{"id":1990,"date":"2019-08-29T15:15:00","date_gmt":"2019-08-29T18:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=noticias&#038;p=1990"},"modified":"2019-08-29T15:16:26","modified_gmt":"2019-08-29T18:16:26","slug":"semente-crioula-sobrevivencia-e-resistencia-para-o-campesinato","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/semente-crioula-sobrevivencia-e-resistencia-para-o-campesinato\/","title":{"rendered":"Semente Crioula: sobreviv\u00eancia e resist\u00eancia para o campesinato"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<h4><strong><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-1991\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Milho-crioulo-garante-autonomia-ao-campon\u00eas-Foto-Marcos-Corbari-1024x645.jpg\" alt=\"\" width=\"675\" height=\"425\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Milho-crioulo-garante-autonomia-ao-campon\u00eas-Foto-Marcos-Corbari-1024x645.jpg 1024w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Milho-crioulo-garante-autonomia-ao-campon\u00eas-Foto-Marcos-Corbari-300x189.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Milho-crioulo-garante-autonomia-ao-campon\u00eas-Foto-Marcos-Corbari-768x483.jpg 768w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Milho-crioulo-garante-autonomia-ao-campon\u00eas-Foto-Marcos-Corbari.jpg 1479w\" sizes=\"(max-width: 675px) 100vw, 675px\" \/><\/em>Duas experi\u00eancias da base do MPA colocam a ci\u00eancia e a tradi\u00e7\u00e3o de m\u00e3os dadas<\/strong><\/h4>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma equipe da Rede Soberania e do Jornal Brasil de Fato foi convidada no final do m\u00eas de mar\u00e7o a conhecer algumas experi\u00eancias de camponeses que integram a base do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) a respeito da utiliza\u00e7\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o das sementes crioulas. Nessa viagem visitamos \u2013 acompanhados de t\u00e9cnicos da Cooperfumos e de Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado convidados \u2013 duas unidades produtivas. Uma delas onde encontramos um leg\u00edtimo guardi\u00e3o de sementes, campon\u00eas que planta e multiplica sementes crioulas e varietais resultantes de processo de sele\u00e7\u00e3o massal; na outra, conversamos com um campon\u00eas que j\u00e1 ascendeu a uma categoria mais avan\u00e7ada no processo, utilizando o espa\u00e7o da sua unidade produtiva para experi\u00eancias de melhoria e sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, sendo j\u00e1 considerado um guardi\u00e3o melhorista pelo movimento, uma esp\u00e9cie de \u201ccientista campon\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de sair a campo, o t\u00e9cnico Josuan Schiavon, vinculado \u00e0 Cooperfumos \u2013 cooperativa camponesa composta que dedica seus esfor\u00e7os a projetos que priorizam a mudan\u00e7a de matriz produtiva nas regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o do tabaco, inserindo possibilidades de diversifica\u00e7\u00e3o ao modelo hegem\u00f4nico que ainda impera \u2013, explicou que a rela\u00e7\u00e3o entre o campon\u00eas e a semente crioula est\u00e1 na base dos princ\u00edpios do MPA: \u201cTrata-se de uma estrat\u00e9gia do movimento fomentar a semente crioula atrav\u00e9s do programa campon\u00eas, que \u00e9 o nosso instrumento pol\u00edtico norteador, que prop\u00f5e uma agricultura ambientalmente respons\u00e1vel e economicamente sustent\u00e1vel\u201d, explica. A rela\u00e7\u00e3o de proximidade entre o campon\u00eas e a sua semente est\u00e1 alinhada ao surgimento da agricultura, ao que Schiavon cita como marco inicial, \u201cber\u00e7o da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1983\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jos\u00e9-Carlos-fala-com-orgulho-da-sua-produ\u00e7\u00e3o-de-milho-Foto-Josuan-Schiavon-1.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"383\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jos\u00e9-Carlos-fala-com-orgulho-da-sua-produ\u00e7\u00e3o-de-milho-Foto-Josuan-Schiavon-1.jpg 680w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Jos\u00e9-Carlos-fala-com-orgulho-da-sua-produ\u00e7\u00e3o-de-milho-Foto-Josuan-Schiavon-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/>\u201cEu planto primeiro pensando no alimento, em produzir o que vai na mesa da minha fam\u00edlia\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro destino da viagem nos remeteu ao munic\u00edpio de General C\u00e2mara, localizado no ponto culminante onde encerra a regi\u00e3o do Vale do Rio Pardo e inicia a regi\u00e3o Metropolitana de Porto Alegre. Ali, na comunidade de Boqueir\u00e3o, no in\u00edcio do ano, o campon\u00eas Jos\u00e9 Carlos Lucas plantou em sua Unidade Produtiva, cerca de 8 quilos de sementes de milho crioulo em uma lavoura de aproximadamente meio hectare. Aplicando pequena quantidade de adubo e ureia \u2013 em torno de 100 quilos, segundo o campon\u00eas \u2013 obteve no final do processo 130\u00a0 cestos colhidos no espa\u00e7o, projetando um n\u00famero em torno de 120 sacos por hectare se implementada uma \u00e1rea maior. Tratava-se de milho derivado de um varietal produzido pela Oestebio (cooperativa camponesa de Santa Catarina) que foi trazido \u00e0 regi\u00e3o na primeira edi\u00e7\u00e3o do PAA\/Sementes, em 2010, tendo se adaptado muito bem na regi\u00e3o. Daquele primeiro lote de semente \u201cCatarina\u201d um campon\u00eas de Encruzilhada do Sul plantou novamente e multiplicou as sementes, fazendo a sele\u00e7\u00e3o tradicional direto na lavoura, aprimorando ainda mais a gen\u00e9tica da semente pelo m\u00e9todo de sele\u00e7\u00e3o massal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o animal na propriedade \u00e9 outro fator que levou Jos\u00e9 Carlos a deixar de lado as sementes geneticamente modificadas e priorizar as crioulas. \u201cOs animais n\u00e3o gostam de comer (o milho transg\u00eanico). Comem se n\u00e3o tem outra coisa. Mas a\u00ed tem que colocar algum concentrado junto, porque n\u00e3o se nutre o bichinho\u201d, explica. Dois casos s\u00e3o utilizados como exemplos pelo campon\u00eas, demonstrando a sabedoria que reside na simplicidade: na primeira experi\u00eancia \u201capartou\u201d 9 frangos para engordar e abater, deixando sob alimenta\u00e7\u00e3o baseada no milho transg\u00eanico, enquanto na segunda deixou outros 9 animais tratados somente com milho crioulo, observando que enquanto esse segundo grupo \u201cpegou peso\u201d e desenvolveu mais gordura &#8211; o que valoriza a pe\u00e7a e d\u00e1 sabor \u00e0 carne -, o primeiro grupo continuou at\u00e9 o fim do experimento com praticamente no mesmo peso que possu\u00eda antes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos estima que 90% dos vizinhos est\u00e3o plantando transg\u00eanicos, mas destaca que os relatos de animais que ficam doentes ao se alimentar desse tipo de produto s\u00f3 vem aumentando. Outra refer\u00eancia \u00e9 a necessidade cada vez maior de utilizar produtos qu\u00edmicos na lavoura para manter o n\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o, porque \u201co transg\u00eanico inv\u00e9s de aumentar est\u00e1 produzindo menos, ficando muito dependente de grandes quantidades de produto qu\u00edmico para manter o volume de produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirma. \u201cEu n\u00e3o planto mais milho transg\u00eanico, de jeito nenhum, mas tem gente que planta s\u00f3 pra fazer dinheiro, n\u00e3o se interessa com a qualidade do que as pessoas ou os animais v\u00e3o comer\u201d, finaliza, com o semblante s\u00e9rio, contrariado pela resist\u00eancia de amigos e vizinhos em retornar aos m\u00e9todos tradicionais de produ\u00e7\u00e3o que priorizam a qualidade de vida, a sa\u00fade, a preserva\u00e7\u00e3o da vida no solo e a sustentabilidade do meio ambiente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de convidar a sentar \u00e0 mesa para almo\u00e7ar \u2013 onde o \u00fanico alimento que foi servido e n\u00e3o era produzido pelo pr\u00f3prio campon\u00eas e sua fam\u00edlia era o arroz \u2013 Jos\u00e9 Carlos nos leva at\u00e9 as ovelhas que s\u00e3o criadas pelo filho e compartilha com elas algumas tigelas de milho. &#8220;Olha s\u00f3 o gosto com que o bicho come desse milho\u201d, afirma, sorrindo, numa perfeita cena de integra\u00e7\u00e3o entre ser humano e a natureza a sua volta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-1981\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Dedica\u00e7\u00e3o-do-campesinato-com-a-semente-crioula-passa-de-gera\u00e7\u00e3o-para-gera\u00e7\u00e3o-Foto-Marcos-Corbari-2.jpg\" alt=\"\" width=\"495\" height=\"580\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Dedica\u00e7\u00e3o-do-campesinato-com-a-semente-crioula-passa-de-gera\u00e7\u00e3o-para-gera\u00e7\u00e3o-Foto-Marcos-Corbari-2.jpg 680w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Dedica\u00e7\u00e3o-do-campesinato-com-a-semente-crioula-passa-de-gera\u00e7\u00e3o-para-gera\u00e7\u00e3o-Foto-Marcos-Corbari-2-256x300.jpg 256w\" sizes=\"(max-width: 495px) 100vw, 495px\" \/>\u201cCom a sele\u00e7\u00e3o buscamos atender as necessidades da terra, do clima, das nossas condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seguindo em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 regi\u00e3o central do RS, chegamos \u00e0 Arroio do Tigre, mais precisamente no S\u00edtio Baixo, onde reside Leomar Guerino Fiuza e sua fam\u00edlia. H\u00e1 mais de uma d\u00e9cada dedica-se a plantar, selecionar, melhorar e compartilhar sementes de milho crioulo junto \u00e0 base do MPA. Tornou-se uma esp\u00e9cie de \u201ccientista campon\u00eas\u201d. Utilizando varietais produzidos pela Embrapa e tamb\u00e9m aqueles que vem das unidades de beneficiamento de sementes vinculadas \u00e0s cooperativas\u00a0 camponesas no RS e SC, destaca a import\u00e2ncia para o pequeno produtor em manter a autonomia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de sementes: \u201cN\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o de utilizar (as sementes crioulas) na propriedade, \u00e9 ter a compreens\u00e3o de que ao fazer a sele\u00e7\u00e3o e buscar a melhoria n\u00f3s vamos buscando uma variedade que atenda melhor as nossas necessidades, as particularidades do nosso clima, a geografia da nossa \u00e1rea de plantio\u201d, explica, mostrando uma lavoura de milho pr\u00f3xima de sua casa, em terreno pedregoso, acidentado, em aclive. \u201cUma grande empresa vai produzir uma semente adequada para condi\u00e7\u00f5es gerais, vai levar em conta as necessidades dos grandes produtores, e n\u00e3o as demandas espec\u00edficas dos pequenos, de gente como n\u00f3s, que tem como prioridade as necessidades da nossa unidade produtiva, que busca plantar para produzir alimento e n\u00e3o as <em>comodities<\/em> que convertem a semente em moeda financeira\u201d, explica o campon\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A dedica\u00e7\u00e3o de Fiuza e sua fam\u00edlia em rela\u00e7\u00e3o do Milho Crioulo surgiu da necessidade de conseguir selecionar semente de melhor qualidade para compartilhar com os demais camponeses da regi\u00e3o. O que no in\u00edcio foi uma a\u00e7\u00e3o natural, dando continuidade a uma tradi\u00e7\u00e3o milenar desempenhada pelos camponeses desde os prim\u00f3rdios da agricultura, logo iria ganhando status de ci\u00eancia: \u201cTivemos a oportunidade de buscar variedades de milho da Embrapa, de fazer o cultivo dentro de experi\u00eancias orientadas e tamb\u00e9m fomos aprendendo e melhorando os nossos procedimentos\u201d, contou ao mostrar uma carro\u00e7ada de milho onde est\u00e3o presentes espigas resultantes de diferentes cultivares, &#8211; &#8211; que na sequ\u00eancia passar\u00e3o pelo processo de sele\u00e7\u00e3o &#8211; e tamb\u00e9m sementes crioulas que s\u00e3o utilizadas tradicionalmente pelos camponeses da base do MPA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Selecionamos nos \u00faltimos tempos entre 10 e 12 variedades e estamos buscando apurar a variedade ideal, o que ainda deve demorar uns tr\u00eas anos para alcan\u00e7ar\u201d, explica, ao mostrar como procede a sele\u00e7\u00e3o e os crit\u00e9rios que leva em conta para levar de volta ao solo, onde acontece de fato o encontro entre a alta ci\u00eancia representada pela semente que vem da Embrapa e a tradi\u00e7\u00e3o milenar camponesa representada pela semente legitimamente crioula.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O cuidado ao preparar a terra, a semente, o tempo certo para o plantio, at\u00e9 a fase da lua \u00e9 levada em considera\u00e7\u00e3o, ando um status de arte para a produ\u00e7\u00e3o camponesa: \u201cN\u00e3o podemos estar plantando de qualquer jeito, tem que cuidar a poliniza\u00e7\u00e3o, o cruzamento, a quest\u00e3o da \u00e9poca do plantio, a lua para a colheita\u201d, explica Fiuza, para justificar os \u00edndices de produtividade em uma lavoura camponesa que bate de frente com qualquer grande produtor. \u201cNossa amostragem por mil plantas e peso de semente pode chegar em condi\u00e7\u00f5es adequadas de lavoura e adensamento de plantas a padr\u00f5es bem elevados, at\u00e9 160 sacas por hectare\u201d, garante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A transi\u00e7\u00e3o para a agroecologia ainda \u00e9 um desafio a ser enfrentado. Atualmente Fiuza ainda utiliza cerca de 4 sacas de adubo qu\u00edmico e de ureia por hectare: \u201cPara um pequeno produtor ainda est\u00e1 no limite aceit\u00e1vel, a pequena propriedade ainda consegue suportar isso, porque para um terreno como o nosso (pedregoso em aclive) a produ\u00e7\u00e3o 100% org\u00e2nica ainda \u00e9 dif\u00edcil, mas com o tempo vamos chegar l\u00e1 tamb\u00e9m. A transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica \u00e9 um dos objetivos do Programa Campon\u00eas, que incentiva a substitui\u00e7\u00e3o gradual de todos os insumos qu\u00edmicos utilizados no plantio e venenos empregados no manejo da lavoura por op\u00e7\u00f5es ecologicamente adequadas, que n\u00e3o agridem o meio-ambiente, nem a sa\u00fade do produtor ou de quem vai se alimentar da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A respeito dos pequenos que insistem em manter o plantio de transg\u00eanicos nas suas propriedades, tentando imitar o modelo do agroneg\u00f3cio, o dirigente campon\u00eas \u00e9 assertivo e busca no exemplo dos animais dom\u00e9sticos a resposta que a vida d\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 viola\u00e7\u00e3o do ciclo natural: \u201cUm vizinho resolveu plantar um peda\u00e7o de terra perto de casa com semente transg\u00eanica. Ele tinha um grupo de gansos no terreno, que atravessava o milharal transg\u00eanico e seguia at\u00e9 o outro lado da unidade produtiva onde estava plantado o milho crioulo\u201d, relata. \u201cSe os bichos preferem comer do milho crioulo ao transg\u00eanico, porque n\u00f3s seres humanos devemos optar por esse milho na nossa alimenta\u00e7\u00e3o? Isso \u00e9 uma coisa que se n\u00f3s pudermos olhar para a natureza a fundo, vamos compreender situa\u00e7\u00f5es e obter resultados que est\u00e3o ao nosso alcance no dia a dia\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-1980\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Ci\u00eancia-e-Tradi\u00e7\u00e3o-caminham-de-m\u00e3os-dadas-construindo-conhecimento-Foto-Marcos-Corbari.jpg\" alt=\"\" width=\"680\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Ci\u00eancia-e-Tradi\u00e7\u00e3o-caminham-de-m\u00e3os-dadas-construindo-conhecimento-Foto-Marcos-Corbari.jpg 680w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/Ci\u00eancia-e-Tradi\u00e7\u00e3o-caminham-de-m\u00e3os-dadas-construindo-conhecimento-Foto-Marcos-Corbari-300x179.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 680px) 100vw, 680px\" \/>\u201cA hist\u00f3ria mostra que as sementes crioulas sustentaram o mundo\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tr\u00eas pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, sediada no munic\u00edpio de Pelotas, na regi\u00e3o Sul do RS, acompanharam as visitas, conheceram as unidades produtivas e compartilharam saberes com os camponeses. Iraj\u00e1 Ferreira Antunes, Eberson Diedrich Eicholz e Gilberto Peripolli Bevilaqua, embora estejam vinculados a diferentes campos de pesquisa, s\u00e3o un\u00e2nimes em reconhecer a import\u00e2ncia dos trabalhos desenvolvidos pelos camponeses em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s sementes e \u00e0 defesa de sua autonomia, com especial aten\u00e7\u00e3o ao milho \u2013 semente t\u00e3o simb\u00f3lica ao continente americano \u2013 e frisaram a beleza da tarefa executada pelos denominados \u201cguardi\u00f5es e guardi\u00e3s de sementes\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Historicamente o mundo sempre teve como sustenta\u00e7\u00e3o o que chamamos de variedades crioulas e, por isso, a humanidade sempre dependeu de alguns agricultores que hoje chamamos de \u201cguardi\u00f5es de sementes\u201d, pontua Antunes. Para ele, at\u00e9 mesmo a ind\u00fastria \u2013 se observada a fundo \u2013 tem na sua base as sementes crioulas e o trabalho dos guardi\u00f5es. \u201cNa propriedade do senhor Jos\u00e9 Carlos Lucas n\u00f3s observamos uma semente que est\u00e1 sendo utilizada a relativamente a pouco tempo, mas \u00e9 certo que ele est\u00e1 fazendo parte desse processo de sustenta\u00e7\u00e3o ao utilizar uma variedade crioula\u201d, comenta, remetendo a primeira experi\u00eancia camponesa visitada. \u201cJ\u00e1 quando visitamos o Leomar Guerino Fiuza, n\u00f3s encontramos algu\u00e9m que est\u00e1 desenvolvendo um milho novo, e com isso est\u00e1 atingindo um determinado n\u00edvel de autonomia\u201d, ressalta, justificando a valoriza\u00e7\u00e3o da figura do campon\u00eas melhorista e do trabalho que ele realiza h\u00e1 mais de d\u00e9cada na sua unidade produtiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antunes prop\u00f5e ainda a reflex\u00e3o a respeito da instabilidade clim\u00e1tica tem se notado de forma mais incisiva nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas: \u201cA gente deve lembrar que nesse momento estamos passando por um per\u00edodo de grandes mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e, historicamente, na medida que as variedades crioulas v\u00e3o se adaptando \u00e0s mudan\u00e7as que sofre o ambiente, prospectam uma maneira que n\u00f3s \u2013 seres humanos \u2013 temos de contornar, que s\u00e3o muito s\u00e9rias\u201d, alerta o pesquisador. \u201cA gente conhece v\u00e1rias hist\u00f3rias de variedades que foram perdidas por conta dos problemas de clima, ent\u00e3o, na Embrapa, n\u00f3s podemos ser uma forma de reserva dessas sementes crioulas\u201d, apontou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Antunes, a oportunidade de acompanhar as visitas \u00e0s unidades produtivas e conhecer o trabalho dos camponeses os desafia enquanto pesquisadores \u00e0 \u201cpensar numa forma de poder ajudar no processo todo e tamb\u00e9m mostrar como esse trabalho est\u00e1 sendo feito ali com resultados muito positivos\u201d. Indagado a respeito da import\u00e2ncia do legado que os camponeses deixam para a ci\u00eancia, n\u00e3o titubeia: \u201cEles desenvolveram muito do que utilizamos; se hoje temos todo um aspecto t\u00e9cnico por tr\u00e1s da pesquisa, \u00e9 importante levar em conta que o que realmente vale \u00e9 o momento em que a semente chega no campo, ali que vai se comprovar o tipo de comportamento que ela vai ter e o que tipo de utilidade o agricultor vai ter com ela\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>\u201c\u00c9 preciso ter um respeito muito grande pelo trabalho do campon\u00eas para com suas sementes\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eberson Diedrich Eicholz \u2013 que dedica-se \u00e0 pesquisa de gr\u00e3os no sistema org\u00e2nico e mais recentemente tem trabalhado com recursos gen\u00e9ticos do Milho \u2013 relembra que dentre as mais de 150 variedades que integram a cole\u00e7\u00e3o de milho subtropical, localizada na Embrapa Clima Temperado, grande parte foi obtida diretamente com os camponeses. O trabalho \u00e9 conjunto, tendo caminho de ida e volta, o que resulta no chamado \u201cmelhoramento participativo\u201d, onde o agricultor que cedeu sementes para as pesquisas da Embrapa depois recebe de volta amostragens desse material para voltar a plantar e multiplicar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00f3s temos um respeito muito grande pelo trabalho que os agricultores desenvolvem nas suas propriedades, selecionando de acordo com as necessidades espec\u00edficas da sua localidade -, explica o pesquisador. O milho ganha um importante suporte ao receber a interven\u00e7\u00e3o do campon\u00eas melhorista, \u201cque vai sempre selecionar a semente que melhor se adapta a sua propriedade, desenvolvendo caracter\u00edsticas espec\u00edficas que s\u00e3o mais importantes para aquela regi\u00e3o\u201d, explica Eicholz, \u201cconstituindo uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas como porte, dura\u00e7\u00e3o do ciclo, resist\u00eancia ao fatores clim\u00e1ticos, demanda de insumos, entre outras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um aspecto que \u00e9 destacado na cadeia participativa que coloca lado a lado o trabalho dos pesquisadores da Embrapa e as a\u00e7\u00f5es do Guardi\u00f5es de Sementes \u00e9 a verifica\u00e7\u00e3o que a institui\u00e7\u00e3o faz a respeito dos valores e refer\u00eancias nutricionais que desenvolvidos em cada variedade, voltada tanto para a alimenta\u00e7\u00e3o animal quanto para a alimenta\u00e7\u00e3o humana. Assim se tem a possibilidade de estimar n\u00e3o apenas a melhor forma de cultivo, mas tamb\u00e9m os meios mais adequados de utiliza\u00e7\u00e3o do produto depois de colhido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>\u201cPodemos pensar em um programa de semente forjado em elos que se sustentam e se complementam\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Hoje as condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o dadas para organizar um programa de sementes a partir das variedades crioulas, como por exemplo no caso do milho, sobre o qual n\u00f3s mais conversamos hoje durante as visitas realizadas\u201d, aponta Bevilaqua. Na exemplifica\u00e7\u00e3o proposta pelo pesquisador, um programa assim deve se estabelecer como uma corrente que se forma por muitos elos que se refor\u00e7am entre si: \u201cPara que um programa de sementes funcione, temos que contemplar v\u00e1rias quest\u00f5es com um cuidado todo especial para que os elos trabalhem em harmonia e possam funcionar em conjunto\u201d, explica. \u201cNa medida que algum elo dessa corrente se rompa, todo o programa de sementes corre risco de n\u00e3o funcionar\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O trabalho do campon\u00eas que se prop\u00f5e a cultivar e multiplicar as sementes que recebe &#8211; como Jos\u00e9 Carlos Lucas &#8211; representa um primeiro elo, enquanto o trabalho de um guardi\u00e3o melhorista &#8211; como Leomar Guerino Fiuza &#8211; representa um segundo elo no programa. \u201cO guardi\u00e3o \u00e9 aquele sujeito que produz a semente, \u00e9 o respons\u00e1vel pela conserva\u00e7\u00e3o da gen\u00e9tica, mas sozinho acaba n\u00e3o tendo o devido reconhecimento em rela\u00e7\u00e3o ao que significa um programa no todo\u201d, acrescenta. Um novo elo na cadeia \u00e9 representado pelo produtor de sementes, que no caso dos camponeses e camponesas assistidos pelo MPA, s\u00e3o contemplados pela Unidade de Beneficiamento de Sementes Crioulas Jose Gilberto de Oliveira Tuhtenhagem, localizada em Encruzilhada do Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; A UBS vai ter a responsabilidade de beneficiar a semente, transformar a semente gen\u00e9tica em semente comercial -, comenta o pesquisador. Uma vez beneficiada, a semente se torna pass\u00edvel de ser compartilhada com a base do movimento, chegando novamente \u00e0s m\u00e3os de camponeses e camponesas que \u2013 j\u00e1 em um novo elo da corrente \u2013 v\u00e3o renovar o processo atrav\u00e9s do plantio, cultivo e colheita. Para Bevilaqua, \u00e9 poss\u00edvel visualizar todos esses elos funcionando de forma integrada em um programa, assim viabilizando um volume de produ\u00e7\u00e3o grande, com qualidade e ao alcance de muitas fam\u00edlias camponesas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; Estamos envolvidos nesse trabalho, junto com o MPA, reconhecendo que j\u00e1 vem sendo realizado h\u00e1 alguns anos e assim organizando um programa de sementes com o qual pretendemos suprir essa demanda -, relata Bevilaqua, citando as variedades crioulas de milho como o melhor exemplo, por\u00e9m deixando em aberto ainda a possibilidade de que se contemplem tamb\u00e9m as variedades resultantes da pesquisa que estejam aptas a preservar a autonomia do campon\u00eas para reproduzir a sua pr\u00f3pria semente, diferente do que acontece com as sementes comerciais, transg\u00eanicas e h\u00edbridas que imp\u00f5em impeditivos ao agricultor de exercer essa autonomia. \u201cN\u00f3s temos como marca em nosso trabalho na Embrapa Clima Temperado o reconhecimento aos saberes tradicionais, a valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento dos camponeses\u201d, finaliza o pesquisador.<\/p>\n<blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u201cProduzir sementes com autonomia, visando qualidade com alta produtividade e baixo custo\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro dirigente do MPA que se dedica ao programa das sementes, atrav\u00e9s das atividades da Cooperfumos, \u00e9 Miqueli Schiavon, que das visitas realizadas destaca o aspecto central que o movimento d\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a essa pauta: \u201cEssa \u00e9 uma quest\u00e3o priorit\u00e1ria para n\u00f3s: como podemos notar ao visitar uma unidade produtiva camponesa, se n\u00e3o existir a semente n\u00e3o existe a produ\u00e7\u00e3o de comida, tampouco a produ\u00e7\u00e3o animal\u201d. Para ele a semente est\u00e1 muito ligada ao \u00edntimo dos camponeses, o que levou o MPA desde a sua funda\u00e7\u00e3o a discutir meios de acesso \u00e0 semente para os pequenos. \u201cUma das estrat\u00e9gias centrais do nosso plano campon\u00eas \u2013 que \u00e9 a s\u00edntese pol\u00edtica que estamos desenvolvendo \u2013 \u00e9 a agrobiodiversidade e dentro dela o tema das sementes crioulas\u201d, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8211; No RS o MPA confiou \u00e0 Cooperfumos a tarefa de desenvolver o trabalho com as sementes, preocupado em desenvolver variedades junto com os camponeses e junto com a pesquisa p\u00fablica da Embrapa, levando em conta a adapta\u00e7\u00e3o ideal aos seus locais e viabilizando produtividade que esteja a contento das caracter\u00edsticas de cada unidade produtiva\u201d, explicou o dirigente, afirmando ainda que \u201cN\u00e3o adianta n\u00f3s termos sementes de alta tecnologia se os agricultores n\u00e3o tiverem condi\u00e7\u00f5es de implement\u00e1-las\u201d. O objetivo \u00e9 facilitar o acesso dos pequenos agricultores \u00e0s sementes, de modo que permane\u00e7am com elas, que desenvolvam autonomia em rela\u00e7\u00e3o a gen\u00e9tica, que sejam empoderados ao longo do processo. Quanto \u00e0queles que por qualquer motivo n\u00e3o estejam dispostos \u00e0 participar do processo das sementes, Miqu\u00e9li garante que outro objetivo \u00e9 ter volume suficiente a disposi\u00e7\u00e3o para que tamb\u00e9m possam ser atendidos acessando de forma justa a sementes de qualidade com alta produtividade e baixo custo de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>\u201cA semente \u00e9 um bem comum, n\u00e3o deve se transformar em moeda\u201d<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os camponeses e camponesas a rela\u00e7\u00e3o com a terra e a semente remetem a ancestralidade, aos costumes e tradi\u00e7\u00f5es que desenvolveram a agricultura como fonte de alimento para a humanidade e n\u00e3o como lastro econ\u00f4mico. \u201cHoje, para o pequeno est\u00e1 ficando muito dif\u00edcil comprar um saco de milho em uma agropecu\u00e1ria, o valor est\u00e1 muito alto\u201d, reclama Fiuza. A sa\u00edda para essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o e a partilha de sementes livres por parte da a\u00e7\u00e3o dos guardi\u00f5es e melhoristas camponeses: \u201cA semente \u00e9 um patrim\u00f4nio da humanidade que est\u00e1 sob a guarda do campon\u00eas, \u00e9 um bem coletivo, n\u00e3o \u00e9 justo que seja considerada propriedade de uma empresa\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Carlos tamb\u00e9m faz racioc\u00ednio semelhante: \u201cAqui a gente pensa primeiro em produzir o alimento que vai pra nossa mesa, o excedente \u00e9 que vai para ser trocado ou vendido\u201d, conta com orgulho mostrando a autonomia que se pode alcan\u00e7ar dentro de uma pequena unidade produtiva gerida pelos m\u00e9todos do campesinato. Trata-se do princ\u00edpio da soberania alimentar, que parte da unidade produtiva camponesa e vai se estabelecer atrav\u00e9s do trabalho coletivo enquanto classe para atender as pr\u00f3prias necessidades e na sequ\u00eancia as necessidades da classe trabalhadora urbana. \u201cN\u00e3o \u00e9 certo produzir pensando primeiro no dinheiro, o certo \u00e9 pensar primeiro em produzir um alimento puro, bom. Depois sim, o lucro vai ser uma consequ\u00eancia\u201d, ensina com sabedoria e simplicidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O milho \u00e9 um exemplo citado por Eicholz, uma vez que \u00e9 produzido em praticamente todas as propriedades. \u201cMas se voc\u00ea comprar a semente no mercado o custo \u00e9 bastante elevado, ent\u00e3o quando o agricultor produz a pr\u00f3pria semente ele tem benef\u00edcios pr\u00e1ticos tanto no custo, quanto na quantidade de insumos que precisa aplicar no cultivo\u201d. E o benef\u00edcio simb\u00f3lico? Este remete a uma palavra decisiva: autonomia: \u201cO agricultor tem que tentar se manter o mais aut\u00f4nomo poss\u00edvel, porque isso possibilita que tenha mais estabilidade na propriedade, mantenha a viabilidade das culturas com que trabalha e, quanto menor custo a tend\u00eancia \u00e9 que tenha mais independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a interfer\u00eancia de elementos externos\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bevil\u00e1qua reafirma o testemunho por parte da Embrapa sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido h\u00e1 muitos anos com os guardi\u00f5es e as sementes crioulas, apontando para um futuro promissor: \u201cEste segmento vem crescendo, tomando corpo e ganhando muita import\u00e2ncia, j\u00e1 se pode notar uma demanda crescente por sementes crioulas\u201d, aponta o pesquisador, citando como fontes de informa\u00e7\u00e3o o que se percebe atrav\u00e9s das feiras de sementes, das feiras de consumo, bem como pelo contato com outras organiza\u00e7\u00f5es e segmentos voltados \u00e0 pesquisa desse tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No mesmo sentido, Antunes cita os momentos em que o grupo de pesquisadores tem tido a oportunidade e percorrer diferentes pontos no estado onde as iniciativas de preserva\u00e7\u00e3o e multiplica\u00e7\u00e3o das sementes crioulas tem sido efetivadas, seja atrav\u00e9s de coletivos camponeses, associa\u00e7\u00f5es e institui\u00e7\u00f5es vinculadas a setores p\u00fablicos. \u201c\u00c9 muito importante esse reconhecimento ao trabalho di\u00e1rio do campon\u00eas junto das sementes que comp\u00f5em o cotidiano de produ\u00e7\u00e3o na pequena propriedade\u201d, finalizou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Schiavon, no final do dia, reafirmou a vis\u00e3o do campesinato a respeito da interpreta\u00e7\u00e3o do valor simb\u00f3lico da semente: \u201cAssim como o meio ambiente como um todo, ao semente n\u00e3o pode ser considerada uma moeda simplesmente, ela n\u00e3o \u00e9 um lastro monet\u00e1rio, ao contr\u00e1rio ela deve ser considerada como um bem comum da humanidade\u201d. Partindo desse princ\u00edpio o dirigente do MPA justifica todo o esfor\u00e7o desenvolvido em rela\u00e7\u00e3o ao tema das sementes, n\u00e3o apenas no aspecto formal que se refere \u00e0 produ\u00e7\u00e3o como instrumento jur\u00eddico, mas construindo condi\u00e7\u00f5es de empoderamento para o agricultor campon\u00eas a partir da sua pr\u00f3pria realidade \u201conde se possa comungar da semente como um bem comum, partilhado por todos\u201d, arrematou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><em><strong>Marcos Antonio Corbari<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">MPA | BdF-RS | Rede Seberania | ICPJ<\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas experi\u00eancias da base do MPA colocam a ci\u00eancia e a tradi\u00e7\u00e3o de m\u00e3os dadas a partir do tema Sementes Crioulas. <\/p>\n","protected":false},"featured_media":1991,"template":"","categorias_noticias":[],"class_list":["post-1990","noticias","type-noticias","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - 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