{"id":1258,"date":"2018-12-11T09:33:05","date_gmt":"2018-12-11T11:33:05","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=noticias&#038;p=1258"},"modified":"2018-12-11T09:33:05","modified_gmt":"2018-12-11T11:33:05","slug":"mulheres-negras-movem-o-brasil-contra-o-racismo-a-violencia-pelo-bem-viver","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/noticias\/mulheres-negras-movem-o-brasil-contra-o-racismo-a-violencia-pelo-bem-viver\/","title":{"rendered":"Mulheres negras movem o Brasil: contra o racismo, a viol\u00eancia, pelo bem viver."},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Por Michele Corr\u00eaa*<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>\u201cQuando uma mulher negra se movimenta, toda a sociedade se movimenta com ela\u201d. <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><em>Angela Davis<\/em><\/strong><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1259 alignleft\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47509652_1896564477122754_5315842904424448000_n.jpg\" alt=\"\" width=\"402\" height=\"268\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47509652_1896564477122754_5315842904424448000_n.jpg 960w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47509652_1896564477122754_5315842904424448000_n-300x200.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47509652_1896564477122754_5315842904424448000_n-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 402px) 100vw, 402px\" \/><\/p>\n<p>Neste in\u00edcio de dezembro, todos os caminhos levaram as mulheres negras ativistas brasileiras a Goi\u00e2nia. Elas participaram do Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 anos: Contra o Racismo e a Viol\u00eancia e Pelo Bem Viver \u2013 Mulheres Negras Movem o Brasil. O encontro come\u00e7ou na \u00faltima quinta-feira (6) e encerrou-se neste domingo, dia 09, em Goi\u00e2nia\/Goi\u00e1s, reunindo cerca de mil mulheres de todo o pa\u00eds. As participantes foram definidas a partir de encontros e reuni\u00f5es preparat\u00f3rias realizados por todo o pa\u00eds e est\u00e3o reunidas na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s (PUC-GO).<\/p>\n<p>As participantes v\u00eam do campo e da cidade, das periferias, s\u00e3o quilombolas, religiosas de matriz africana, trabalhadoras dom\u00e9sticas, jovens e de todas as idades, na luta pela manuten\u00e7\u00e3o e conquista de direitos e pela converg\u00eancia de esfor\u00e7os no embate a todas as formas de opress\u00e3o e submiss\u00e3o das mulheres negras no Brasil e mobilizadas pela forma\u00e7\u00e3o de redes de fortalecimento e amplia\u00e7\u00e3o de parcerias.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de debates, o Encontro teve uma diversificada programa\u00e7\u00e3o formativa, art\u00edstica, liter\u00e1ria e cultural e em homenagem ao legado de mulheres negras que contribu\u00edram na luta contra o racismo, as salas, audit\u00f3rios e espa\u00e7os livres est\u00e3o sinalizados com os nomes dessas lideran\u00e7as hist\u00f3ricas, como Luiza Bairros, L\u00e9lia Gonzalez, Carolina de Jesus, D. Ivone Lara, F\u00e1tima de Oliveira, Catarina Mina, S\u00edlvia Catanhede e Francisca Poderosa. Contando tamb\u00e9m com feiras, apresenta\u00e7\u00f5es culturais, oficinas, palestras e rodas de conversa com temas diversos, como sa\u00fade, religiosidade afro-brasileira, encarceramento em massa e desafios e perspectivas do movimento de mulheres. A fil\u00f3sofa e escritora Sueli Carneiro, a escritora Concei\u00e7\u00e3o Evaristo e a tamb\u00e9m fil\u00f3sofa e feminista norte-americana, militante, Angela Davis est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m, espa\u00e7os de sa\u00fade e uma grande feira com produtos das \u201cafro empreendedoras\u201d. Roseli Rosa, militante e participante, viajou 12 horas com a delega\u00e7\u00e3o de Minas Gerais e conta o que espera do evento: \u201cEstou muito feliz e tenho certeza que teremos um \u00f3timo encontro que possibilitar\u00e1 a troca de viv\u00eancias e saberes, pois nossos passos vem de longe e o momento agora \u00e9 de resist\u00eancia\u201d, sinaliza.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a mais aguardada, sem sombra de d\u00favida foi a de Angela Davis, dos Panteras Negras. Dava para sentir a emo\u00e7\u00e3o no ar. Uma calorosa e efusiva salva de palmas foi igualmente retribu\u00edda em uma fala protocolar, mas sincera. \u201cPrimeiramente, deixe-me dizer a enorme honra que \u00e9 ter sido convidada para participar deste Encontro Nacional de Mulheres Negras\u201d. Em sua sauda\u00e7\u00e3o, na abertura do encontro, Angela Davis recordou o assassinato da vereadora Marielle Franco, em mar\u00e7o deste ano no Rio de Janeiro, ao qual chamou de \u201cbrutal\u201d. \u201cN\u00f3s devemos manter seu legado vivo, enfatizando as interconex\u00f5es entre racismo, misoginia, pobreza e homo e transfobia\u201d, reiterou.<\/p>\n<p>O evento marca os 30 anos do primeiro encontro, 1988, em que mulheres do movimento negro se uniram para discutir formas de enfrentar a viol\u00eancia e a opress\u00e3o que cerca a vida das mulheres. O 1\u00b0 Encontro Nacional de Mulheres Negras (1\u00ba ENMN) foi realizado entre os dias 02 e 04 de dezembro de 1988, em Valen\u00e7a (RJ). O evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de 450 mulheres negras de 19 estados e foi precedido por encontros e semin\u00e1rios estaduais de mobiliza\u00e7\u00e3o e debate pol\u00edtico. Considera-se que Valen\u00e7a contribuiu para impulsionar o movimento contempor\u00e2neo de mulheres negras, ao permitir um exerc\u00edcio de identifica\u00e7\u00e3o da urg\u00eancia em ultrapassar as fronteiras do feminismo atrav\u00e9s de uma articula\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o racial com as quest\u00f5es de g\u00eanero e classe. Reafirmando o papel das mulheres negras como sujeito central no processo de reivindica\u00e7\u00e3o por uma sociedade justa, igualit\u00e1ria e sem discrimina\u00e7\u00e3o, a partir de seus pr\u00f3prios referenciais.<\/p>\n<p>No ano do 1\u00ba ENMN, aconteciam os festejos do Centen\u00e1rio da Aboli\u00e7\u00e3o. Pegando este mote, as mulheres negras reunidas em Valen\u00e7a constru\u00edram a cr\u00edtica a esses festejos e realizaram debates sobre racismo, educa\u00e7\u00e3o, trabalho, sa\u00fade, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, sexualidade, arte e cultura em oficinas e outras atividades, momentos cruciais para refletir sobre o conceito de aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e para uma troca de experi\u00eancias que trouxe luz \u00e0 diversidade pol\u00edtica e cultural que as mulheres negras brasileiras representam, al\u00e9m da import\u00e2ncia hist\u00f3rica de replicar os conhecimentos ali intercambiados.<\/p>\n<p>O encontro de 2018 \u00e9 um encontro hist\u00f3rico. Um momento para celebrar e avaliar os 30 anos do primeiro encontro nacional, um marco no empoderamento das mulheres negras. Desde mar\u00e7o deste ano, as ativistas est\u00e3o realizando encontros nos seus estados e refletindo sobre como est\u00e3o os seus direitos nos lugares onde vivem e em todo o pa\u00eds. Sendo organizado por entidades do movimento de mulheres negras e, ativistas do campo e da cidade, das periferias, quilombolas, religiosas de matriz africana, trabalhadoras dom\u00e9sticas, jovens e de todas as idades, realizaram atividades pr\u00e9vias nos seus estados e atualizaram a leitura de como est\u00e3o os seus direitos nos lugares onde vivem e em todo o pa\u00eds. Cada participante est\u00e1 mobilizada em seus territ\u00f3rios na luta pela amplia\u00e7\u00e3o de parcerias e redes de fortalecimento, pela manuten\u00e7\u00e3o e conquista de direitos e pela converg\u00eancia de esfor\u00e7os no embate a todas as formas de opress\u00e3o e submiss\u00e3o da mulher negra no Brasil.<\/p>\n<p>O enfrentamento das viol\u00eancias urbanas, a garantia de direitos sexuais e reprodutivos, o embate ao epistemic\u00eddio acad\u00eamico s\u00e3o t\u00f3picos propostos pelas lideran\u00e7as das cinco regi\u00f5es do Brasil para o Encontro em Goi\u00e2nia. O acirramento do racismo, o aprofundamento das desigualdades e a concentra\u00e7\u00e3o de riquezas, feminic\u00eddio de mulheres negras, assassinatos de jovens negros e negras, encarceramento e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, todas essas quest\u00f5es, agravadas nos \u00faltimos tr\u00eas anos pela a\u00e7\u00e3o de correntes antidemocr\u00e1ticas no pa\u00eds, s\u00e3o temas de debate tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Eliane Dias, da Rede Afro LGBT e da Rede de Mulheres Negras de Minas Gerais, conta que a realiza\u00e7\u00e3o desse encontro \u00e9 necess\u00e1ria para fortalecer as organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras no neste per\u00edodo ap\u00f3s a elei\u00e7\u00e3o de Jair Bolsonaro (PSL). \u201cSendo a primeira grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular p\u00f3s per\u00edodo eleitoral. Apesar de n\u00e3o ter tido ainda a chegada do novo governo, a gente j\u00e1 sente na pele os efeitos. As mulheres pretas, principalmente, j\u00e1 vivem em ambientes hostis, de amea\u00e7a, de perigo, mas de muita resist\u00eancia. Al\u00e9m disso, a partir do encontro, vamos ter um norte para algumas d\u00e9cadas de luta, vamos sair de l\u00e1 com estrat\u00e9gias de enfrentamento\u201d, explica.<\/p>\n<p>No estado de Minas Gerais, as mulheres negras est\u00e3o se preparando desde o in\u00edcio do ano para participar do evento. S\u00e3o 80 delegadas, entre LBTs (l\u00e9sbicas, bissexuais e transexuais), quilombolas, religiosas de matriz africana, atingidas por barragem, pesquisadoras e trabalhadoras de pol\u00edticas p\u00fablicas. \u201cO grande desejo das nossas mulheres negras mineiras \u00e9 de que suas quest\u00f5es sejam debatidas, de que a\u00e7\u00f5es efetivas se deem no campo das pol\u00edticas p\u00fablicas\u201d, Cris Ribeiro, que tamb\u00e9m \u00e9 integrante da Rede de Mulheres Negras de Minas Gerais.<\/p>\n<p>Para Nilza Iraci, do Geled\u00e9s &#8211; Instituto da Mulher Negra\/SP, o encontro \u00e9 \u201ccomo uma continuidade da Marcha (das Mulheres Negras), aquele encontro lindo de pessoas lindas! \u201d. Para ela, no momento atual, \u00e9 do que as pessoas mais est\u00e3o precisando: do encontro, de estarem juntas!<\/p>\n<p>Recordar e comemorar a ocorr\u00eancia do encontro de Mulheres Negras de 1988, em Valencia, 30 anos depois, tem como um dos seus objetivos fortalecer a organiza\u00e7\u00e3o das mulheres negras p\u00f3s elei\u00e7\u00e3o presidencial e construir estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos. For\u00e7a que vai inspirar e nutrir todo os movimentos de mulheres e de feministas do pa\u00eds, assim como os movimentos negros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1260 aligncenter\" src=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47233414_1887031594742709_1033933760703234048_n.jpg\" alt=\"\" width=\"403\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47233414_1887031594742709_1033933760703234048_n.jpg 960w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47233414_1887031594742709_1033933760703234048_n-300x169.jpg 300w, https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/47233414_1887031594742709_1033933760703234048_n-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/p>\n<p>Refer\u00eancias:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/mil-mulheres-negras-reunem-se-em-goiania-em-encontro-nacional\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/mil-mulheres-negras-reunem-se-em-goiania-em-encontro-nacional\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/encontro-de-mulheres-negras-30-anos-acontece-em-goiania-com-os-temas-racismo-e-violencia\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/encontro-de-mulheres-n<\/a>egras-30-anos-acontece-em-goiania-com-os-temas-racismo-e-violencia\/<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.sul21.com.br\/movimentos\/2018\/12\/encontro-nacional-de-mulheres-negras-reune-mais-de-mil-pessoas-na-luta-contra-o-racismo-e-a-violencia\/\">https:\/\/www.sul21.com.br\/movimentos\/2018\/12\/encontro-nacional-de-mulheres-negras-reune-mais-de-mil-pessoas-na-luta-contra-o-racismo-e-a-violencia\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cfemea.org.br\/plataforma25anos\/_anos\/1988.php?iframe=enmn_1988\">http:\/\/www.cfemea.org.br\/plataforma25anos\/_anos\/1988.php?iframe=enmn_1988<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.kickante.com.br\/campanhas\/encontro-nacional-mulheres-negras-30-anos\">https:\/\/www.kickante.com.br\/campanhas\/encontro-nacional-mulheres-negras-30-anos<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*Graduanda em Filosofia na UFPel,<\/em><\/p>\n<p><em>Assessora da Pastoral da Juventude (PJ) e <\/em><\/p>\n<p><em>Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste in\u00edcio de dezembro, todos os caminhos levaram as mulheres negras ativistas brasileiras a Goi\u00e2nia. Elas participaram do Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 anos: Contra o Racismo e a Viol\u00eancia e Pelo Bem Viver \u2013 Mulheres Negras Movem o Brasil. O encontro come\u00e7ou na \u00faltima quinta-feira (6) e encerrou-se neste domingo, dia 09, em Goi\u00e2nia\/Goi\u00e1s, reunindo cerca de mil mulheres de todo o pa\u00eds. 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