{"id":1789,"date":"2019-07-25T12:02:16","date_gmt":"2019-07-25T15:02:16","guid":{"rendered":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/?post_type=artigos&#038;p=1789"},"modified":"2019-07-25T12:02:16","modified_gmt":"2019-07-25T15:02:16","slug":"dia-internacional-da-mulher-negra-e-rainha-tereza-de-benguela","status":"publish","type":"artigos","link":"https:\/\/padrejosimo.com.br\/site\/artigos\/dia-internacional-da-mulher-negra-e-rainha-tereza-de-benguela\/","title":{"rendered":"Dia Internacional da Mulher Negra e Rainha Tereza de Benguela"},"content":{"rendered":"<blockquote>\n<p><strong><em>Nos meus acordes vou contar<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A saga de Tereza de Benguela<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Uma rainha africana<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Escravizada em Vila Bela<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>O ciclo do ouro iniciava<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>No cativeiro, sofrimento e agonia<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A rebeldia, acendeu a chama da liberdade<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>No Quilombo, o sonho de felicidade<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Il\u00ea Ay\u00ea, Ara Ay\u00ea Ilu Ay\u00ea<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>Um grito forte ecoou (bis)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>A esperan\u00e7a, no quariter\u00ea<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>\u2026<\/em><\/strong><\/p>\n<p>(A hist\u00f3ria da \u201cRainha\u201d foi relembrada em 1994 pela escola de samba Unidos da Viradouro no samba-enredo \u201cTereza de Benguela, uma rainha negra no Pantanal\u201d).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2085\" src=\"https:\/\/redesoberania.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Dia-da-mulher-Negra.jpg\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" srcset=\"https:\/\/redesoberania.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Dia-da-mulher-Negra.jpg 350w, https:\/\/redesoberania.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Dia-da-mulher-Negra-300x210.jpg 300w\" alt=\"\" width=\"350\" height=\"245\" \/>Dia 25 de julho \u00e9 data para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. Voc\u00ea sabe quem foi Tereza de Benguela? Segundo a ex-senadora e autora do texto Serys Slhessarenko, a institui\u00e7\u00e3o da data \u00e9 uma forma de criar um \u00edcone para as mulheres negras do pa\u00eds:<strong><em> \u201c\u00c9 preciso criar um s\u00edmbolo para a mulher negra, tal como existe o mito Zumbi dos Palmares. As mulheres carecem de hero\u00ednas negras que reforcem o orgulho de sua ra\u00e7a e de sua hist\u00f3ria\u201d<\/em><\/strong>, afirmou Serys ao site da C\u00e2mara dos Deputados. Assim, a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a e de Cidadania (CCJ) da C\u00e2mara dos Deputados aprovou, em car\u00e1ter conclusivo, proposta do Senado (PL 5746\/09) que institui a data de 25 de julho como Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, tendo a proposta san\u00e7\u00e3o presidencial, em 2 de junho de 2014, por meio da Lei n\u00ba 12.987.<\/p>\n<p>Tereza de Benguela foi uma lideran\u00e7a quilombola que viveu no s\u00e9culo XVIII. Valente e guerreira, Benguela, n\u00e3o se sabe se africana ou brasileira, comandou o Quilombo do Quariter\u00ea, no Mato Grosso. Dizem que liderou um levante de negros e \u00edndios, instalando-se pr\u00f3ximo a Cuiab\u00e1, n\u00e3o muito longe da fronteira com a atual Bol\u00edvia. Durante d\u00e9cadas. Tereza, o qual sobreviveu at\u00e9 1770, s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p>Mulher de Jos\u00e9 Piolho, esteve \u00e0 frente do Quilombo, assumindo o comando daquela comunidade quilombola ap\u00f3s a morte seu marido, lideranderou entre 1750 e 1770.\u00a0 O Quilombo do Piolho ou Quariter\u00ea abrigava aproximadamente 100 pessoas, nos arredores de Vila Bela da Sant\u00edssima Trindade, Mato Grosso. Durante seu reinado, a Rainha Tereza criou uma esp\u00e9cie de parlamento, comandou a estrutura pol\u00edtica, econ\u00f4mica e administrativa do Quilombo e refor\u00e7ou sua defesa com armas adquiridas a partir de trocas com os brancos ou resgatadas das vilas pr\u00f3ximas ou levadas como esp\u00f3lio ap\u00f3s conflitos. Nas suas terras eram cultivados milho, feij\u00e3o, mandioca, banana e algod\u00e3o, utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos.<\/p>\n<p>O Quilombo do Quariter\u00ea, al\u00e9m do parlamento e de um conselheiro para a rainha, desenvolvia agricultura de algod\u00e3o e possu\u00eda teares onde se fabricavam tecidos que eram comercializados fora dos quilombos, como tamb\u00e9m os alimentos excedentes. No per\u00edodo colonial e p\u00f3s-colonial no Brasil, os quilombos, espa\u00e7os de resist\u00eancia de homens e mulheres negros, reuniam milhares de habitantes, entre eles negros, ind\u00edgenas e brancos pobres. Esses habitantes eram denominados de quilombolas ou mocambeiros. Esses termos aparecem na documenta\u00e7\u00e3o desde o s\u00e9culo XVI.<\/p>\n<p>O Quilombo mais conhecido entre n\u00f3s \u00e9 o de Palmares, localizado na Serra da Barriga, em Alagoas. Este Quilombo \u00e9 considerado por muitos especialistas um \u201cestado africano no Brasil\u201d; por outros, \u00e9 considerado a \u201cRep\u00fablica de Palmares\u201d devido sua extens\u00e3o territorial. Seu l\u00edder Zumbi dos Palmares foi decapitado, no dia 20 de novembro de 1695. Por isso, o Dia da Consci\u00eancia Negra \u00e9 comemorado nessa data, com a finalidade de homenagear toda a popula\u00e7\u00e3o negra que lutou bravamente pela liberta\u00e7\u00e3o do a\u00e7oite, que liderou levantes em busca da liberdade e que construiu o patrim\u00f4nio social e cultural brasileiro.<\/p>\n<p>As atividades dos quilombolas se resumiam em ca\u00e7ar, pescar, derrubar mato, fazer ro\u00e7a, plantar e colher, criar aves, produzir mel e guerrear com os \u00edndios cabixis, que lhes roubavam as mulheres. A Coroa Portuguesa, junto \u00e0 elite local, agiu r\u00e1pido e enviou uma bandeira de alto poder de fogo para eliminar os quilombolas. Tereza de Benguela foi presa. N\u00e3o se submetendo \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de escravizada, suicidou-se.<\/p>\n<p>Tereza de Benguela \u00e9, assim como outras hero\u00ednas negras, um dos nomes esquecidos pela historiografia nacional, que, nos \u00faltimos anos, devido ao engajamento do movimento de mulheres negras e \u00e0 pesquisa ou ao resgate de documentos at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o devidamente estudados, na busca de recontar a hist\u00f3ria nacional e multiplicar as narrativas que revelam a forma\u00e7\u00e3o sociopol\u00edtica brasileira.<\/p>\n<p><strong>\u201cGovernava esse quilombo a modo de parlamento, tendo para o conselho uma casa destinada, para a qual, em dias assinalados de todas as semanas, entrava os deputados, sendo o de maior autoridade, tipo por conselheiro, Jos\u00e9 Piolho, escravo da heran\u00e7a do defunto Ant\u00f4nio Pacheco de Morais, isso faziam, tanto que eram chamados pela rainha, que era a que presidia e que naquele negral Senado se assentava, e se executava \u00e0 risca, sem apela\u00e7\u00e3o nem agravo. \u201d<\/strong> Anal de Vila Bela do ano de 1770.<\/p>\n<p>\u00a0O dia Internacional da Mulher Negra e a Mem\u00f3ria de Tereza de Benguela ganham especial for\u00e7a quando, no Brasil\u00a0 ainda ocorrem fatos absurdos como a den\u00fancia feita \u00e0 Justi\u00e7a, na sexta-feira, dia 11 de julho, pelo promotor de justi\u00e7a criminal Cassio Roberto Conserino, do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo na qual s\u00e3o acusadas 19 diferentes lideran\u00e7as ou membros de movimentos de luta por moradia, entre os quais Carmen Silva Ferreira e Janice Ferreira da Silva, a Preta Ferreira, do Movimento dos Sem-Teto do Centro (MSTC), por fazerem parte de uma suposta \u201corganiza\u00e7\u00e3o criminosa\u201d, inclusive com liga\u00e7\u00f5es com a fac\u00e7\u00e3o PCCN. Por tal acusa\u00e7\u00e3o Preta Ferreira, est\u00e1 presa h\u00e1 30 dias mesmo sem ter cometido crime nenhum. Sendo detida junto de seu irm\u00e3o, Sidney Ferreira e sua m\u00e3e, l\u00edder do Movimento Sem Teto do Centro (MSTC) e da Frente de Luta por Moradia (FLM), Carmen Silva. A acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 de extors\u00e3o, por cobran\u00e7a de uma taxa de moradores em condom\u00ednios ocupados do centro de S\u00e3o Paulo \u2013 num processo que desconsidera que essas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o decididas em assembleias de moradores, registradas em cart\u00f3rio e comprovadas por recibos.<\/p>\n<p>Para Preta, a verdade \u00e9 outra. <strong><em>\u201cN\u00e3o sou bandida, sempre trabalhei. Estou presa porque nasci mulher, preta e pobre em um pa\u00eds aonde quem manda s\u00e3o homens machistas e racistas. \u201d, <\/em><\/strong>afirma\u00e7\u00e3o feita em entrevista concedida no 23 de julho a rep\u00f3rter Nahama Nunes, da R\u00e1dio Brasil Atual. Ela est\u00e1 na Penitenci\u00e1ria Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista. A ativista da luta por moradia critica a decis\u00e3o, justifica a cobran\u00e7a da tal taxa e, emocionada, classifica sua pris\u00e3o como pol\u00edtica. <strong><em>\u201cEstou presa porque briguei por direitos constitucionais. Quem deveria estar preso \u00e9 quem n\u00e3o cumpriu com seus deveres constitucionais. Moradia \u00e9 um direito constitucional\u201d<\/em><\/strong>, disse.<\/p>\n<p>A Preta est\u00e1 em cela especial, j\u00e1 que tem forma\u00e7\u00e3o superior em Publicidade. Ela argumenta que o movimento social passa por um processo de criminaliza\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e que, idealmente, sequer gostaria de travar sua luta cotidiana. <strong><em>\u201cNingu\u00e9m ocupa porque quer. Ocupamos por necessidade, para n\u00e3o morrer de frio. N\u00e3o somos v\u00e2ndalos. Ocupamos porque precisamos. Acha que eu n\u00e3o queria ter minha casa? Queria, mas como vou comprar? Trabalho para comer ou para pagar moradia. Aonde em S\u00e3o Paulo algu\u00e9m vive com um sal\u00e1rio m\u00ednimo? \u201d<\/em><\/strong>, questionou.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o vivida por Preta e sua fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 uma singularidade na sociedade brasileira, muito ao contr\u00e1rio, \u00e9 quase uma normalidade, uma constante. O Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITTC) lan\u00e7ou no m\u00eas de Junho de 2019 o relat\u00f3rio <em>\u2018Mulheres em Pris\u00e3o: enfrentando a (in)visibilidade das mulheres submetidas \u00e0 justi\u00e7a criminal\u2019<\/em>, com o objetivo de apontar como a justi\u00e7a criminal brasileira prende e \u00e9 seletiva em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade de determinadas mulheres. O estudo acompanhou cerca de 200 mulheres em audi\u00eancias de cust\u00f3dia, no per\u00edodo de dezembro de 2017 a abril de 2018. De acordo com a pesquisa, o Poder Judici\u00e1rio brasileiro prende, julga e condena as mulheres sem nem ao menos levar em considera\u00e7\u00e3o poss\u00edveis medidas alternativas. Al\u00e9m disso, o sistema de encarceramento \u00e9 seletivo. De acordo com os dados, 68% das mulheres encarceradas s\u00e3o negras, 57% s\u00e3o solteiras, 50% t\u00eam apenas o ensino fundamental e 50% t\u00eam entre 18 e 29 anos.<\/p>\n<p>De acordo com outro estudo, o Levantamento Nacional de Informa\u00e7\u00f5es Penitenci\u00e1rias\/ Infopen Mulheres, entre 2000 e 2014, a popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina cresceu 567,4%, no Brasil. O ITTC afirma que estas mulheres, que est\u00e3o \u00e0 espera de julgamento ou est\u00e3o condenadas, t\u00eam seus direitos violados diariamente e vivem uma vida dolorosa, pois, al\u00e9m de estarem exclu\u00eddas da sociedade, sofrem por estarem longe dos filhos e familiares.<\/p>\n<p>Sendo o sistema prisional brasileiro \u00e9 um dos que mais prende mulheres no mundo. Somos a quarta maior popula\u00e7\u00e3o carcer\u00e1ria feminina do planeta. Mantemos privadas de liberdade aproximadamente 45 000 mulheres, estamos atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, da China e da R\u00fassia, o que me faz deixar um questionamento:<\/p>\n<p><strong>A escravid\u00e3o de fato foi abolida no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.palmares.gov.br\/?p=46450\">http:\/\/www.palmares.gov.br\/?p=46450<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.letras.mus.br\/unidos-do-viradouro-rj\/474145\/\">https:\/\/www.letras.mus.br\/unidos-do-viradouro-rj\/474145\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/destaques\/2019\/07\/na-prisao-ha-30-dias-preta-ferreira-desabafa-estou-presa-porque-nasci-mulher-preta-e-pobre\/?fbclid=IwAR0pxxttBsdUjha99CMK30wgXIDOoKWksKyGGoOlZTAL0HZ-7FN0WBeohVg\">https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/destaques\/2019\/07\/na-prisao-ha-30-dias-preta-ferreira-desabafa-estou-presa-porque-nasci-mulher-preta-e-pobre\/?fbclid=IwAR0pxxttBsdUjha99CMK30wgXIDOoKWksKyGGoOlZTAL0HZ-7FN0WBeohVg<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/observatorio3setor.org.br\/noticias\/68-das-mulheres-encarceradas-no-brasil-sao-negras-aponta-estudo\/\">https:\/\/observatorio3setor.org.br\/noticias\/68-das-mulheres-encarceradas-no-brasil-sao-negras-aponta-estudo\/<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/carceraria.org.br\/mulher-encarcerada\/brasil-e-o-4o-pais-que-mais-prende-mulheres-62-delas-sao-negras\">https:\/\/carceraria.org.br\/mulher-encarcerada\/brasil-e-o-4o-pais-que-mais-prende-mulheres-62-delas-sao-negras<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/ittc.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheresemprisao-enfrentando-invisibilidade-mulheres-submetidas-a-justica-criminal.pdf\">http:\/\/ittc.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/mulheresemprisao-enfrentando-invisibilidade-mulheres-submetidas-a-justica-criminal.pdf<\/a><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em> <strong>Michele Corr\u00eaa<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>*Graduanda em Filosofia na UFPel, Feminista Negra,<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Assessora da Pastoral da Juventude (PJ) e<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Militante do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michele Corr\u00eaa escreve sobre o Dia da mulher Negra, relembrando Teresa de Benguela e denunciando a abitrariedade da pris\u00e3o de Preta Ferreira.<\/p>\n","protected":false},"author":11,"template":"","class_list":["post-1789","artigos","type-artigos","status-publish","hentry"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.2 - 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