiro. Isso vem desde casa. A minha m\u00e3e gostava muito tamb\u00e9m de rem\u00e9dios caseiros. Quando viemos morar nesta regi\u00e3o, percebi a necessidade de desenvolver um trabalho nesta \u00e1rea. Eu participava de um programa de r\u00e1dio, onde, no final, eu indicava uma receita. As comunidades come\u00e7aram a pedir essas receitas e para facilitar a distribui\u00e7\u00e3o decidi fazer uma apostilha. Dessa apostilha surgiu o livro e do livro esse trabalho de produ\u00e7\u00e3o de tinturas, ch\u00e1s e pomadas\u201d.<\/p>\n<p><strong>Protagonismo das mulheres na agroind\u00fastria<\/strong><\/p>\n<p>A demanda pr\u00f3pria da popula\u00e7\u00e3o dos assentamentos e tamb\u00e9m da merenda de escolas da regi\u00e3o vem estimulando o florescimento de pequenas agroind\u00fastrias que produzem p\u00e3es, cucas, bolachas, biscoitos doces e salgados. Um desses projetos nasceu de um grupo de dezoito idosos de nove fam\u00edlias que ganhou uma m\u00e1quina para a produ\u00e7\u00e3o de p\u00e3es. \u201cEra s\u00f3 para o nosso consumo no in\u00edcio, mas come\u00e7ou a surgir demanda de merenda escolar e outras coisas e resolvemos ir mais a fundo\u201d, conta Ivanir Ivete da Silva, uma das idealizadoras da Padaria dos Idosos. \u201cConseguimos alguns casais mais novos para nos ajudar na empreitada e seguimos em frente. Hoje, vendemos nossos produtos nas casas dos assentamentos e o nosso objetivo \u00e9 atender tamb\u00e9m a merenda escolar e os quarteis de Bag\u00e9\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406167\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<figure id=\"attachment_406167\" aria-describedby=\"caption-attachment-406167\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406167\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-140823139-14-600x430.jpg\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-140823139-14-600x430.jpg 600w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-140823139-14-200x143.jpg 200w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-140823139-14-768x550.jpg 768w, https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180215-jornal-sul21-jb-070218-140823139-14.jpg 838w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"286\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406167\" class=\"wp-caption-text\">Eliziane C\u00e2mara: N\u00e3o troco esse lugar por nada do mundo. \u00c9 um lugar muito bom de viver. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>Na mesma linha, Eliziane Outeiro C\u00e2mara, moradora do assentamento Est\u00e2ncia Velha h\u00e1 14 anos, criou a Cozinha da Tia Zane. A iniciativa, segundo ela, partiu de uma necessidade da pr\u00f3pria regi\u00e3o e de uma ideia de meu filho.<\/p>\n<p>\u201cComecei fazendo feira na cidade e fiquei sabendo da possibilidade de vender para a merenda escolar. Isso me incentivou bastante. Hoje, produzo p\u00e3es, cucas, salgadinhos e v\u00e1rias qualidades de bolacha. Comecei vendendo para os col\u00e9gios e hoje os mercados j\u00e1 est\u00e3o me procurando. Al\u00e9m de Candiota, j\u00e1 cheguei a Bag\u00e9, Acegu\u00e1 e Pinheiro Machado. O meu marido trabalhava pra fora como motorista e voltou pra me auxiliar. Eu trabalhava na bacia leiteira e na horta e tamb\u00e9m tive que sair. Esqueci as vacas e fiquei s\u00f3 aqui. N\u00e3o troco esse lugar por nada do mundo. \u00c9 um lugar muito bom de viver\u201d.<\/p>\n<p><strong>A produ\u00e7\u00e3o de mudas de \u00e1rvores nativas<\/strong><\/p>\n<p>As mudas que est\u00e3o sendo plantadas \u00e0s margens da BR 293, dentro do plano de compensa\u00e7\u00e3o ambiental da usina Pampa Sul, s\u00e3o cultivadas em um grande viveiro no assentamento Conquista da Fronteira, administrado pela Cooperativa de Produ\u00e7\u00e3o e Trabalho, Integra\u00e7\u00e3o Ltda (Coptil). Esse trabalho, relata Helmuth Griesang, que trabalha no viveiro, come\u00e7a com a colheita das sementes de \u00e1rvores como anjico, goiaba serrana, aroeira vermelha, entre outras. Ao todo, estima Helmuth, o viveiro cultiva mais de 35 esp\u00e9cies. Algumas delas, est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como \u00e9 o caso do ara\u00e7\u00e1 do prata, que est\u00e1 sendo resgatado no viveiro. O trabalho de produ\u00e7\u00e3o das mudas dura entre seis e oito meses, at\u00e9 que elas estejam prontas para serem plantadas. Os planos para o futuro, anuncia, incluem o cultivo de mudas de \u00e1rvores frut\u00edferas, como cereja, pitanga e goiaba serrana, bem como de plantas ornamentais.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406207\" class=\"wp-caption aligncenter\">\n<figure id=\"attachment_406207\" aria-describedby=\"caption-attachment-406207\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406207 size-large\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180216-20180207_095135-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406207\" class=\"wp-caption-text\">Assentamentos do MST, nestes \u00faltimos anos, j\u00e1 produziram mais de um milh\u00e3o de mudas de \u00e1rvores nativas. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>A maior parte dessas mudas nativas est\u00e3o sendo destinadas a processos de recupera\u00e7\u00e3o de cobertura vegetal e de compensa\u00e7\u00e3o ambiental. \u201cNos \u00faltimos dez anos, praticamente toda a nossa produ\u00e7\u00e3o do viveiro ficou focada na produ\u00e7\u00e3o de mudas nativas\u201d, explica Emerson Francisco Capelesso, gerente geral da Coptil. \u201cTivemos um grande processo de recupera\u00e7\u00e3o ambiental nos assentamentos, envolvendo cerca de mil hectares, al\u00e9m do projeto em torno da usina da CGTEE, numa \u00e1rea de mais de cem hectares. Agora, com a Pampa Sul, fechamos todo o processo de fornecimento de mudas. S\u00e3o mais de cem hectares de \u00e1rvores que est\u00e3o sendo plantadas, envolvendo a produ\u00e7\u00e3o de algo em torno de 250 e 260 mil mudas nativas do bioma Pampa e da bacia do rio Jaguar\u00e3o. Nestes \u00faltimos anos, j\u00e1 produzimos mais de um milh\u00e3o de mudas de \u00e1rvores. S\u00f3 nos \u00faltimos dois anos, foram cerca de 250 mil mudas, s\u00f3 para a Pampa Sul\u201d.<\/p>\n<p><strong>Desafios para o futuro<\/strong><\/p>\n<p>O mercado de comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos dos assentamentos \u00e9 basicamente regional, mas os assentados tem planos para superar esse est\u00e1gio. Emerson Capelesso aponta qual a estrat\u00e9gia para atingir esse objetivo: \u201cN\u00f3s j\u00e1 tivemos um processo de produ\u00e7\u00e3o, mas enfrentamos problemas comerciais e log\u00edsticos. Optamos por dar alguns passos atr\u00e1s e organizar melhor a parte da ind\u00fastria. Agora, com a parte industrial pronta, estamos retomando o processo produtivo. Bag\u00e9 \u00e9 um centro consumidor que tem potencial, mas o grande mercado consumidor \u00e9 mesmo Porto Alegre. Se a gente n\u00e3o conseguir industrializar nossos produtos e fazer com que eles tenham uma durabilidade maior, acabamos tendo muitas dificuldades\u201d.<\/p>\n<figure id=\"attachment_406208\" class=\"wp-caption alignright\">\n<figure id=\"attachment_406208\" aria-describedby=\"caption-attachment-406208\" style=\"width: 400px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-406208\" src=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/20180216-20180206_171611-600x338.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"225\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-406208\" class=\"wp-caption-text\">Emerson Capelesso: oferecemos um contraponto ao modelo do agroneg\u00f3cio. (Foto: Marco Weissheimer\/Sul21)<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<\/figure>\n<p>Ele reconhece que o carv\u00e3o \u00e9 uma riqueza importante da regi\u00e3o, mas observa que ela n\u00e3o pode ficar concentrada nas m\u00e3os de um pequeno grupo. \u201cEssa riqueza tem que descentralizar o desenvolvimento para toda a regi\u00e3o preservando o meio ambiente. Al\u00e9m da explora\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o, que tem os seus impactos, temos o modelo agr\u00edcola do agroneg\u00f3cio, com uso de agrot\u00f3xicos e transg\u00eanicos. N\u00f3s oferecemos um contraponto a esse modelo, com a produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica, recupera\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. A Cooperativa tem atuado nesta dire\u00e7\u00e3o para construir alternativas de renda para as fam\u00edlias segundo a l\u00f3gica desse contraponto\u201d. Essa constru\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil, reconhece Emerson, pois conta com menos recursos. \u201cMas essa \u00e9 a nossa tarefa do dia-a-dia\u201d, resume: \u201cconstruir alternativas que beneficiem toda a nossa base social para que todos consigam se desenvolver produzindo alimentos saud\u00e1veis e de qualidade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A regi\u00e3o de Candiota, munic\u00edpio localizado na metade sul do Rio Grande do Sul, pr\u00f3ximo \u00e0 fronteira com o Uruguai, \u00e9 conhecida por abrigar a maior jazida de carv\u00e3o do pa\u00eds, com mais de 1 bilh\u00e3o de toneladas do min\u00e9rio. \u00c9 a terra do carv\u00e3o. Quem trafega hoje pela BR 293, na regi\u00e3o de Seival, em Candiota, tem essa impress\u00e3o refor\u00e7ada ao se deparar com as imponentes obras de constru\u00e7\u00e3o da Usina Termel\u00e9trica Pampa Sul. No in\u00edcio da manh\u00e3 do dia 6 de fevereiro, centenas de funcion\u00e1rios entravam no canteiro de obras para mais um dia de trabalho. Muitos deles, chineses. A presen\u00e7a da m\u00e3o de obra e do capital chin\u00eas \u00e9 ilustrada por placas bil\u00edng\u00fces (em portugu\u00eas e mandarim), bandeiras e outros materiais de sinaliza\u00e7\u00e3o em torno da obra. 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